quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Merkel desafia a imaginação dos europeus


Lido na BBC World

A chanceler alemã Angela Merkel alertou nesta quarta-feira que a União Européia (UE) corre o risco de cometer um "fracasso histórico" se não reavivar planos para a aprovação de uma Constituição européia.
Ao apresentar os planos da Alemanha para a presidência rotativa da União Européia no Parlamento europeu, em Estrasburgo, ela disse que a criação de um novo documento para ser aprovado antes das eleições parlamentares européias em 2009 será prioridade de sua gestão.
Merkel disse que a UE era uma história de sucesso, por incorporar valores europeus como "liberdade, diversidade e tolerância".
A liderança da Alemanha vinha sendo bastante aguardada, e, segundo analistas, os parlamentares europeus esperam que ela possa dar um impulso à União Européia.
"Tendo sucesso juntos" é o slogan de Merkel para o mandato de seis meses à frente da UE.
Programa ambicioso
A Alemanha é um dos pesos-pesados da Europa e as expectativas são grandes.
Berlim apresentou um programa ambicioso, promovendo avanços nas áreas de segurança de energia e mudanças climáticas, nos acordos globais de livre comércios, uma nova parceria com a Rússia e maiores esforços para a paz no Oriente Médio.
Merkel, em contraste com a posição adotada pelo governo anterior da Alemanha, disse aos parlamentares europeus que uma cooperação mais estreita com os Estados Unidos "atende aos mais elevados interesses da Europa".
A chanceler alemã disse que a Europa precisa "acelerar o processo de paz" no Oriente Médio, precisa estar unida em sua posição sobre o programa nuclear do Irã, e precisa trabalhar para a estabilização do Afeganistão.
Ela também disse que "vale a pena e é inteligente investir na África, não apenas economicamente, mas politicamente", e prometeu preparar o terreno para uma reunião de cúpula UE-África.
Esta busca por maior coerência na política externa da UE, disse ela, exige que a UE tenha seu próprio ministro do Exterior.
A proposta para um ministro do Exterior é parte do esboço de Constituição da UE, rejeitada pelos eleitores da França e Holanda há 18 meses.
A Constituição também teria o objetivo de agilizar a resolução de questões trabalhistas e de tomada de decisões.
Merkel disse que a Constituição seria "o texto legal que será o fundamento em que a Europa construirá novas regras e regulamentos", e que a Europa precisa de "regras e regulamentos claros".

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Constituição é chave para sucesso da UE, diz Merkel





























































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































Valha-nos Deus. Será que a Europa só tem hoje um rebanho de políticos cinzentões, falhos e fracos? Mas ninguém percebeu - excepto Merkel - que a "Constituição" é a essência do caminho e da unidade europeia depois do Euro.
Como escrevi noutro lado cabe à presidência alemão dar o empurrão para o reatar do processo que todos os outros se encolhem, inclusive Durão Barroso. A questão não está em temer falhar está em temer arriscar.
Desenvolvimento, aqui.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

3 escolhas

A pôr no CD lá de casa quando a chuva bate lá fora ou o frio convida a ficar

Madeleine Peyroux, Half the Perfect World
Tom Petty, Highway Companion

Ray Davies, Other People's Lives

Leituras da semana

- Fareed Zakaria, "Even if we "win"we loose" (Newsweek), aqui;

- Mouna Naim, "Fièvres posthumes pour Saddam Hussein" (Le Monde) aqui;

- The Guardian, "Avoiding jihad", editorial;

- Le Figaro, "Sarkozy veut se ''tourner vers tous les Français'', aqui;

- João Miguel Tavares, "Bárbaros e neandertais" (Diário de Notícias), aqui;

Retórica e demagogia

Lido no Diário de Notícias:
O doutoramento honoris causa de Cavaco Silva pela Universidade de Goa ficou ontem marcado por protestos de estudantes contra a atribuição do título ao Chefe do Estado português. Reunidos à entrada da instituição, exibindo cartazes onde se lia "Abaixo o imperialismo" ou "Um dia negro na história da Universidade de Goa", cerca de duas dezenas de alunos manifestaram-se contra
a concessão daquele grau a um estrangeiro - e a um português em específico - quando nenhum goês ou indiano o recebeu ainda.
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A tontaria não escolhe geografia, nem cor da pele, nem dialecto. Está distribuída um pouco por todo o planeta, a Ocidente e Oriente, a Norte e a Sul. Na sua enorme tolerância Deus não quis que uns se ficassem a rir uns dos outros. O referido "dia negro na história" é uma daquelas atoardas imbecis em que alguma esquerda é useira e vezeira: tomar a parte pelo todo, retirar os factos do contexto. A citação aos estudantes em protesto do apressado jornalista [ou da agência noticiosa] deveria ser mais criteriosa, juntando por exemplo a menção à organização político-partidária a que os estudantes pertenciam. No caso, o partido comunista indiano.

Não deixa de ser curioso que um país [a Índia] que é uma constelação de raças, credos, linguas e dialectos onde se combina de forma, tão notável e sedutora, o encontro de culturas entre o Oriente e o Ocidente, entre religiões como o Islão, o Induismo, o Cristianismo e outros ainda haja gente tão tacanha que persista nas velhas atoardas anti-colonialistas, na verborreia terceiro-mundista, a culpar alguém que deixou de ter responsabilidades sobre o pequenissimo enclave há 40
anos pelas culpas do presente e pelos erros dos actuais governantes.
É triste mas não deslustra o povo indiano e a Índia no seu conjunto. Portugal entretanto tornou-se uma democracia mas os estudantes devem ignorá-lo.

Dá vontade de perguntar se não fosse esse legado português, os templos e as fachadas e os velhos que ainda soletram o português, GOA não seria mais que um ponto desconhecido, perdido no mapa do subcontinente indiano. É evidente que sim.

Talvez fosse útil perguntar aos manifestantes anti-imperalistas se condenam o presidente português por ser estrangeiro e receber o doutoramento honoris causa [e os indianos não] porque é que um país com tão extenso rol de excelsos escritores e intelectuais que têm recebido o aplauso de todo o mundo [V.S. Naipul, Amartya Sen, Salman Rushdie, Jhumpa Lahiri, Arundhati Roy, Vikram Seth] ninguém propõs, até agora, qualquer desses intelectuais para o reconhecimento devido pelo doutoramento honoris causa do seu país.






domingo, 14 de janeiro de 2007

A tragédia da ETA

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Acerca do regresso do terrorismo da ETA, o Arnaldo Gonçalves escreve que "A mão leve, a condescendência, dá nisto". A explosão em Barajas é sem dúvida um abalo na estratégia de Zapatero. Por outro lado, como escreve Jorge Almeida Fernandes na edição deste domingo do jornal Público, "Doravante já não basta um cessar-fogo para negociar, é necessária a cessação definitiva da violência, indondicional e, consequentemente, sem contrapartida política". A ETA acaba de destruir o seu primeiro instrumento de chantagem sobre o Estado".

Ler "ETA sólo tiene un destino: el fin", entrevista de Rodriguez Zapatero ao jornal El Pais.