quarta-feira, 20 de junho de 2007

Emigrantes portugueses- uma reportagem notável

Pessoa amiga, sabedora que dias antes de partir para férias concluí um trabalho sobre migrações a ser publicado em breve numa revista de referência, aconselhou-me a leitura de uma reportagem da minha amiga Céu Neves publicada no DN durante a minha ausência(10 e 11 de Junho).
Trata-se de um trabalho notável. Omitindo o facto de ser jornalista, Céu Neves viajou como mais uma emigrante, experimentando as condições de dureza a que estão sujeitos os portugueses. Durante duas semanas, viveu nos mesmos alojamentos, experimentou as mesmas sensações de incerteza diárias, sentindo na pele o sofrimento dos compatriotas que partem para aquele país e vivendo os enganos de que são vítimas.
Trata-se de uma reportagem que mostra, na prática, a abordagem que faço no meu trabalho, sobre os perigos que espreitam os emigrantes e imigrantes neste mundo global, onde nem a civilizada Europa escapa ao tratamento desumano dos seus cidadãos.
Céu Neves aborda, também, um tema sobre o qual escrevi um artigo ano passado: o “modus operandi” de algumas empresas de trabalho temporário que, sem quaisquer escrúpulos, tratam os trabalhadores como “carne para canhão”.
Fui emigrante privilegiado durante vários anos em países europeus e nos Estados Unidos ( os anos que passei em Macau não entram para esta contabilidade) e pude aperceber-me das condições desfavoráveis em que muitos portugueses viviam. Em termos de exploração, porém, só nos anos 60 encontrei situações semelhantes às que Céu Neves descreve. Mas o que se passa na Holanda não é caso virgem. Na vizinha Espanha, na Islândia ou no Canadá, ocorrem situações semelhantes. O mundo estará mesmo melhor, como muitos apregoam?

The case for democracy

[...] The debate that is going on in the West now is almost the same. Our message as dissidents was that you cannot impose democracy. Nobody can force anybody to be free. But you don't have to help impose dictatorship on those people by cooperating with [dictators] and financing these efforts. Today the debate is more or less the same. There are those who believe in democracy is not for everybody, and then when it comes to the Arab world, there are not democratic regimes, and that it is wishful thinking to try to push for it, so let's have good relations with dictators who help bring stability. There are dissidents in those countries who are very upset with the free world. They are not saying, "go and fight", but saying "stop supporting them". [...]

Natan Sharansky author of "The case for Democracy"

terça-feira, 19 de junho de 2007

Portugal, o tratado e a CIG

"Os representantes especiais dos governos europeus discutiram, pela primeira vez, o projecto de mandato que será dado a Portugal para organizar a conferência intergovernamental (CIG) que irá redigir o novo Tratado, depois de abandonada a proposta de Constituição Europeia rejeitada por franceses e holandeses em referendo. A fonte diplomática classificou o documento de 11 páginas como sendo «muito técnico» e com necessidade de ser «clarificado» nalguns pontos."

Fonte: Sol
--/--/--
Portugal tem aqui uma oportunidade para brilhar numa questão que é estruturante para a Europa: o tratado constitucional. Não o digo como jurista [apenas] mas como politólogo. Os espaços políticos são aquilo em que se revêem como fronteira, comunidade e horizonte. Uma Constituição lembrava Schmidt num livro maldito ajuda a dar essa visão de "nós" e dos "outros". Poderá Portugal ser o árbitro dos interesses europeus? Não. Mas pode ser o facilitador [como a Irlanda o foi para o tratado constitucional]. É preciso é que o mandato seja claro. Normalmente é no alinhamento da agenda que se ganham os congressos [partidários] e as assembleias gerais [dos clubes de futebol]. Também na CIG não será diferente.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Coincidência,ou plágio?

Fui a banhos para o Mediterrâneo, antecipando a chegada das alforrecas, na companhia de Luís Sepúlveda e Elsa Osório. Tempos excelentes que espero ter oportunidade de aqui relatar com algum detalhe. Por agora, apenas referência a uma situação que me causou alguma estranheza:
Numa breve incursão televisiva, deparo com um anúncio num canal espanhol que começa com a frase “Na tua casa ou na minha?” e que serve de base à publicidade a uma marca de gelados.De regresso a Portugal, comprei na manhã de domingo o “Expresso” para me saciar da falta de notícias cá do burgo. Qual o meu espanto quando deparo com uma página inteira de publicidade ao Montepio Geral, encabeçada pela frase “ Na tua casa ou na minha?”. É óbvio que faz mais sentido a frase, quando o objectivo é promover o crédito à habitação, mas a dúvida colocou-se-me de imediato. Quem copiou quem? Terá sido apenas uma coincidência? Ou haverá ainda uma terceira hipótese? Se alguém souber responder, agradeço...

Ei-la que volta!

Tenho a impressão que não perdi nada de importante durante os 10 dias que estive fora do país sem notícias de Portugal. Os apupos a Sócrates no 10 de Junho é algo a que nos começamos a habituar, e o cepticismo de Cavaco em relação ao Governo é apenas o início de uma “viragem” nas relações entre PR e PM que, em minha opinião, se irão agudizar a partir de 2008.
Esperava uma anedota ou outra “gaffe” de um membro do Governo, mas a notícia que me fez rir foi a da constituição de Pinto da Costa como arguido, num processo que já fora arquivado mas que Maria José Morgado decidiu desenterrar. A Justiça portuguesa ultimamente tem-nos dado muitas razões para rir ( embora o mais adequado talvez fosse chorar). Em relação a este assunto ( e a muitos outros, aliás) estou com Miguel Sousa Tavares. E mais não digo... A boa notícia foi o regresso dessa diva chamada Michelle Pfeiffer que, depois de cinco anos de ausência, regressa este ano com três filmes. Que se estreiem depressa!

domingo, 17 de junho de 2007

Livros e leituras


Agora que se aproxima a época estival gostaria de partilhar com os leitores algumas recomendações. Começo neste post com livros importantes publicados em português. O atraso dos grandes editores com maior cota de mercado quando aos grandes valores da ficção contemporânea é imenso. Um livro leva, em regra, um a um ano e meio a tornar-se disponível em língua portuguesa depois de conquistar todos os prémios que há a ganhar. E falo nestes; quanto aos livros recomendados por importantes suplementos literários a situação é tremenda. Aí o deserto é árido.
Duas recomendações para os leitores do Além do Bojador do catálogo Bertrand: Orhan Pamuk e Sam Harris. A não perder.

O medo dos bufos

[....] Entretanto um medo pesado caíu nas repartições. Sei do que falo. Do medo antigo, salazarista, mascarado de respeitinho. O medo dos de baixo. O medo dos que conhecem os bufos e a verdadeira natureza dos comissários e dos candidatos a comissário. Dos que lêm os sinais do tempo e sabem que nada nem ninguém, a não ser a subserviência e o cartão, os proteje dos comissários.

No Natureza do Mal, aqui.

Crianças chinesas vendidas como escravos

[...] Embora a lei chinesa considere o trabalho infantil ilegal, foram mais de mil as crianças chinesas raptadas nas várias províncias do país, especialmente na paupérrima e sobrepovoada região de Henan. Os sequestros tinham lugar, na grande maioria dos casos, em estações de comboios e autocarros.[...]

Um problema dramático e preocupante num país que quer ser olhado como normal e digno do nosso respeito. Relato no Expresso.