domingo, 6 de maio de 2007

Sarkozy président

Sarkozy ganha claramente a segunda volta das presidenciais e torna-se presidente de todos os franceses. As expectativas de governabilidade da França são imensas quanto os problemas que tem de afrontar. Desemprego, falta de produtividade, anemia económica, marginalidade "along ethnic lines" são algumas das questões que terá de pegar. Não há desculpas, porque os franceses deram-lhe claramente indicação que querem "the work done". O mais atlantista dos presidentes da França em décadas Sarkozy é a esperança do centro-direita para uma França mais aberta, mais competitiva que ilustre os seus pergaminhos como eixo que alavanca a Europa para a frente. De lamentar, os confrontos dos arruaceiros da extrema esquerda que não sabem conviver com a democracia e causaram pânico e destruição no centro de Paris. Espera-se mão pesada para quem cria desacatos. O Maio de 68 foi há 40 anos. Teve o seu papel de abanão da sociedade francesa mas este esgotou-se há muito. O refugo marxista tem que ser remetido aonde fica melhor: as prateleiras da história. Vive la France!

Reportagem no Le Monde e Le Figaro

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Que fazer com a vitória?

As sondagens são claras: Jardim será eleito no próximo domingo com uma maioria esmagadora. É altura para perguntar o que irá ele fazer com essa vitória.
O líder madeirense, que me faz evocar constantemente Saddam Hussein, não mata os adversários políticos , mas subjuga-os graças a um poder exercido de forma execrável, que os críticos de Fidel se apressam a criticar, mas teimosamente esquecem quando se fala de Jardim e da “sua” Madeira.
Numa campanha eivada de ilegalidades, Alberto João não se cansou de dirigir insultos aos adversários, de atropelar os princípios mais básicos e elementares do jogo democrático e de se servir dos dinheiros públicos para se entronizar no Poder. Tudo isto perante a cumplicidade do PSD!
Espero, sinceramente, que a maioria de Jardim seja de tal forma esmagadora, que o leve a continuar as suas afrontas ao Poder Central e a exigir a independência da Madeira.
Estou certo que se houvesse um referendo sobre o assunto, a maioria dos portugueses votaria a favor da independência da Madeira. Estamos todos cansados de pagar do nosso bolso as tonterias de um “tiranete” que se comporta como um "fora da lei".
Infelizmente, Jardim é suficientemente inteligente para não cair no erro de pedir a independência. Ele é como aqueles jovens que estão habituados a receber dos pais generosas “semanadas” , que gastam em noites de bebedeiras irresponsáveis, mas são incapazes de fazer qualquer coisa para prescindirem do generoso subsídio paternal.
No meu tempo, este género de gente tinha um nome. Agora apelidam-se educadamente de “parasitas”.
Por isso é inadmissível que Cavaco Silva tenha reagido com o “lavar de mãos de Pilatos”. Resta esperar que as autoridades nacionais, cumpram a sau obrigação...

O Dia dos "tiranetes"

Se no próximo domingo se confirmar a eleição de Sarkozy como futuro Presidente da França, o dia 6 de Maio pode ficar conotado como o “Dia dos “tiranetes”. Nesse dia decorrerá na Madeira o “plebiscito” a Jardim, uma encenação medíocre de eleições pautadas pelo repúdio das mais elementares regras democráticas.
Duas eleições a ensombrar o "Dia da Mãe" que nesse dia se comemora por ( quase) toda a Europa.

Os independentes e o "Princípio de Peter"

Tal como aqui previra quando se começou a “ronronar” acerca da sua condição de arguido, Carmona Rodrigues “assobiou para o ar” quando Marques Mendes exigiu a sua demissão e procura manter-se, agarrado como uma lapa, ao cargo que o líder do PSD lhe ofereceu de bandeja.
Nos últimos tempos tenho-me lembrado, insistentemente, de uma frase de Jorge Coelho que muitos consideraram “assassina: “Estes independentes são um perigo. São muito imprevisíveis!”.
Independentemente do que venha a acontecer nos próximos dias ( ou talvez apenas horas), os últimos acontecimentos têm demonstrado a validade daquela frase.
Chegou a altura ( como ontem muito bem referiu Paulo Rangel no “Debate da Nação da RTP1) de os Partidos equacionarem o papel dos independentes e o seu protagonismo na vida político-partidária. Talvez o PSD, ao contrário do PS, tenha aprendido a lição. O protagonismo de personalidades independentes pode ser bem mais perigoso para a Democracia, do que pessoas que, embora discordando das posições do líder, estejam engajadas a um Partido.
O jogo político não se compagina com a procura de protagonismo que os independentes perseguem. Chegou a altura de os líderes partidários perceberem o que os independentes teimosamente ignoram: a validade do Princípio de Peter

quinta-feira, 3 de maio de 2007

O congresso do Partido Comunista Chinês

Escrevo aqui sobre o congresso de Outubro do Partido Comunista Chinês. A segunda parte segue numa próxima semana.

