sábado, 16 de junho de 2007

Palestina e banditismo

Na imprensa:
O presidente palestiniano, Mahmud Abbas, decidiu demitir o governo dominado pelo Hamas e proclamar o «estado de emergência» nos territórios palestinianos. Abbas tenciona ainda apelar para o estacionamento de uma força multinacional em Gaza e planeia nomear um político independente como novo primeiro-ministro palestiniano, em substituição de Ismail Haniyeh, do Hamas. O presidente palestiniano informou já os Estados Unidos, Egipto e Jordânia da sua decisão.

A Palestina tornou-se um barril de pólvora por acção dos próprios palestinianos. A luta entre as facções tornou impraticável o acordo que havia para uma governabilidade "razoável" da Palestina. Os palestinianos tem que se recriminar apenas de si próprios. Um povo que rejeita a liberdade nao merece a liberdade que lhe é oferecida. Quando se mistura religião, paixão e política o resultado é este.
Nós que nos dedicamos ao estudo da ciência política temos que começar a repensar na sua tentativa universalidade e no carácter "absoluto" do sufrágio universal. Quando permitimos que os demagogos arrastem as populações ignorantes para este beco sem saída por força do voto começamos a entender quão perigosas são as transições apressados de um sistema opressivo [de ocupação colonial] para uma pseudo-liberdade de um sistema governado por crápulas e bandidos.
Não é um problema de falta de estado de direito; mas sim que a lei da vendetta e de Allah são exactamente a mesma coisa.
Voltarei um dia destes a este tema a propósito do livro INFIDEL [de Hayaan Ali] , que aqui recomendei há semanas e que estou nos últimos capítulos.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Escrevi a propósito do 10 de Junho no Jornal Tribuna de Macau

Um país de corpo inteiro

Arnaldo Gonçalves

A lógica das comemorações dificilmente resiste à recorrência das boas intenções, à abundância dos propósitos louváveis e ao choro dos falhanços. Serve, sobretudo, para cumprir calendário, para assinalar a ligação à Pátria e para reanimar uma certa mística sobre os aspectos mais eloquentes do país.
Tentar fazer mais do que isso é cair numa exaltação patrioteira fascistoide que escamoteia aspectos da presença de Portugal no mundo que nos devem preocupar como a falta de dinamismo das comunidades emigrantes, a pobreza do fenómeno associativo, ou o falhanço da educação linguística das terceiras gerações de emigrantes.
Portugal tornou-se, nas últimas décadas, um país mais franqueado para o exterior tanto nas comunidades estrangeiras que ali procuram abrigo e a oportunidade de começar uma vida nova, como na saída daqueles que não encontrando dentro oportunidades para singrarem, se fazem ao caminho e se expatriam pelo mundo.
Tal facto normalmente identificado em estudos de sociologia como sintoma da má governabilidade do país, ou da falta de um “destino nacional”, deve ser, ao invés, elogiado e valorizado. Faz parte da condição de homem pós-moderno, para lembrar um conceito caro ao alemão Jürgen Habermas, a dimensão cosmopolita do indivíduo moderno na forma como desenha o seu projecto de vida, e assume a mobilidade como forma de estar num mundo global.
Não sei se os dados disponibilizados pelos Serviços de Estatística e Censos de Portugal são fiáveis e significativos, mas verifica-se um recrudescimento do fenómeno da emigração portuguesa, que foge, no entanto, ao romanceamento neorealista da fuga para França, por montes e vales e ao trabalho ilegal em condições de quase semi-escravatura nos “arrondissements” de Paris. O emigrante português actual é jovem, urbano e letrado, procura oportunidades de emprego fora do país respondendo a anúncios de recrutamento em jornais e revistas estrangeiras, e acomoda-se nas comunidades de destino em condições idênticas ao expatriado francês, italiano ou australiano. Procura poupar para transferir os seus rendimentos para Portugal, mas procura conforto, lazer e sentir-se bem no país que o acolhe. Não quer dizer que não existam casos do outro tipo, mas são situações excepcionais que se soletram com anormalidade, crime, tráfico de pessoas.
Mais do que os representantes diplomáticos tradicionais, estes portugueses expatriados são agora a imagem de um Portugal do século XXI, ao revelarem a capacidade de engenho, de improviso, de organização que nos celebrizou noutras eras e cujo sentido vivificador importa nutrir e acarinhar.
Lembrou bem o Presidente da República, Cavaco Silva, nas comemorações do 10 de Junho, que o mote que identifica o sentir nacional não pode continuar a ser o conformismo, o abatimento, a passividade perante os indicadores de atraso face aos países europeus, ou a queda dos indicadores sobre o aproveitamento escolar, a literacia, ou a erudição.
Tem que ser a capacidade de assumir riscos, de criar projectos empresariais, de lutar por objectivos e metas concretas. Se não existem [lá] dentro há que procurá-los [cá] fora. Por isso a acção política de apoio e estímulo às comunidades expatriadas é fundamental na política externa do país e faria melhor o actual ministro dos negócios estrangeiros em olhá-la com sentido de prioridade e profissionalismo. Em vez do mote do bailinho da Madeira e da música pimba com que insiste em interagir com as comunidades expatriadas.
Um apontamento local. Macau insere-se neste esteio da portugalidade que cruza o mundo e através do qual se projecta a nossa maneira de viver e os nossos interesses, como país. Mas diversamente dos saudosistas do passado colonial já não faz já sentido olhar para o “ser-se português” com timidez, nostalgia ou angústia da perda.
Os mil e quinhentos expatriados que vivem no continente chinês estão aqui para realizar projectos de vida de uma forma não muito diferente dos seus concidadãos da Venezuela, da África do Sul, dos Estados Unidos, da França ou da Alemanha. Querem realizar-se profissionalmente no sector público ou no sector privado, mas ao mesmo tempo sentirem-se úteis às comunidades com que privam. Os seus interesses são próprios e diferentes de outras comunidades, designadamente os luso-chineses, mas não são necessariamente incompatíveis.
É, contudo, irresponsável persistir a entregar aos outros, a representação dos interesses que lhe cabe defender. Recriminando-se, sistematicamente, de se sentirem socialmente mal representados. De que estão à espera?

