terça-feira, 26 de junho de 2007

Rapidinhas 10

A colecção de Joe Berardo esteve anos encaixotada e Isabel Pires de Lima, com o apoio de Sócrates, vai dá-la a conhecer aos portugueses. Sorte não termos um Roque Laia como Secretário de Estado da Cultura.

Regresso ao PREC?

A reabertura dos processos contra Pinto da Costa faz-me lembrar os tempos do PREC, quando a extrema –esquerda fixava alguns alvos da sua ira e procedia a julgamentos na Praça Pública.
Fundamentos para a acusação? Que é que isso interessava? Se uma amante despeitada por ter sido votada ao abandono, se lembrasse de dizer que o seu ex tinha sido da PIDE, lá corria a turba alvoroçada em perseguição do ignominioso, sem cuidar de saber se os factos relatados tinham qualquer ponta de veracidade.
O caso PC tem contornos muito pouco claros ( atenção, que não estou a dizer que ele esteja inocente) e fundamentos de acusação baseados em afirmações vertidas na forma de livro, que me fazem lembrar alguns “julgamentos” do PREC. O facto de um livro servir de “vendetta” e base para uma acusação é inédito e pode conduzir a caminhos perigosos.
Espero que tudo se esclareça com fundamento na verdade e na justiça e não como um ajuste de contas entre uma alternadeira despeitada ( cujos “apoios” também valia a pena esclarecer) e um Presidente de um clube de futebol afectivamente irresponsável.
E é sempre bom lembrar que nas épocas em que o seu Presidente é acusado de corrupção, o FC Porto ganhou “apenas” a Liga dos Campeões, a Taça Uefa e a Taça Intercontinental. Alguma outra equipa portuguesa se pode gabar de tal feito?

A nova era da Modernidade



A nova era da modernidade (publicado quarta-feira dia 20.06.2007 em Lisboa)

Os anunciantes estão a dedicar uma atenção crescente às formas não tradicionais de comunicação.

Paulo Gonçalves Marcos

Pela sua abrangência e potencial de atingir alvos, as acções de comunicação constantes dos planos de ‘marketing’ das empresas tendem a incluir a publicidade em lugar proeminente. É pouco comum assistir-se ao lançamento ou ao relançamento de um produto sem uma dose considerável de investimento em publicidade. Contudo, um conjunto de factores está a fazer com que o predomínio da publicidade esteja em erosão, impulsionando os anunciantes a desviarem parte crescente de seus orçamentos para formas não tradicionais de comunicação: fragmentação de audiências; o fenómeno do ‘zapping’ e o esbater das fronteiras entre a publicidade e o entretenimento, removendo o domínio do conteúdo e da mensagem tradicionalmente veiculadas em anúncios. Em síntese, as várias forças em acção parecem que estar a retirar o domínio da mensagem das mãos dos anunciantes e a colocá-lo cada vez mais na mão dos consumidores. Para tentarem recuperar, ao menos parcialmente o seu domínio, os anunciantes estão a dedicar uma atenção crescente às formas não tradicionais de comunicação, mormente a:

• promoções cruzadas (Cooperação). Exemplos incluem sacos de compras (em Portugal o famoso saco de plástico do Expresso, com faces ocupadas pela Microsoft e pela HP);

• patrocínios (Associação). Procura-se a associação de uma marca com um determinado acontecimento (MillenniumBCP e o Rock in Rio Lisboa; BES e a vinda de Kofi Annan a Lisboa para a Conferência do Futuro Sustentável);

• colocação de produtos e serviços (Ocupação espacial). A ideia é a de oferecer aos anunciantes um ambiente envolvente em que o público está cativo. Em viagens de avião de longo curso, nas zonas de espera das consultas hospitalares ou das agências bancárias, nos tabuleiros das cantinas universitárias, nos pacotes de pipocas dos cinemas multiplex, as oportunidades e os exemplos abundam.

