quarta-feira, 23 de maio de 2007

Bico calado! Deixem respirar o esgoto...

Quando Paulo Rangel, no seu discurso do 25 de Abril, falou de “claustrofobia democrática” algumas mentes mostraram-se escandalizadas e outras deixaram escapar um sorriso de condescendente complacência para tamanha aleivosia.
O deputado do PSD ( agora com o mandato suspenso) sabia, no entanto, do que estava a falar. Talvez até já previsse o escabroso episódio ocorrido na Direcção Regional de Educação do Norte, onde um professor foi suspenso pelo facto de, no seu gabinete, ter feito uma referência jocosa e bem humorada acerca da licenciatura de Sócrates. O desditoso docente não faria a menor ideia que entre os seus colegas e amigos estaria um lídimo representante da nova PIDE, ou que a instalação de microfones escondidos em serviços da Administração Pública fosse possível no Portugal democrático. Enganou-se!
Não sabe quem foi o “bufo”, nem se a admiração do PM pelas virtudes das novas tecnologias radica na capacidade de denunciarem os que ousam emitir uma opinião que possa beliscar o “Grande Chefe”.
Depois de ter vivido as agruras do Estado Novo e ter “experimentado” o sectarismo dos comunistas, acreditei, durante muitos anos, que a Democracia era o modelo social da justiça e da tolerância. O que eu não esperava era que a Democracia pudesse ter ao seu serviço uma legião de Condes de Abranhos tão zelosos de agradar ao Chefe, que directamente, ou através de tecnologias sofisticadas, fossem capazes da mais torpe e aviltante prática que um ser humano pode exibir: a denúncia!
Pior do que isso, só mesmo dirigentes que a instigam e dela se aproveitam para atingir os seus fins.
Pior do que isso é uma Reforma da Administração Pública que visa essencialmente partidarizar o Estado e colocar nos lugares de topo militantes partidários sem qualquer estofo moral, qualidades humanas e desconhecedores dos princípios fundamentais da Ética.
Portugal já não é um País... é um esgoto!

Retrato de um país doente

Tenho uma relação dúbia com a Estatística. Usufruo dela para o meu trabalho, mas tenho frequentemente relutância em acreditar nos resultados que me apresenta.
Foi com esta mescla de sentimentos que ontem li os resultados de um inquérito que revela que “os portugueses não querem mais tempo para a família”. De acordo com o estudo realizado pala União Europeia , só um em cada sete portugueses empregados e com pelo menos um filho, reclama mais tempo para estar com a família. Ou seja, entre todos os parceiros europeus, os portugueses são os que demonstram estar mais satisfeitos com o tempo que lhes é disponibilizado para apoiar os familiares.
Dei- me ao trabalho de cruzar estes dados com um estudo realizado há dois anos, que concluía que os jovens portugueses são aqueles que estão menos tempo com os pais e mais se queixam da pouca disponibilidade que eles revelam para os “aturar”. Analisei, ainda, diversas legislações de países europeus sobre “Apoio à Família” e creio ter chegado a uma triste conclusão:apesar de os portugueses não serem dos mais favorecidos no concernente ao “Apoio Familiar”, a razão da sua satisfação deve estar na sua capacidade de desenrascanço. Senão, vejamos: nos três primeiros meses deste ano, foram detectados 15 mil baixas fraudulentas de longa duração( traduzido por outras palavras: 15 mil almas apresentaram, nos três primeiros meses do ano, atestados médicos que os inacapacitavam para trabalhar, por períodos superiores a 30 dias, apesar de não estarem doentes e em muitos casos desempenhar emoutras actividades profissionais como gerir os seus próprios negócios).
Estes parasitas que não se coíbem de onerar os seus compatriotas com baixas fraudulentas, certamente que não se preocuparão em exigir mais essa “benesse”, pois já lhes chega estarem a receber do Estado sem terem que trabalhar.
Se acrescentarmos a estes dados, os sucessivos pedidos de dispensa para consultas médicas próprias, acompanhamento do cônjuge, do filho, da sogra , do cão e do gato, leviana e alegremente autorizadas, chegaremos à conclusão de que realmente os portugueses não se podem queixar de falta de tempo para “apoio à família”.
Mas estes dados também demonstram que os portugueses são sornas, pouco produtivos e vivem numa espécie de “faz de conta” que os leva a acreditar que trabalham. Na verdade, apenas têm um emprego onde são pouco produtivos, preguiçosos e relaxados.
E assim se explica, em parte, porque Portugal está em vias de se deixar ultrapassar por países como a Eslovénia, a Estónia ou a República Checa, sendo relegado para um pouco auspicioso 20ª lugar no “ranking” da União Europeia.
O mais preocupante, é que tudo isto revela um País doente, minado nas suas entranhas, por um tecido social muito pouco saudável que ameaça destruí-lo.
Haverá solução? Eu ainda acredito. E vocês?

terça-feira, 22 de maio de 2007

Un socialiste au pouvoir en France

Bernard Kouchner lança a consternação nas fileiras socialistas ao aceitar um lugar de destaque no governo de Sakorzy. O incidente [mais que a metade do governo constituído por mulheres ou a lindissima porta-voz do governo, de ascendência árabe] tem lançado a polverosa nos jornais franceses. O tema é riquissimo em ilacções mas é mais profundo do que [o] saltar de bancada.
Por onde passa a linha divisória entre a ala liberal do partido socialista e os liberais acantonados na UMP? Se calhar não existe. Os princípios programáticos são os mesmos; a massa dos apoiantes a mesma. É um problema apenas de Sporting ou Benfica. O problema da França [e de Portugal, também] é que a estruturação partidária existente já não faz qualquer sentido. É um rebuço da reconstrução europeia depois da Segunda Guerra Mundial que já prescreveu. Falta à França [como a Portugal] um forte partido liberal que faça a diferença e aglutine todo este espaço político do centro. Defendo-o há 7 ou 8 anos embora creia que morrerei sem o ver realizado.