Waldheim and the nazis

"Waldheim was clearly not a psychopat like Josef Mengele nor a hate-filled racist like Adolf Hitler. His very ordinariness, in fact, may be the most important thing about him. For if history teaches us anything, it is that the Hitlers and the Mengels could never accomplished their atrocious deeds by themselves. It took hundreds of thousands of ordinary men - well-meaning but ambitious men like Kurt Waldheim - to make the Third Reich possible"

Robert Edwin Herzstein [University of South Carolina]


Falecido ontem em Viena aos 88 anos de idade

Margarida Moreira, a lider operária...

A mulher tem um ar inteligente; uma finesse palaciana; um sentido das conveniências acima de qualquer suspeita. Há 30 anos não hesitaria em qualificá-la como uma verdadeira aparatchick do regime socialista que se instalou, pela calada, em Portugal. Os traços bolcheviques da senhora são evidentes - vejam o dedo em riste, a determinação "operária" a sublinhar o fraseado. E o "cachucho" no dedo anelar da mão direita...
Podia ser o punho erguido e um "abaixo a reacção" mas deve ser provavelmente "quem se mete com o Eng Sócrates leva". E ela não fala por eufemismos... A entrevista no DN, aqui, é deliciosa.
Cá por mim acho que neste buraco para onde vai o governo, o Dr. Jorge Coelho faz enorme falta para pôr as milícias em sentido. Mas ele teve mais juízo que todos os seus camaradas socialistas e dedicou-se à vida empresarial. Depois de aturar as má criações do Eng. Guterres não teve para aturar mais má criações ao Eng.o Sócrates. Louvo-lhe os propósitos e sobretudo a enorme visão de não querer mais nada com engenheiros. Realmente não são flor que se cheire. Vejam o da OTA...
Meu prezado Dr. Marques Mendes deixe os socialistas afundarem-se. Eles nem precisam de empurrão. Vão por eles próprios...

Mais do troca-tintas

A capacidade do Dr. Mário Soares de empurrar para o abismo os líderes do PS é lendária e inacreditável. A última manigância é contra o Eng. Sócrates. O destaque é do Pedro Correia no seu Corta-Fitas, aqui. O cromo tem a lata de dizer que não conhecia o Eng.o Sócrates de parte alguma. Toda a gente minimamente informada sabe que o Dr. Soares foi candidato porque exigiu ao Eng.o Sócrates ser candidato. Só pergunto uma coisa: esta virulência recente do Dr. Soares contra o Eng. Sócrates tem alguma coisa a ver com o recuo da OTA e dos negócios envolvidos? O segredo mais mal guardado do país????

terça-feira, 12 de junho de 2007

Encontro Internacional de Estudos Políticos no Estoril

O Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa realiza o seu XV Encontro Internacional de Estudos Políticos no Hotel Palácio Estoril, em Portugal, entre 27 e 30 de Junho corrente. O tema deste ano que coincide com o 10.o Aniversário dos Encontros é "O Tratado de Roma aos 50: o Futuro da Europa". O Comité Organizador é constituído por Anthony O'Hear, João Carlos Espada, Raymond Plant, Marc F. Platner, Marc Shell e Susan Shell.
Temas em debate: "The European Project", "Demography, Imigration and Cultural Matters", "Robert Conquest", "The Future of Europe", "Welfare and Economic Growth", "Europe and Asia: Economic and Security Challenges", "Europe and Africa". Enormissima qualidade dos painéis que faz juz à tradição de qualidade dos eventos organizados pelo Instituto de Estudos Politicos da UCP e à seriedade e profissionalismo do meu bom amigo, João Carlos Espada. Se puder destacar um painel talvez o primeiro do segundo dia dedicado ao "Futuro da Europa"que abre com Durão Barroso, e o segundo sobre "Welfare and Economic Growth" presidido por Diogo de Lucena.
Um minus: o painel sobre a Ásia manifestamente mais fraco comparativamente aos outros.
Encontro a merecer uma visita nem que seja por algumas horas. Mais informações: www.iep.lisboa.ucp.pt

Eleicao Carlos Encarnacao Oliveira para Chairman da EMC

Porque é raro. Inusitado. E honra os profissionais e quadros portugueses.

Na Assembleia Geral da EMC, Confederação Europeia de Marketing, realizada em 8 e 9 de Junho em Londres, por proposta das delegações inglesa, francesa, grega, belga e holandesa, o Dr. Carlos Encarnação Oliveira foi eleito por unanimidade presidente da organização, pelas dezoito delegações nacionais.

A EMC (European Marketing Confederation) congrega dezassete países e dezoito associações europeias de marketing, comunicação e vendas, representantes de cada um deles.

SARKOZY

Inicio esta semana no novo projecto jornalistico de Macau - o Macau Daily News - um espaço de crónica em língua inglesa que não fugirá muito ao figurino que sigo - intermitente - no JTM. O novo espaço não tem ainda o site em velocidade de cruzeiro pelo que a sua leitura on line não é possível
Por aqui darei conta das grandes linhas do que vou comentando. Esta quinzena Sarkozy e a Europa. Algumas previsões para domingo via Kontratempos do Tiago Barbosa Ribeiro com a devida vénia.