quarta-feira, 9 de maio de 2007

O diálogo inter-civilizacional

A propósito do texto de Adrano Moreira no Diário de Notícias e do post do Arnaldo, lembrei-me desta passagem em Identity and Violence de Amartya Sen:

"There are two distinct difficulties with the theory of civilization clash. The first, which is perhaps more fundamental, relates to the viability of classifying people according to civilizations to which they allegedly "belong". This question arises well before problems with the view that people thus classified into cartons of civilizations must be somehow antagonistic (...) Underlying the thesis of a civilization clash lies a much more general idea of the possibility of seeing people primarily as belonging to one civilization or another. The relations between different persons in the world can be seen, in this reductionist approach, as relations between the respective civilizations to which they allegedly belong (...) Indeed even the opponents of the theory of a civilization clash can, in effect, contribute to propping up its intellectual foundation if they begin by accepting the same singular classification of the world population".(pp. 40-41)

terça-feira, 8 de maio de 2007

FATWA

Um grupo islâmico do Iraque lançou recentemente uma fatwa [édito religioso] contra os cristãos assírios [uma minoria iraquiana] residentes no subúrbio de Dora em Bagdade. A mensagem era simples: convertam-se ao Islão en 24 horas ou serão mortos. Ao mesmo tempo os vizinhos muçulmanos eram industriados, através do altifalantes das mesquitas locais a confiscar a propriedade dos cristãos e a levar à prática a fatwa. Conta Paul Isaac no International Herald Tribune, hoje.

Se esta onda pegasse na Europa e aos muçulmanos fosse exigido converterem-se ao cristianismo ou sairem da Europa o que não diriam os jornais, cadeias de televisão, intelectuais e associações muçulmanas por esse mundo fora? Vai uma aposta, a propósito? Querem apostar que não se levantará uma única voz dos amigalhaços da esquerda destes "lutadores da liberdade" contra esta perseguição dos cristãos assírios? No fundo eles acham que é preciso exterminar esses cristãos para tudo estar multiculturalmente correcto. Porque nisto como no resto estas mentes brilhantes acham quanto pior melhor. Mais que uma questão de opinião é um problema de estupidez e cobardia. Porque não se alistam na Al Qaeda? Seriam mais coerentes.

Timor-Leste está a votos

Timor está sob escrutínio na segunda volta das presidenciais que ditarão a escolha entre Ramos Horta, o MNE da RTL e Francisco Guterres "Lu Olo" da Fretilin para presidente de Timor. Trata-se de uma eleição estranha em que os verdadeiros protagonistas políticos se escondem na sombra, por detrás do "seu" candidato: Xanana de Gusmão e Mári Alkatiri. Trata-se de uma escolha bifásica uma vez que seja qual for o presidente escolhido, Timor terá que ir outra vez a votos para escolher o seu governo. Aí o embate será provavelmente entre os dois actores principais Xanana e Alkatiri.
Escrevi, por várias vezes, nos jornais onde faço comentário político que o problema de Timor tem sido a incapacidade de uma geração assumir as suas responsabilidades e ser digna do povo, que fez passar enormes sacrifícios. A escolha da liberdade é sempre prolixa nas consequências. A resistência política é um combate árduo e difícil mas ser governante é ainda mais difícil. A história está cheia de casos de revolucionários que após derrubarem regimes autocráticos tornaram-se piores que os tiranos que os governaram [Lenine, Castro, Mugabe, etc]. A responsabilidade destes cinquentões de Timor é enorme e não permite tergiversações.
Como outsider preferia, certamente, Ramos Horta, apesar dos seus defeitos. Lu Olo é alguém que não tem perfil nem tracking politico para desempenhar um lugar desta importância. Mas serão os timorenses a fazer a sua escolha [e a arcar com as suas consequências].