Política de emigração...

... nos Estados Unidos. É um debate central à pre-campanha presidencial e algo que divide, claramente, as opiniões. Sou sensível ao argumento que os Estados Unidos são, em percentagem da população o país que mais recebe emigrantes [e os integra] no mundo. Faz sentido um rateio do número de emigrantes. Por um principio claro: os recursos não são inesgotáveis; não há, nem faz sentido, um direito automático à residência e, a prazo, à nacionalidade. Por outro não creio que as democracias devam enterrar a cabeça na areia e fazer de conta que não existe este problema de exclusão. Estas comunidades devem ser integradas não colocadas à margem do prato dos benefícios sociais. Regra fundamental: compartilharem dos custos de cidadania.
Sobre o tema as leituras circunstaciandas do CATO Institute aqui e aqui.
PS. Também um excelente artigo de David Brooks no International Herald Tribune, hoje.

É preciso salvar a imprensa de qualidade

O alerta é de Jurgen Habermas, o flamboyant lider da escola de Frankfurt, segunda-feira no Le Monde.
O tema é central ao debate político e tem a ver com o compromisso terrível de tornar viável uma indústria e fazê-la cumprir o papel formativo e informativo que lhe cabe. Não creio que a saída seja a publicização dos jornais e periódicos. Essa via dá sempre asneira mas tallvez fazer os grupos multimedia cumprir certos critérios de qualidade. Como isso é compatível com o princípio da livre concorrência dentro do mercado comum europeu, isso é que eu não sei.

Postais de Santiago 2- Al Gore e a "cassette" pirata

Al Gore continua a sua cruzada ambientalista. A semana passada foi a vez de estar em Santiago , para proferir mais uma conferência. Não trouxe nada de novo ao seu discurso, limitando-se a repisar, como já fizera em Lisboa, as ideias que expressa no filme "Uma verdade Inconveniente" que lhe valeu um Óscar. Por essa razão, há já quem o acuse de estar sempre a desbobinar a mesma “cassette”.
Poderão ter alguma razão os críticos, mas a verdade é que a mensagem de Al Gore está a despertar uma maior consciencialização das populações e dos governos para os problemas ambientais, que nunca ninguém antes almejara. Al Gore arrastou outros nomes famosos como Leonardo Di Caprio ( excelente o seu documentário ambientalista exibido este fim de semana em Cannes) para a causa ambientalista, dando assim mais visibilidade a uma questão cuja importância apenas quem tem cifrões nos lugares dos olhos não consegue perceber.
Só por isso, Al Gore merecerá o reconhecimento do mundo inteiro. A sua actuação, apesar de algumas contradições patentes nas suas práticas, vai inelutavelmente reservar-lhe um papel na história da humanidade, pois já fez mais para salvar o mundo do que os Tony Blair e Bush deste Planeta. Embora sejam muito apreciados pela nova direita pela sua “sagacidade” na reabilitação do capitalismo selvagem, B&B ficarão para sempre ligados à história como os principais responsáveis pelo ressurgimento dos movimentos anti-terroristas que granjearam simpatias em todo o mundo, graças às suas políticas bélicas, assentes num rol de mentiras baseadas em provas forjadas que apenas visaram a satisfação dos seus desígnios pessoais.

Postais de Santiago 1- A morte do Enéas

No quarto do hotel , evitando sucumbir aos efeitos do “jet lag”, ligo a televisão efaço“zapping”, à procura de notícias que me tragam informações acerca dos resultados das eleições francesas. Detenho-me num canal brasileiro que anuncia a morte de ENÉAS Carneiro
Para os menos familiarizados com a política latino-americana, esclareço que ENÉAS era um anónimo cidadão brasileiro que, cansado dos políticos do “sistema,” criou o PRONA ( Partido da Reedificação da Ordem Nacional) e decidiu candidatar-se a Presidente Congresso em 1994. Os seus tempos de antena ( que nos últimos anos têm circulado na internet com grande sucesso) reduziam-se a pouco mais de um minuto, ( o tempo que por lei lhe era concedido gratuitamente) mas aproveitava-os tão bem, que rapidamente ficou conhecido em todo o Brasil, tendo alcançado o terceiro lugar atrás de Fernando Henrique Cardoso e de Lula.
Enéas “ o maluco” que se insurgia contra a “escumalha” governante, ainda com mais vigor do que o imigrante Sarkozy em França demonstrava contra os imigrantes seu conterrâneos, ficou conhecido pelas suas ideias excêntricas, cujo exemplo mais marcante talvez seja o de defender a bomba atómica para fins pacíficos.
Eleito em 2002 deputado pelo estado de S. Paulo, com mais de milhão e meio de votos ( a maior votação alguma vez alcançada por um candidato, em toda a história do Brasil...) Enéas pôs em polvorosa o “establishment” político que logo pretendeu alterar a Lei Eleitoral, no intuito de evitar o aparecimento na cena política de outros exemplares que pusessem em causa o “sistema”. Não foi preciso... Enéas morreu no dia 6 de Maio vítima de leucemia, deixando em paz e sossego os “donos da bola” da política brasileira. Os seus vídeos, porém, continuarão a percorrer o mundo através da Internet.

A pedido de várias "famílias".....

....vai aqui a segunda parte do artigo sobre o Congresso do Partido Comunista Chinês. Se se pensar que em cada cinco habitantes do planeta um é chinês talvez se perceba melhor a transcedência do que se passará ali.