domingo, 27 de maio de 2007

Acuso-me...

....Pergunto o que nos aconteceu e acuso-me e aos meus amigos. A nossa coragem nós emprestámo-la à ideologia e foi esta que nos matou - a alguns, fisicamente, naquele dia; a todos, por nos ter cegado. De nós, que tanto falávamos do futuro, não me lembro de nos ouvir falar da vida real. E, no entanto, o Juca devia ter sido o engenheiro que Angola precisa, o Neto seria o professor que ia dentro dele, o Zé, o chefe do que quer que seja, natural nele, tão superior, elegante e inteligente... Mas falhámos tudo e não foi só naquele dia.

Ferreira Fernandes no DN.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Sá Fernandes

Este cromo suscitou um incidente jurídico com a construção do túnel do Marquês que causou paralização nas obras e um prejuízo orçado em vários milhões de euros. Escudando-se atrás da imunidade de autarca, Sá Fernandes espera não ser responsabilizado pelos prejuízos que causou à edilidade e à cidade. O que é mais grave é que as indemnizações devidas ao empreiteiro terão que ser pagas. Não cabendo responsabilidade ao Estado, só vejo a Câmara poder ser demandada pelo facto. Se a Câmara constrói o seu orçamento à base das taxas cobradas aos municípes, só vejo uma saída, os municípes irão pagar do seu bolso a litigância de má fé do Dr. Sá Fernandes. Moral da história: espero que nas eleições antecipadas os co-munícipes tirem as devidas conclusões e empurrem o causídico para o destino indispensável: a inutilidade.

Romeu Francês

Segundo vejo no CM, Romeu Francês foi detido por burla qualificada de dez clientes, vindo procurando familiares de reclusos a quem prometia a liberdade, em troca de dinheiro.

Estranho. Tenho boa oponião de Romeu Francês. Foi meu assistente na faculdade de direito de Lisboa [creio dava direitos reais, mas não tenho a certeza] e fui acompanhando a sua actividade como advogado, no campo do urbanismo mas também no do direito penal. Pareceu-me um profissional sério e diligente. Acho estranho mas a vida às vezes dá muitas voltas.

Constituição Europeia

Diz a TSF Online
De passagem por Lisboa, Peter Mandelson, vice-presidente da Comissão Europeia afirma que Portugal vai ter que enfrentar duros desafios durante a presidência que assume no dia 01 de Julho. Numa entrevista à TSF, o comissário europeu para o Comércio Externo afirma que um Tratado simplificado é o único caminho possível.

Faz-se a "solução" de um articulado mais simplificado da Constituição Europeia nos meios europeus colocando-se com enorme probabilidade a aprovação do novo texto na CIG que será convocada lá para a segunda metade deste ano. O óptimo é o inimigo do bom.

O culto do "pequeno lider" em Portugal

Estes acenos salazarentos da nomenclatura pública portuguesa são sinais de um cultura de louva-chefe estúpida e bolorenta. O caso "Fernando Charrua" é bem a mostra do país.

Le Monde sem Colombani

A sociedade dos redactores do Le Monde reunida em assembleia geral recusa a recondução do director do grupo do jornal, Jean-Marie Colombani, a um terceiro mandato. Colombani é uma das vacas sagradas do jornalismo europeu, um homem reverenciado em vários quadrantes. É de certa maneira [a manter-se a oposição dos jornalistas] um tempo que chega ao fim. A que não será estranho a nova aragem que sopra em França.

Postais de Santiago 3- No Chile como em casa

Uma viagem ao Chile faz-me sempre sentir próximo de casa, pois é o país latino-americano que mais semelhanças apresenta com Portugal e os portugueses.
Nos tempos da ditadura , pensava que aquela gente taciturna e ensimesmada era o retrato de um povo angustiado, vítima de massacres perpetrados por um ditador que os americanos, benfeitores do mundo, colocaram no Poder pelos métodos mais bárbaros alguma vez utilizados no mundo ocidental, depois da Segunda Guerra Mundial.
Hoje, definitivamente enterrado Pinochet, o ditador fantoche que a srª Thatcher sempre protegeu, os chilenos usufruem de liberdade, vivem os alvores de uma Democracia com uma mulher de centro esquerda como Presidente, mas não perderam a sua maneira de ser. Continuam tristes e melancólicos, o País parece viver isolado da restante América Latina, como se os Andes fossem um obstáculo inultrapassável.
Há nestes chilenos que noite após noite invadem as esplanadas de Santiago uma nostalgia escondida, uma animação quase forçada, que me faz recordar mais as noites de Lisboa do que de Buenos Aires ou outra qualquer metrópole latino-americana. E nem lhes falta, para serem parecidos connosco, um Festival “Cançoneteiro” que torna Viña del Mar como uma espécie de irmã gémea da Figueira da Foz.
Quando estou em Santiago, passeio pelos arredores de La Moneda, vejo a saída dos alunos da Academia Militar ao fim de semana, me vejo obrigado a falar em surdina com pessoas que me contam os horrores da ditadura de Pinochet, vêm-me à memória fantasmas do Estado Novo e apetece-me regressar depressa a casa.
O Chile, definitivamente, não é a América Latina. Tal como Portugal também não é a Europa...

James Bond tem uma nova utilidade...artigo Diário Económico de 23.05.07

http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/opinion/columnistas/pt/desarrollo/997209.html

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