Ainda as leis antitabagistas

Fiquei escandalizado e furioso com o que ouvi na RDP via Rádio Macau quanto às grandes linhas do projecto de lei antitabagista. Subscrevo na íntegra as observações do meu amigo Carlos Oliveira que me parecem avisadas e oportunas, bizando as suas críticas ao desnorte do legislador. Não me parece que toque nisso mas ouvi [posso ter percebido mal] que a lei impõe ao comerciante a obrigação de denunciar às autoridades os fumadores que frequentem o seu estabelecimento. Não conheço nenhuma lei em nenhum país civilizado que incremente, apoie e instingue a denúncia avulsa e má conselheira. Não se percebe o sentido na norma e não estou a ver os comerciantes a quebrarem a relação de confiança que têm com os seus clientes.
Vivo há 13 anos [em acumulado] na Ásia e convivo bem, com as regras antitabagistas que são praticadas aqui com absoluta tranquilidade. Nada de tabaco nos transportes públicos, nas casas de espectáculos, zona para fumadores e para não fumadores bem distinguida em qualquer restaurante de média dimensão. Assim quando me oferecem a alternativa escolho conscientemente. E assumo os riscos da minha decisão. A minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro. É um princípio basilar da convivência e normalidade democrática. Que devemos aos liberais, não aos socialistas, é bom recordar.
A lei que nos querem impor é bem a lógica da igualitarização pura e dura ao desanque do cacete. Porrada nos que ousam fumar! Já agora porque não perseguir as pessoas em casa a ver se fumam aí?

Ségolène não soube ganhar o debate...

Vi, em diferido, o debate entre Sarkozy e Ségolène Royal e fiquei com a ideia de que Ségolène perdeu uma excelente oportunidade para vencer a segunda volta das presidenciais francesas. Recorrendo à imagem futebolística, diria que falhou “de baliza aberta” e isso irá custar-lhe o lugar no Eliseu.
O debate foi equilibrado, é verdade, mas em determinados momentos Ségolène parecia ir adquirir vantagem, graças aos deslizes de Sarkozy. Aconteceu quando foram discutidas as políticas sociais, o futuro da Europa ou o desemprego, por exemplo, mas Ségolène nunca conseguiu desferir o “golpe” final que lhe permitiria derrotar o adversário.
Como já aqui referi na primeira volta, Ségolène é vaga, evasiva e pouco consistente na defesa das suas propostas e foram essas deficiências que a impediram de ganhar um debate que esteve perfeitamente ao seu alcance.
Ao contrário, Sarkozy conseguiu sair praticamente incólume de posições desfavoráveis, graças a um discurso sereno e à forma hábil como explorou as fragilidades do discurso de Ségolène. Em determinados momentos chegou mesmo a ser “cínico” na forma como obrigou a candidata socialista a expôr-se!
Conclusão: a 6 de Maio, Sarkozy irá celebrar a vitória, mas a os franceses e a União Europeia terão um “caso bicudo” para resolver. E ninguém duvide que em Portugal vamos sentir os “estilhaços”...
Aguardemos, entretanto, as cenas dos próximos capítulos, que serão as eleições legislativas.

O elogio da estupidez

Já fui fumador inveterado, seduzido por uma publicidade que me convencia que ser fumador era sinónimo de “sucesso”.
Hoje sou um fumador ocasional que tem respeito por quem encontra no tabaco uma forma de escape para as tensões do dia a dia.
Respeito igualmente, como sempre o fiz, os não fumadores que não querem ser obrigados a engolir o fumo dos outros.
Não compreendo, porém a fúria anti-tabágica que de forma hipócrita vai atacando o “modus vivendi” de muitos ocidentais. Sempre fui contra os fundamentalismos, por isso não posso estar de acordo com a Lei anti-tabágica hoje apresentada no Parlamento.
A Lei anti-tabágica é persecutória, fundamentalista, pidesca e um hino à estupidez. Não tanto pelo conteúdo, mas sobretudo pela forma. Demonstra, à saciedade, que quem produz leis neste país que cada vez mais se parece com o “Cabaret da Coxa”,está a milhas de distância do País real. Se o legislador tivesse um pouco de bom senso, bastar-lhe-ia ter “copiado” o modelo espanhol em vez de esboroar os seus esforços na cópia da legislação americana ou irlandesa.
Quando uma lei anti-tabágica padece de cegueira social, ao fixar normas rígidas para estabelecimentos comerciais como restaurantes , bares e discotecas, sem permitir aos seus proprietários ter uma palavra sobre o assunto; prevê multas para os fumadores que chegam a atingir o quádruplo das multas aplicadas a um consumidor de drogas; ignora a informação e prevenção; apela à delacção ( falta atribuir uma comissãozita ao delator, para ser perfeito) só me apetece perguntar: Quem me indemniza pelo facto de o Estado ter permitido a publicidade desregrada ao tabaco - chegando mesmo a incentivá-la e dela ter beneficiado- contribuindo assim para que eu me tornasse um fumador?
A aprovação de uma lei fundamentalista não pode deixar de ser baseada na hipocrisia. Tão preocupado com o consumo do tabaco(cuja venda só será permitida a partir dos 18 anos), o Estado continua a permitir a venda de bebidas alcoólicas a crianças com 16 anos, a fingir que não sabe que existem dezenas de discotecas neste País onde crianças entre os 10 e os 14 anos consomem álcool, Ecstasy e drogas leves. Porque não age o Estado sobre os infractores e os seus promotores ( proprietários dos espaços) é que ninguém percebe!
Sou a favor de uma lei anti-tabágica, mas não tolero a insensatez de legisladores encartados que pugnam arduamente por ficar na História, sem cuidar de saber ( ou pelo menos perceber) que a estupidez é adversária do progresso e a cegueira social inimiga do bom senso.