segunda-feira, 4 de junho de 2007

Cenas de Vida 9- O intrometido

A manhã corria célere, no encalço de pessoas apressadas para apanharem o transporte, que os conduza a mais um dia de trabalho rotineiro.
Enquanto tomava uma bica, encavalitado num balcão de vozes imprecisas acotovelando-se para chegar primeiro ao ouvido de um empregado atordoado, acabara de deixar escapar por entre os dedos mais um dos seus pedaços.
Ao pôr o pé na rua, ansioso por entrar na minha cela laboral, para dar continuidade à missão que me confiaram de contribuir para o aumento do PIB, quase sou atropelado por uma mulher magra, em passo estugado, cujo cabelo cobreado esvoaçando ao ritmo da leve brisa que soprava, me fez lembrar uma chama que pretende libertar-se do fósforo que a mantém refém.
Ainda na soleira da porta, vejo folhas de papel arrumadas em forma de revista, desprender-se do seu corpo.
Vá-se lá saber porquê, um jovem que passava, numa de cavalheiro, apanhou a revista do chão e, pressuroso, foi entregá-la à sua – ainda que provisória- proprietária, pensando certamente que estava a fazer uma boa acção.
“ Desculpe, a senhora deixou cair isto”- ouvi-o dizer- enquanto se aprestava para devolver o tesouro de letras encapadas, quiçá em troca de um sorriso esforçado de agradecimento.
A reacção da mulher ter-lhe-á gorado as expectativas...
“Eu? Não deixei, não. Não quero é isso para nada.”
“Ah bom! Então podia-o ter deitado num caixote do lixo ou deixado na tabacaria onde a comprou, porque isto é um suplemento do jornal que leva aí...”
“Mas quem é você para me estar a dar lições? A Câmara tem gente para fazer a limpeza, que eu saiba! Mas se está tão preocupado vá lá você por isso no lixo, que foi você quem apanhou isso do chão. Eu não quero isso para nada, já lhe disse...”
Apressada, lá continuou o seu caminho, vociferando entre dentes, mas de forma audível “estes gajos são uns metediços! Os pretextos que arranjam para meter conversa!... Os paizinhos não têm tempo para os educar e a gente que os ature. P´ra onde é que isto vai, meu Deus?”
Entrevi o jovem a ruborescer, e ouvi-o atirar um pedido de desculpas por ser civilizado. Voltou para trás e colocou diligentemente o destacável no recipiente apropriado.BINGO!

Fraternidades [s]

"Pode a sociedade civil distinguir-se pelas liberdades e pela igualdade. Mas falhou radicalmente na fraternidade" António Barreto, PÚBLICO, 3-6-2007

Dificilmente a sociedade civil teve esse propósito. Alguma vez. A menos que AB veja na "populace" ao assalto da Bastilha a expressão dessa sociedade civil. A fraternidade implica a majoração da igualdade inter frater, algo que os socialistas levaram ao ponto de "liquidar" a liberdade. Aquilo que a sociedade civil teve que fazer foi controlar e condimentar o poder expansivo da autoridade. Esse é sempre - em qualquer latitude, Ucrânia ontem, Venezuela hoje - o combate decisivo da liberdade. A fraternidade é para outro recolhimento e outra sabedoria. E supõe iniciar-se [ou sê-lo]. E partilhar-se valores comuns. Intimamente comuns.

domingo, 3 de junho de 2007

O inimigo da Europa?

É este provavelmente o nosso inimigo comum.

The new cold war: Russia's missiles to target Europe no Guardian.

France-Russie, l'heure du dialogue, par Dominique Fache no Le Monde

Guérir la relation franco-allemande, Alexandre Adler, no Le Figaro

UE: Sócrates elege reforma dos tratados como prioridade da presidência portuguesa

Sócrates é capaz do melhor e do pior. Claramente centra-se naquilo que é o "tendão de Aquiles" do processo de integração europeu. A reforma institucional e a constituição europeia. Muito se tem escrito [e dito] sobre a necessidade desta última. Uns consideram-na delírio; outros uma urgência.
A Europa não é uma realidade geopolítica. É, sobretudo, uma realidade cultural e depois geográfica. Claramente para sobreviver a Europa precisa de uma identidade colectiva feita de valores, princípios, uma ideia sobre o mundo, uma bandeira, um hino, um acervo de instituições. Só uma moeda não é bastante. Talvez de um inimigo comum. Os países também se entrozam dessa forma.
Portugal tem aqui uma oportunidade para brilhar. Sócrates é hábil e insinuante. Barroso parece querer dar-lhe visibilidade e panache. O centro da decisão será o par Merkel-Sarkozy. Mas estou desconfiado que para haver acordo sobre a Constituição os pequenos países têm que abrir mão dos Comissários Europeus. Não faz qualquer sentido uma Comissão com 27 membros efectivos, por exemplo. E chega de sonhos de parlamentarismo agudo. Concordo absolutamente com António Vitorino que o Parlamento Europeu tem já poderes que cheguem para balancear o poder da Comissão e do Conselho. Mais do que isso é introduzir um factor de imponderabilidade que na arrumação dos poderes constitucionais não faz qualquer sentido.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Intersindical

"Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP Intersindical, diz que não há liberdade sindical em Portugal e que, em muitos casos, ser sindicalizado é hoje em dia um acto heróico".

Os sindicalistas profissionais são daquelas pragas que vieram do 25 de Abril e que me fazem lembrar Chile, Poder Popular, Fascismo nunca mais. Há quantos anos esta gente não vai aos locais de trabalho e goza das mordomias, prerrogativas e quejandos em nome da "luta dos trabalhadores". Não há liberdade sindical? Por amor de Deus o que não há é responsabilidade sindical nacional.

O país a banhos....

...e eu a caminho de.

China - o novo lider?

À esquerda Xi Jinping, secretário do Partido Comunista em Xangai. Um fortissimo candidato a substituir Hu Jintao [em 5 anos]. Veremos em Outubro.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

Foi em 1964 que Timothy Leary, profeta do LSD, declarou: "Os Beatles são extraterrestres, enviados por Deus para criar uma nova espécie." Mais tarde, em 1967, mesmo sem se revelarem como os alienígenas de que Leary falava, os Beatles apresentavam Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. A tal nova espécie chegava na forma de um álbum feito revolução, que hoje celebra 40 anos. Mais no DN.