quarta-feira, 25 de abril de 2007
Esquerda caviar
[...] Ser activista é sem dúvida muito mais moderno do que ser militante. Por outro lado, o activista é um ser desembaraçado de passado. Não há Gulags que os embaracem, nem odes a Estaline que os comprometam. Não há países amigos. Apenas experiências alternativas e retratos do Che. O activismo é uma espécie de militância em versão light. Sem sabor, mas não isento de efeitos secundários. Como bem se vê em França. [...]
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Anónimo
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05:23
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Pedro Correia no "Caderno Diário"
[...] E, no entanto, o ditador, de 83 anos, mantém-se agarrado ao poder, procurando perpetuar o seu regime de terror que não hesita em silenciar todas as vozes discordantes – incluindo políticos, sindicalistas, clérigos e jornalistas. Nada inédito no continente africano, desde sempre um fértil viveiro de tiranias. Admira-me apenas o silêncio cúmplice de tantos intelectuais comprometidos com o progresso, que nem uma palavra de indignação exprimem contra a ditadura de Mugabe. Ou talvez nem deva admirar-me: conheço demasiado bem os manuais de indignação selectiva deste gente, que fala alto e se cala, alternadamente, consoante o quadrante geográfico ou a costela ideológica que estiverem em causa.[...]
Vêm-me à ideia os Fernando Rosas, as Ana Gomes, os Ruben de Carvalho, os Medeiros Ferreira e alguns outros sempre tão lestos a malhar na Europa e nos Estados Unidos.
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Anónimo
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04:56
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terça-feira, 24 de abril de 2007
Pacheco Pereira
09:29 (JPP)
Portugal continua com uma magnifica capacidade de fazer o tempo andar para trás.
No Abrupto. FMASP.
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Anónimo
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20:57
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The Dream of Scientific Brotherhood no NYRB
Sobre o livro de John Gribbin, The Fellowship: Gilbert, Bacon, Harvey, Wren, Newton, and the Story of a Scientific Revolution, Overllok, 2007, uma excelente recensão de Freeman Dyson no New York Review of Books.
Todos nós de uma forma ou outra fomos influenciados pelo debate do cientificismo [ou positivismo] que marcou as ciências socias na década de 50 e chegou à Europa uma década mais tarde marcando o crescendo do marxismo nos estudos sociológicos. A resposta ao obscurantismo evangélico foi a divinização da razão e do homem, enquanto centro da dinâmica de progresso do mundo. O homem é a medida de todas as coisas, professava-se. Tudo é possível conhecer, complementava-se. No fundo não há contrições morais para a apaixonante descoberta do inner-self e do mundo. O problema é que o homem não é um ser moralmente isento e a verdade não está poltrona à esquina da rua. A ler atentamente.
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Anónimo
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20:41
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Democratas fazem vida negra a Bush
"Congressional Democrats agreed Monday to ignore President Bush's veto threat and send him a $124 billion war spending bill that orders the administration to begin pulling troops out of Iraq by October 1," The New York Times reports. "The House and Senate are to vote on the agreement and send it to the White House by the end of the week, and Democrats expressed confidence that they could secure narrow approval. But even as they ironed out differences between House and Senate approaches to Iraq policy and cut some spending that has drawn Republican scorn, Democrats acknowledged that the bill would be rejected by the president."
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Anónimo
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20:36
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25 de Abril - um olhar cruzado
Tenho o privilégio (e pena) de não ter vivido nem o pré, nem o pós 25 de Abril. Quando nasci, a AD governava o país sob a tutela de Francisco Sá Carneiro. As primeiras memórias políticas que tenho remontam aos discursos de Ramalho Eanes na televisão a a preto e branco lá de casa. Achava engraçada a forma como começava os discursos: "Portugueses e Portuguesas". Cresci a olhar para o 25 de Abril como a manhã que irrompeu na longa noite escura do fascismo. A liberdade de expressão e a democracia multipartidária sempre foram encaradas pela minha geração como um dado adquirido, mesmo que ouvíssemos e lêssemos sobre como era antes do dia em que a "Grândola Vila Morena" sinalizava na telefonia o início de uma nova Era. Mais tarde, quando marchava nas ruas contra as Provas Globais e contra o cavaquismo, que já viva o seu Outono, um director de um jornal, que mais tarde vim a prezar muito, catalogava a geração em que, por motivos etários, me incluo de "Geração Rasca". Que valores eram aqueles defendidos pelos estudantes que mostravam o cú ao ministro e insultavam barbaramente a então Ministra da Educação, Manuela Ferreira Leite? "Não fizemos o 25 de Abril para isto", ouvia-se (e ouve-se). Ou "esta rapaziada devia era ter vivido antes do 25 de Abril para saber o que custa estar privado de liberdade". Sempre me incomodaram essas palavras. Por motivos óbvios. Tal como o discurso de certos guardiães das sete chaves do templo da liberdade, de Abril. Ao longe, a 11 mil quilómetros brindarei ao dia em que renasceu a esperança em Portugal. O desencanto de hoje com a democracia que foi construída nestes 33 anos devia dar lugar a novos horizontes. Não os dos "Amanhãs que Cantam" em cujo logro tantos caíram - à minha dimensão também por lá andei... Mas de um "Novo 25 de Abril", se me permitem o lugar-comum. O da cidadania, do Espaço Público, do fim do paroquialismo na visão que a classe política portuguesa tem da vida pública e da Democracia Social, Competitiva e Cosmopolita. Palavras bonitas leva-as o vento e a tal Gaivota que voava, voava, voava, voava...
