segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

3 escolhas

A pôr no CD lá de casa quando a chuva bate lá fora ou o frio convida a ficar

Madeleine Peyroux, Half the Perfect World
Tom Petty, Highway Companion

Ray Davies, Other People's Lives

Leituras da semana

- Fareed Zakaria, "Even if we "win"we loose" (Newsweek), aqui;

- Mouna Naim, "Fièvres posthumes pour Saddam Hussein" (Le Monde) aqui;

- The Guardian, "Avoiding jihad", editorial;

- Le Figaro, "Sarkozy veut se ''tourner vers tous les Français'', aqui;

- João Miguel Tavares, "Bárbaros e neandertais" (Diário de Notícias), aqui;

Retórica e demagogia

Lido no Diário de Notícias:
O doutoramento honoris causa de Cavaco Silva pela Universidade de Goa ficou ontem marcado por protestos de estudantes contra a atribuição do título ao Chefe do Estado português. Reunidos à entrada da instituição, exibindo cartazes onde se lia "Abaixo o imperialismo" ou "Um dia negro na história da Universidade de Goa", cerca de duas dezenas de alunos manifestaram-se contra
a concessão daquele grau a um estrangeiro - e a um português em específico - quando nenhum goês ou indiano o recebeu ainda.
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A tontaria não escolhe geografia, nem cor da pele, nem dialecto. Está distribuída um pouco por todo o planeta, a Ocidente e Oriente, a Norte e a Sul. Na sua enorme tolerância Deus não quis que uns se ficassem a rir uns dos outros. O referido "dia negro na história" é uma daquelas atoardas imbecis em que alguma esquerda é useira e vezeira: tomar a parte pelo todo, retirar os factos do contexto. A citação aos estudantes em protesto do apressado jornalista [ou da agência noticiosa] deveria ser mais criteriosa, juntando por exemplo a menção à organização político-partidária a que os estudantes pertenciam. No caso, o partido comunista indiano.

Não deixa de ser curioso que um país [a Índia] que é uma constelação de raças, credos, linguas e dialectos onde se combina de forma, tão notável e sedutora, o encontro de culturas entre o Oriente e o Ocidente, entre religiões como o Islão, o Induismo, o Cristianismo e outros ainda haja gente tão tacanha que persista nas velhas atoardas anti-colonialistas, na verborreia terceiro-mundista, a culpar alguém que deixou de ter responsabilidades sobre o pequenissimo enclave há 40
anos pelas culpas do presente e pelos erros dos actuais governantes.
É triste mas não deslustra o povo indiano e a Índia no seu conjunto. Portugal entretanto tornou-se uma democracia mas os estudantes devem ignorá-lo.

Dá vontade de perguntar se não fosse esse legado português, os templos e as fachadas e os velhos que ainda soletram o português, GOA não seria mais que um ponto desconhecido, perdido no mapa do subcontinente indiano. É evidente que sim.

Talvez fosse útil perguntar aos manifestantes anti-imperalistas se condenam o presidente português por ser estrangeiro e receber o doutoramento honoris causa [e os indianos não] porque é que um país com tão extenso rol de excelsos escritores e intelectuais que têm recebido o aplauso de todo o mundo [V.S. Naipul, Amartya Sen, Salman Rushdie, Jhumpa Lahiri, Arundhati Roy, Vikram Seth] ninguém propõs, até agora, qualquer desses intelectuais para o reconhecimento devido pelo doutoramento honoris causa do seu país.






domingo, 14 de janeiro de 2007

A tragédia da ETA

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Acerca do regresso do terrorismo da ETA, o Arnaldo Gonçalves escreve que "A mão leve, a condescendência, dá nisto". A explosão em Barajas é sem dúvida um abalo na estratégia de Zapatero. Por outro lado, como escreve Jorge Almeida Fernandes na edição deste domingo do jornal Público, "Doravante já não basta um cessar-fogo para negociar, é necessária a cessação definitiva da violência, indondicional e, consequentemente, sem contrapartida política". A ETA acaba de destruir o seu primeiro instrumento de chantagem sobre o Estado".

Ler "ETA sólo tiene un destino: el fin", entrevista de Rodriguez Zapatero ao jornal El Pais.

sábado, 13 de janeiro de 2007

O homem insiste....

"The question is whether our new strategy will bring us closer to success. I believe that it will."PRESIDENT BUSH

ETA: o canto do vigário

Várias dezenas de milhares de espanhóis manifestaram-se, sábado, em Madrid e Bilbau contra o terrorismo da ETA, duas semanas após um atentado do grupo separatista no aeroporto da capital, que vitimou duas pessoas.
Os madrilenos desfilaram em silêncio, durante vários quilómetros no centro de Madrid, agitando milhares de cartazes brancos, com o desenho de uma pomba e com a mensagem «Pela Paz, Contra o Terrorismo».

X--X--X
Zapatero devia saber que não se pode conciliar com os terroristas, nem confiar na [sua] palavra. O feitiço vira-se contra o feiticeiro. A mão leve, a condescendência dá nisto. Será que os socialistas espanhóis não aprendem?

Regresso a Londres

Desde 1995 que não visitava Londres. Uma cidade que em tempos conheci melhor que Lisboa. E onze anos bastaram para transformar a face da cidade nas margens do Tamisa.
O pleno emprego. Toda a gente tem trabalho, a taxa de desemprego está perto do valor natural, na acepção económica do termo (cerca de 4-5%, valor que corresponde a aqueles que voluntariamente estão em transição profissional, em períodos sabáticos, etc).
A cidade transformou-se numa plataforma do sector financeiro, onde os grandes bancos mundiais optaram por centralizar a sua sede europeia. A proliferação de arranha-céus, panorama virgem até 1985 com o edifício da corretora de seguros Loyds, é visível. O novo (e amiúde belo) a par com o antigo. Canary Warf, meia milha nas Docklands, outrora zona insalubre, agora tem 80.000 pessoas a trabalhar nos seus imponentes edifícios. Todas no sector financeiro. Salários milionários, bónus e demais prémios potencialmente chorudos mas sem segurança ou garantia de emprego.
Depois o facto de ter encontrado mais de uma vintena de antigos alunos e colegas, nos sítios mais inesperados. Face visível do efeito de íman que a cidade exerce sobre os trabalhadores qualificados: economistas, gestores, engenheiros, arquitectos, investigadores...
O comércio, sem mega centros comerciais, onde as lojas estão abertas todos os dias da semana; onde uma multidão de todos as cores e fisionomias compra, compra e compra...
As salas de teatro que quase duplicaram numa década e estão sempre de lotação esgotada...
Claro que os preços dos serviços (restauração...) e da habitação estão a níveis que a Europa continental não conhece... afinal o reflexo natural de uma cidade onde o rendimento per capita em paridades de poder de compra é mais de três vezes o da média europeia...
Pujança económica, diversidade cultural e étnica, optimismo e empreendedorismo, modernidade conjugada com a tradição, são marcas indeléveis desta cada vez mais excitante cidade.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Ainda