Fukuyama e o diálogo inter-civilizacional [Adriano Moreira]

Adriano Moreira escreve e bem no DN - "As lições da experiência" - sobre Fukuyama e a crítica que este dirige em "Depois dos Neo-conservadores" à deriva da política externa americana sob direcção republicana. Mas confesso que quando li o texto de AM fiquei com uma dúvida de fundo sobre o diálogo inter-civilizacional. Só dialoga quem o quer e achar que vale a pena. Tenho sobresaltadas dúvidas se a outra parte [o Islão] quer verdadeiramente dialogar, ou apenas ganhar tempo. AM acha bem no fundo que há uma superioridade moral e teológica do cristianismo e este pode condescender "abrindo o jogo" com outras religiões. O problema é que as outras acham que nada têm a ganhar com este concerto religioso. E por uma razão simples que não sei como se dá a volta: é que qualquer das religiões é exclusivista, no sentido que acredita que só ela personifica a relação "verdadeira" com o divino e só os seus seguidores são os "eleitos" de Deus. Mas fala um laico...

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Grunhideiros

[...] São gente do género do nosso Boaventura de Sousa Santos, um académico que equipara a astrologia à ciência, e que considera Chávez, Morales & Cia. a "vanguarda da reinvenção do Estado, da democracia e da esquerda".

Alberto Gonçalves no Diário de Notícias
Continuo a preferir a qualificação do grande Vargas LLosa numa crónica corrosiva que corre mundo: os idiotas e os amigos dos idiotas. Não esqueçam de juntar a Boaventura Sousa Santos, José Saramago, Varela Gomes, Urbano Tavares Rodrigues, Alexandre Babo entre outros.

Repassando

Repassando a chamada de atenção do Paulo Gorjão [Bloguitica] não deixem de ir visitando o Geração 60, um novo blog da "fornada" de 60. Fico curioso e atento pelo seu contributo para o debate intelectual. É recorrente a ideia que o contexto intelectual desta geração que nasceu depois do 25 de Abril e não tem qualquer memória do regime autoritário é básico, tipo pastilha elástica. Vamos a ver.

Ainda Sarkozy

A França muda e com ela os franceses para além da habitual linha divisória esquerda multicultural-direita xenófoba e branca. O que estas eleições tiraram a limpo é que os habituais compagnon de route dos socialistas valem zero em termos eleitorais: trotskistas, maoistas, libertários, socialistas revolucionários, anarquistas e quejandos. Como escrevia há algum tempo o meu amigo João Carlos Espada vamos a ver se se começa a limpar as paredes das universidades públicas das palavras de ordem, panfletos e pichagens desses idiotas do radicalismo enfant gatée e se esta gente se faz à vida. É que já não há emprego para todos e para toda a vida.

domingo, 6 de maio de 2007

O "caso" Licínio Bastos

O episódio Licínio Bastos, o português residente no Brasil envolvido na compra de sentenças judiciais e decisões políticas para beneficiar casas de bingo e de máquinas de jogo e azar, bem como grande financiador do Partido Socialista no Brasil é daqueles casos caricatos de promiscuidade entre a actividade criminosa e a vida partidária. Não se percebe que alguém com estas características possa ser, com o aplauso da direcção nacional, o "financiador"do PS num círculo extra-Europa. A questão que se coloca é se não será também financiador do PS nacional. O secretário de estado das comunidades, personalidade "brilhantissima" que tive a oportunidade de ver numa recente visita a Macau, meteu os pés pelas mãos sobre se havia ou não recebido por mais de uma vez o "ilustrissimo" figurante. Seria importante que o PS esclarecesse esta baralhada. Não basta atirar setas em relação ao PSD mas ser coerente com quem prega moral. Marques Mendes fez-se a sua limpeza de casa e foi corente com o que se propôs.
Afirma-se por aí que Licínio Bastos é um homem de confiança de Laurentino Dias, o secretário de estado dos desportos. Privei com o Laurentino entre 1999 e 2000 no mestrado de ciência política na Universidade Católica e tenho a ideia dele de um homem sério e honesto. Vamos a ver se também por aí não vem restolhada.