domingo, 29 de abril de 2007

O país II - Público

Felgueiras: mulher atacada por cão em estado grave mas livre de perigo
A mulher que esta manhã ficou gravemente ferida depois de ser sido atacada por um cão de raça doberman na quinta onde trabalhava, em Felgueiras, mantém-se internada em estado grave, mas livre de perigo.

Que país é este?


sexta-feira, 27 de abril de 2007

A (in)coerência de Marques Mendes

Em relação ao dossiê Câmara de Lisboa, de que Carmona Rodrigues é apenas mais uma peça, é importante ver qual será a reacção de Marques Mendes. O mínimo que se lhe exige é que seja coerente. Ora como ainda na semana passada, quando Isaltino Morais foi constituído arguido, se apressou a exigir a sua demissão, já deveria ter feito o mesmo em relação a Carmona.
Coerência é, no entanto, algo que Marques Mendes não “usa”, por isso irá remeter-se ao silêncio.
O líder laranja está num dilema: ou exige a demissão do homem que ele próprio escolheu para a Câmara, arriscando-se a não ser ouvido, porque Carmona já anunciou que levará o seu mandato até ao fim, seja qual for a evolução do processo, ou assobia para o lado e faz de conta que não é nada com ele. Em ambos os casos, porém, não escapará ao descrédito perante os eleitores ( não me refiro aos militantes, claro, porque esses normalmente só pensam pela cabeça dos líderes), daí devendo tirar as ilações necessárias
A corrupção na edilidade lisboeta atingiu tal grau de promiscuidade que já não se consegue separar o trigo do joio. Os casos sucedem-se a um ritmo alucinante, muito por “culpa” de um homem de grande honestidade e coragem, chamado José de Sá Fernandes. Às vezes a esquerda atrapalha um bocado os interesses instalados no Bloco Central, denunciando escândalos, corrupção, etc E como atrapalha, alguns chama-lhe tralha! Outros acusam-na de ser imobilista, por insistir em aprofundar a verdade. Foi o que aconteceu com o Túnel do Marquês. Mas como seria aquela obra, se os problemas não tivessem sido levantados e corrigidos?
Acredito que Carmona, apesar de ser um teimoso incorrigível, seja um homem honesto; não é, certamente, um político hábil. Deixou-se enredar na teia de casos que os seus vereadores protagonizaram, não se precaveu em relação a Santana Lopes e agora está agarrado ao lugar como uma lapa. A abertura apressada do Túnel do Marquês ( que volta a encerrar esta noite) foi apenas mais um sinal de desespero de um técnico que desdenhou o Princípio de Peter

Fim de semana com Carré

Neste fim de semana alargado que hoje se inicia, recomendo vivamente a leitura do último livro de John Le Carré, “ O Canto da Missão” ( ed . D . Quixote).
Uma bem urdida história contada com uma pitada de humor, que é uma viagem ao mundo da hipocrisia ocidental, quando se trata de “resolver” os problemas do Terceiro Mundo. A trama centra-se no continente africano, mas poderia ser na Ásia ou na América Latina. Seja qual for o cenário, John Le Carré pretendeu chamar a atenção dos leitores para a forma como nasce e se desenvolve um terrorista.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Leituras de fim-de-semana


Algumas leituras para o fim-de-semana.

Carmona Rodrigues

Despacho da LUSA:
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues, foi notificado para ser ouvido pelo Ministério Público na qualidade de arguido, no âmbito do processo Bragaparques, disse hoje à agência Lusa fonte judicial.


Espero sinceramente que a montanha não pare um rato, o mesmo é dizer que o Ministério Público não faça, aqui, mais uma restolhada para daqui a dois anos o processo "rebentar" por falta de provas, má instrução, acusação inconsistente. Começo a estar farto de tanto desmazelo. Quanto a Carmona Rodrigues parece-me um bom técnico, um homem trabalhador e sério. Parece-me. Nestas coisas como na vida adoptei, há algum tempo, um pessimismo proficiente mas lúcido que me leva a não acreditar na bondade natural dos homens mas a desconfiar da fartura. Estou próximo de Thomas Hobbes e longe de Jean-Jacques Rousseau. Homo lupus homini.

Demagogias de Abril

O Governo quer pôr os funcionários públicos a denunciar actos de corrupção. O anúncio, feito com a demagogia usual, nem é novo, pois existe há muitos anos um “ Código de Boas Práticas” para o funcionalismo público.
O ministro Alberto Costa, putativo mentor da ideia, pretende distrair os portugueses com anúncios deste jaez, dando a ideia que pretende acabar com a corrupção na Função Pública, ao mesmo tempo que aproveita para denegrir, uma vez mais, a imagem dos funcionários públicos junto da opinião pública. Pelo meio, procura ressuscitar os métodos pidescos, aliciando os funcionários para serem denunciantes.
Importa realçar é a ineficácia da medida anunciada. Na verdade, sendo o funcionário obrigado a informar o seu superior hierárquico sobre um eventual acto de corrupção, estou mesmo a imaginar esta cena:
- “Bom dia, chefe!”.
- “Bom dia , que é que você quer ?”
- “Era só para lhe dizer que pretendo denunciá-lo por ter metido aqui o filho da sua amante, a trabalhar a recibo verde, e que ele anda a passear à noite em Cascais no carro do serviço que o sr. leva para casa todas as noites”.

- “Ah! Se é só isso não se preocupe. Amanhã vou divulgar a lista dos funcionários que vão para o quadro de disponíveis e não me vou esquecer de incluir o seu nome. Vá lá descansado que eu trato do assunto.”

O Túnel do Marquês

Carmona Rodrigues escolheu o 25 de Abril para inaugurar a mais polémica obra de Lisboa na última década. Com alguma estultícia, diga-se, porque o túnel vai voltar a fechar amanhã... O homem quis deixar a inauguração da obra de Santana Lopes ligada ao 25 de abril, vá lá saber-se porquê!
A inauguração teve algumas cenas patéticas, como a de Carmona Rodrigues a fugir dos jornalistas como o diabo da cruz, metendo-se à pressa na viatura oficial e dando “às de vila diogo”.
Para a História ficarão dois momentos ímpares: 12 mil pessoas a percorrerem o túnel a pé na primeira meia hora ( não percebi a febre desta gente que nunca larga o automóvel a querer percorrer dois quilómetros a pé, mas enfim...) e as largas dezenas de carros que se aglomeraram à entrada do túnel, para poderem dizer no dia seguinte aos amigos que estiveram entre os primeiros a atravessá-lo. Cenas provincianas que atestam que afinal, têm o Governo que merecem.