quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Dez aninhos do Fórum Luso-Asiático

O Fórum Luso-Asiático, ONG portuguesa para a cooperação com a Ásia, faz hoje dez anos de vida. Nascemos no 4.o andar do edifício da Missão de Macau em Lisboa com o empurrão de uma mão cheia de gente com um amor forte ao Oriente e a Macau. Lembro Nelson António, Rui Rocha, Virgínia Trigo, Celina Veiga de Oliveira, Natália Cunha, Carlos Borges, Alexandra Costa Gomes, Pedro Correia, Sebastião Póvoas, Jorge Oliveira, Aloísio Fonseca, Eduardo Cabrita, Carlos Oliveira, Vasconcelos Saldanha, João Mira Gomes, Gonçalo César de Sá, Gonçalves Pereira e vários outros.

Dez anos depois cada um de nós seguiu o seu caminho. Alguns mantiveram-se fiéis ao projecto inicial e aos objectivos, que o tempo não feneceu.

Parabens a você.

O que está em jogo em Hong Kong?

Chris Patten, sugeriu a realização de um debate franco sobre as visões políticas relativas ao sufrágio universal dos dois candidatos a chefe do Executivo da antig a colónia britânica.
Chris Patten salientou que a qualidade mais importante de um líder da cidade, para conseguir realizar o seu trabalho, "é desejar" ouvir as preocupações da população.
Não querendo abordar a temática da eleição do novo chefe do Executivo, manifestou-se convicto de que a cidade deve ter uma ideia clara sobre quando irá ser introduzido o sufrágio universal.
Os chefes do Governo em Hong Kong e em Macau são eleitos por um comité eleitoral representativo da sociedade, método contestado pela oposição democrática, que defende eleições por voto popular directo o mais cedo possível.
Referindo que nem a Lei Básica de Hong Kong nem a Declaração Conjunta sino-britânica estabelecem uma data para o sufrágio universal, Chris Patten recordou, contudo, que não está definida a metodologia de sufrágio para as eleições de 2008 para o Conselho Executivo nem de 2012 para o cargo de chefe do Executivo.


X--X--X

Por vezes não é preciso dizer tudo para que se perceba. Sem dar palpites o antigo governador colonial de Hong Kong mostra os dados. Acordar nos procedimentos de eleição do próximo chefe do executivo, é o que ele sugere às forças políticas pro e anti-Pequim.

A democracia é um acordo constitucional elevado à dignidade constitucional sobre as regras do jogo da sociedade política; não um acordo sobre o seus fins [que podem ser vários].

O problema é que Pequim não larga mão destes últimos. Government by consent não faz parte da sua cartilha; nem John Locke das suas leituras. Prefere-lhe Confúcio ou Bodin.

Mas o debate fará bem à sociedade civil de Hong Kong. Devolver-lhe-á o brio de ser uma sociedade progressiva, competitiva e forte e olhar para a sua identidade. Apesar do Primeiro Sistema e das suas contrições. Donald Tsang - o inevitável vencedor, à partida - é o homem possível de transição. Culto, educado, manter-se-á fiel a Hong Kong, até onde a lealdade funcional a Pequim lho permitir. Alan Leong é um bom candidato da oposição liberal e democrata. Os arquitectos da Commonwealth e partidários da antiga colonização inglesa ficariam satisfeitos com ele. A administração de inspiração britânica funciona; a sociedade civil é forte e speaks loud and clear. Olhem para África e para a Ásia confuciana e islâmica: que mais exemplos há comparáveis a Hong Kong?

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Reacção na Zâmbia à visita de Hu Jintao

Eles [chineses] pagam mal. Trazem os seus para fazer o trabalho. Se os nossos dirigentes não fossem tão corruptos, não nos estariam a vender", afirmou um zambiano na casa dos 30 anos, Moses, citado pela reportagem do jornal britânico The Times.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Alkatiri e o pedido de desculpas

Diz a imprensa:


Mari Alkatiri foi notificado do arquivamento do processo sobre a alegada distribuição de armas a civis e espera agora um pedido de desculpas de Xanana Gusmão e Ramos Horta. O antigo primeiro-ministro sente-se mesmo preparado para se candidatar a Presidente da República de Timor.


Pois é. Pelos vistos a montanha pariu um rato. O mesmo é dizer que a acusação não conseguiu provar o envolvimento de Alkatiri nos últimos incidentes em Timor. As contradições deveriam ser imensas.


O que fica deste incidente são duas notas. Por um lado a incapacidade da elite dirigente timorense de governar o seu povo. Conexa a falta de sensibilidade quanto ao drama dos mais carenciados. Por outro, que as divergências políticas e as questiúnculas são zangas de comadres. Pura luta de facções ou de seitas.


O que fará Alkatiri quando ganhar as próximas eleições legislativas na sua qualidade de secretário-geral da Fretilin [deve ser o que anda em todas as bocas em Timor]. Provavelmente ajustar contas e lavar a afronta [em sangue provavelmente].

domingo, 4 de fevereiro de 2007

A questão do aborto

[...] Quer queiramos quer não, a questão do aborto é um dos mais complexas dilemas morais, pelo choque de valores e, sobretudo, pela controvérsia social sobre o valor absoluto da vida nas primeiras semanas de gestação e noutras situações-limite. [...]

Pedro Lomba no DN
X--X--X
Se tivesse que votar não sei como o faria. Sou sensível ao apelo do ultraje do julgamento [e da condenação] por uma questão do foro íntimo da mulher. Se recusamos que o Estado nos imponha qualquer uma concepção de Bem ou de Deus porque havemos de aceitar esta interferência?
Por outro lado, trata-se, inquestionavelmente, da eliminação de uma vida humana. E isso não pode ser incentivado.
Na vida há muitas escolhas entre valores irreconciliáveis. Nem todas são soma zero.

E se...

...a ascensão não for tão pacífica como [a China] nos tem assegurado?
Si la Chine s'eveille le monde tremblera! terá dito Napoleão.
No Space.com

In a unique case of space bumper cars, two pieces of rocket hardware have collided high above Earth. The orbital run-in involved a 31-year-old U.S. rocket body and a fragment from a more recently launched Chinese rocket stage. The collision occurred on January 17 of this year, with the incident happening some 550 miles (885 kilometers) above Earth. That area of low Earth orbit (LEO) has an above-average satellite population density. The American and Chinese space hardware cruised through space in similar orbits at the time of the rear-ender.
The U.S. Surveillance Network of space-watching gear detected the collision, with the episode reported in the April issue of The Orbital Debris Quarterly News, a publication of the NASA Orbital Debris Program Office at the Johnson Space Center in Houston, Texas.

Uma pose "real" ou "imperial"?

A nova visibilidade da política externa chinesa. Um olhar particularmente arguto de Stephanie Kleine-Ahlbrandt e Andrew Small no International Herald Tribune. Aqui.

No passaran

Ontem em Madrid milhares de pessoas participaram numa manifestação contra o negocismo do governo de Sapatero com a ETA. A manifestação foi convocada pelo Foro de Ermuna terá juntado cerca de um milhão e meio de pessoas. Em democracia não há compromisso possível com o terrorismo logo com os etarras. Sapatero conduziu a democracia espanhola para um beco sem saída. O último atentado em Madrid revela que ao contrário do que ingenuamente presumiu a organização terrorista basca não depôs as armas nem se converteu ao pluralismo democrático.