terça-feira, 8 de maio de 2007

Fukuyama e o diálogo inter-civilizacional [Adriano Moreira]

Adriano Moreira escreve e bem no DN - "As lições da experiência" - sobre Fukuyama e a crítica que este dirige em "Depois dos Neo-conservadores" à deriva da política externa americana sob direcção republicana. Mas confesso que quando li o texto de AM fiquei com uma dúvida de fundo sobre o diálogo inter-civilizacional. Só dialoga quem o quer e achar que vale a pena. Tenho sobresaltadas dúvidas se a outra parte [o Islão] quer verdadeiramente dialogar, ou apenas ganhar tempo. AM acha bem no fundo que há uma superioridade moral e teológica do cristianismo e este pode condescender "abrindo o jogo" com outras religiões. O problema é que as outras acham que nada têm a ganhar com este concerto religioso. E por uma razão simples que não sei como se dá a volta: é que qualquer das religiões é exclusivista, no sentido que acredita que só ela personifica a relação "verdadeira" com o divino e só os seus seguidores são os "eleitos" de Deus. Mas fala um laico...

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Grunhideiros

[...] São gente do género do nosso Boaventura de Sousa Santos, um académico que equipara a astrologia à ciência, e que considera Chávez, Morales & Cia. a "vanguarda da reinvenção do Estado, da democracia e da esquerda".

Alberto Gonçalves no Diário de Notícias
Continuo a preferir a qualificação do grande Vargas LLosa numa crónica corrosiva que corre mundo: os idiotas e os amigos dos idiotas. Não esqueçam de juntar a Boaventura Sousa Santos, José Saramago, Varela Gomes, Urbano Tavares Rodrigues, Alexandre Babo entre outros.

Repassando

Repassando a chamada de atenção do Paulo Gorjão [Bloguitica] não deixem de ir visitando o Geração 60, um novo blog da "fornada" de 60. Fico curioso e atento pelo seu contributo para o debate intelectual. É recorrente a ideia que o contexto intelectual desta geração que nasceu depois do 25 de Abril e não tem qualquer memória do regime autoritário é básico, tipo pastilha elástica. Vamos a ver.

Ainda Sarkozy

A França muda e com ela os franceses para além da habitual linha divisória esquerda multicultural-direita xenófoba e branca. O que estas eleições tiraram a limpo é que os habituais compagnon de route dos socialistas valem zero em termos eleitorais: trotskistas, maoistas, libertários, socialistas revolucionários, anarquistas e quejandos. Como escrevia há algum tempo o meu amigo João Carlos Espada vamos a ver se se começa a limpar as paredes das universidades públicas das palavras de ordem, panfletos e pichagens desses idiotas do radicalismo enfant gatée e se esta gente se faz à vida. É que já não há emprego para todos e para toda a vida.

domingo, 6 de maio de 2007

O "caso" Licínio Bastos

O episódio Licínio Bastos, o português residente no Brasil envolvido na compra de sentenças judiciais e decisões políticas para beneficiar casas de bingo e de máquinas de jogo e azar, bem como grande financiador do Partido Socialista no Brasil é daqueles casos caricatos de promiscuidade entre a actividade criminosa e a vida partidária. Não se percebe que alguém com estas características possa ser, com o aplauso da direcção nacional, o "financiador"do PS num círculo extra-Europa. A questão que se coloca é se não será também financiador do PS nacional. O secretário de estado das comunidades, personalidade "brilhantissima" que tive a oportunidade de ver numa recente visita a Macau, meteu os pés pelas mãos sobre se havia ou não recebido por mais de uma vez o "ilustrissimo" figurante. Seria importante que o PS esclarecesse esta baralhada. Não basta atirar setas em relação ao PSD mas ser coerente com quem prega moral. Marques Mendes fez-se a sua limpeza de casa e foi corente com o que se propôs.
Afirma-se por aí que Licínio Bastos é um homem de confiança de Laurentino Dias, o secretário de estado dos desportos. Privei com o Laurentino entre 1999 e 2000 no mestrado de ciência política na Universidade Católica e tenho a ideia dele de um homem sério e honesto. Vamos a ver se também por aí não vem restolhada.

Sarkozy président

Sarkozy ganha claramente a segunda volta das presidenciais e torna-se presidente de todos os franceses. As expectativas de governabilidade da França são imensas quanto os problemas que tem de afrontar. Desemprego, falta de produtividade, anemia económica, marginalidade "along ethnic lines" são algumas das questões que terá de pegar. Não há desculpas, porque os franceses deram-lhe claramente indicação que querem "the work done". O mais atlantista dos presidentes da França em décadas Sarkozy é a esperança do centro-direita para uma França mais aberta, mais competitiva que ilustre os seus pergaminhos como eixo que alavanca a Europa para a frente. De lamentar, os confrontos dos arruaceiros da extrema esquerda que não sabem conviver com a democracia e causaram pânico e destruição no centro de Paris. Espera-se mão pesada para quem cria desacatos. O Maio de 68 foi há 40 anos. Teve o seu papel de abanão da sociedade francesa mas este esgotou-se há muito. O refugo marxista tem que ser remetido aonde fica melhor: as prateleiras da história. Vive la France!

Reportagem no Le Monde e Le Figaro

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Que fazer com a vitória?

As sondagens são claras: Jardim será eleito no próximo domingo com uma maioria esmagadora. É altura para perguntar o que irá ele fazer com essa vitória.
O líder madeirense, que me faz evocar constantemente Saddam Hussein, não mata os adversários políticos , mas subjuga-os graças a um poder exercido de forma execrável, que os críticos de Fidel se apressam a criticar, mas teimosamente esquecem quando se fala de Jardim e da “sua” Madeira.
Numa campanha eivada de ilegalidades, Alberto João não se cansou de dirigir insultos aos adversários, de atropelar os princípios mais básicos e elementares do jogo democrático e de se servir dos dinheiros públicos para se entronizar no Poder. Tudo isto perante a cumplicidade do PSD!
Espero, sinceramente, que a maioria de Jardim seja de tal forma esmagadora, que o leve a continuar as suas afrontas ao Poder Central e a exigir a independência da Madeira.
Estou certo que se houvesse um referendo sobre o assunto, a maioria dos portugueses votaria a favor da independência da Madeira. Estamos todos cansados de pagar do nosso bolso as tonterias de um “tiranete” que se comporta como um "fora da lei".
Infelizmente, Jardim é suficientemente inteligente para não cair no erro de pedir a independência. Ele é como aqueles jovens que estão habituados a receber dos pais generosas “semanadas” , que gastam em noites de bebedeiras irresponsáveis, mas são incapazes de fazer qualquer coisa para prescindirem do generoso subsídio paternal.
No meu tempo, este género de gente tinha um nome. Agora apelidam-se educadamente de “parasitas”.
Por isso é inadmissível que Cavaco Silva tenha reagido com o “lavar de mãos de Pilatos”. Resta esperar que as autoridades nacionais, cumpram a sau obrigação...

O Dia dos "tiranetes"

Se no próximo domingo se confirmar a eleição de Sarkozy como futuro Presidente da França, o dia 6 de Maio pode ficar conotado como o “Dia dos “tiranetes”. Nesse dia decorrerá na Madeira o “plebiscito” a Jardim, uma encenação medíocre de eleições pautadas pelo repúdio das mais elementares regras democráticas.
Duas eleições a ensombrar o "Dia da Mãe" que nesse dia se comemora por ( quase) toda a Europa.