Deixo-vos com palavras mais substanciais, escritas em 1983, por Gilles Lipovetsky, em "A Era do Vazio".
"A indiferença pura e a coabitação pós-moderna dos contrários caminham a par: não se vota, mas quer-se poder votar; não há interesse pelos programas políticos, mas faz-se questão da existência dos partidos; não se lêem jornais, nem livros, mas defende-se a liberdade de expressão. Como seria de outro modo, na era da comunicação, da super-escolha e do consumo generalizado?" (p.121).
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José Carlos Matias (馬天龍)
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11:29
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Pirataria no "Prós e Contras"
No programa semanal da RTP 1, “Prós e Contras” foi ontem discutida a acção da ASAE, organismo fiscalizador de actividades ilícitas, com especial destaque para a contrafacção, pirataria e segurança alimentar.
Numa unanimidade pouco usual neste tipo de debates, as associações empresarias, de comércio, serviços e restauração, foram unânimes em louvar actividade da ASAE, na defesa da economia portuguesa.
Fátima Campos Ferreira decidiu, no entanto, levar um convidado que quebrasse a unanimidade e se sujeitasse à figura de “Bobo”.
Encartado como advogado, a personagem sentiu-se no direito de criticar a “febre fiscalizadora do Estado que não nos deixa ser felizes”.
Esqueceu-se, coitado, que a contrafacção e a pirataria exercem um efeito nefasto nas empresas, na economia e na sociedade, mas também nos consumidores, em especial no que concerne à saúde e segurança pública.
Para se perceber um pouco a dimensão do problema, refira-se apenas que provocam a perda anual de mais de 100 mil postos de trabalho na União Europeia, ou que os sectores de actividade mais atingidos são a indústria audio visual ( 25%), os brinquedos ( 12%), perfumes ( 10%), e informática de “software” ( 46%). Por outro lado, estas actividades clandestinas representam entre 7 a 10% do comércio global, gerando prejuízos nas empresas da União Europeia que ascendem a cerca de três mil milhões de euros anuais
A Comissão Europeia elaborou um “Livro Verde” sobre esta matéria, onde conclui que o alvo dos infractores não se limita à contrafacção de produtos de luxo, como perfumes, vestuário, adereços, ou relógios, estendendo-se também “aos direitos de autor, registos fonográficos e videográficos, ao sector informático, ao mobiliário, biscoitos e baterias de cozinha”.
Assim, procurou no “Livro Verde” precisar os conceitos, englobando nestas actividades situações como “ fabrico, distribuição, detenção para fins comerciais, importação na Comunidade, ou exportação para países terceiros de mercadorias, produtos ou serviços que sejam objecto de uma violação de um direito de propriedade intelectual ( marca de fábrica ou de comércio, modelo industrial, patente de invenção, modelo de utilidade, indicação geográfica) direito de autor ou direito conexo ( direitos dos artistas, intérpretes ou executantes , direito dos proprietários de fonogramas , de filmes e de organismos de radiodifusão) ou, ainda, o direito do fabricante de uma base de dados”. Este conceito permite englobar na contrafacção não apenas os produtos copiados fraudulentamente, mas também produtos idênticos ao original fabricados sem o consentimento do titular do direito e serviços ligados ao desenvolvimento da sociedade de informação.
A Comissão Europeia aponta várias formas de combate a estas actividades, com destaque para a adopção de um “código penal comunitário” que puna a violação (deliberada) do direito de propriedade intelectual, com penas de prisão até quatro anos, e multas até 300 mil euros.
Se alguém lhe tivesse explicado tudo isto antes, talvez o homem tivesse recusado o convite...
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Carlos Oliveira
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10:36
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