A Comunicação Tradicional, com expoente máximo na publicidade, acredita num modelo de resposta clássico, em que dos clientes se espera que façam uma progressão ao longo dos diversos estádios: da tomada de conhecimento e consciência sobre um produto ou serviço e respectiva marca, para um estado de preferência activa (em comparação com as alternativas) até a um estádio que culmina na aquisição e repetição da compra. As movimentações ao longo dos estádios são razoavelmente lentas, fruto de um processo cognitivo onde a publicidade desempenha um papel muito relevante nos primeiros estádios.

A Comunicação não tradicional centra-se no primeiro estádio, na tomada de consciência. A tomada de conhecimento implica, antes de mais, exposição mediática e visibilidade. Desejavelmente estas provocarão um efeito de “burburinho”, onde as pessoas falam umas às outras do produto, serviço ou marca. Onde a marca entra nas conversas quotidianas das pessoas, nos momentos de convívio, nos locais de trabalho e de reunião. Ou seja, a Comunicação Não Tradicional poderá ser muito rápida e é dominada pelas iniciativas dos consumidores e cidadãos anónimos, através de fenómenos de difusão largamente espontâneos. O “passa palavra” entre amigos e colegas é mais poderoso e credível que as mensagens formatadas e pagas pelas empresas. Este passa palavra é mais emocional e em certo sentido mais enraizado nas preferências culturais, nas atitudes e valores que norteiam uma sociedade. A essência do processo de comunicação é a transformação dos clientes pioneiros em missionários, capaz de fazer proselitismo a custo zero. Capazes de apostolarem com entusiasmo e dedicação. Como os conteúdos da comunicação não tradicional não são vistos como operações de marketing comercial, podem ser mais credíveis que publicidade convencional. Ipod, o browser Firefox, o filme The Blair Witch Project ou o automóvel Mazda MX-5, são fantásticos exemplos de marcas cuja “mensagem” foi transmitida por consumidores deliciados!

paulo.marcos@marketinginovador.com www.marketinginovador.com
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Paulo Gonçalves Marcos, Gestor, Professor universitário

segunda-feira, 25 de junho de 2007

BB


"De Blair a Brown" editorial do El Pais. O humor [ao lado] do Independent.

DARFOUR - ecos da cimeira de Paris

"La communauté internationale ne peut pas continuer à rester sans rien faire. Nous devons redoubler d'efforts". "La rencontre de Paris était l'occasion de réunir tout le monde et de savoir exactement ce que nous devons faire".
Condoleezza Rice

"Cela fait trop longtemps que la communauté internationale attend, la population a trop souffert." "Le temps est venu d'agir, en particulier pour le président [soudanais] Omar El-Béchir, et en même temps, je demande aux rebelles de montrer plus de souplesse et de participer au processus politique"
Ban Ki-moon

Ainda o Tratado

Dificilmente posso escapar à lógica intuitiva dos comentários do Carlos Oliveira. Teremos com este tratado se Portugal o conseguir levar a bom porto [o que não está por forma alguma garantido] uma espécie de Nice + 3, sendo os três a indulgência, a cobardia, e a falta de liderança europeia. Mais que a economia de mercado - que talvez relesse considerando o apport dado pelos 27 à Construção Europeia uma concertação de políticas económicas mais que um projecto de unidade europeia. Ela não existe como se provou à saciedade.
O que ficou pelo caminho quanto ao projecto da Constituição Europeia é grave e significativo.

Europa, Sociedade Secreta?

Marcelo Rebelo de Sousa manifestou o seu desagrado e discordância, quanto à provável concertação entre PR e PM para que não se realize em Portugal um referendo ao texto do Tratado Europeu, afirmando que essa decisão iria contribuir ainda mais para a ideia de uma “Europa Confidencial”.
A quente, sou levado a partilhar a opinião do Professor, mas racionalmente tenho que concordar que a realização de um referendo sobre questões europeias num país onde o analfabetismo cívico-político deve rondar os 90% e a ideia de Europa se resume à possibilidade de obter subsídios, não me parece muito importante.
Acresce que as últimas declarações de Marques Mendes parecem exprimir um acordo tácito do PSD para a não realização do referendo. Abundam os argumentos para a mudança de posição do Bloco Central e, desta feita, tendo a partilhar das ideias do Centrão. Qual a necessidade de um referendo, se a maioria dos portugueses já manifestou não aderir a essa forma de consulta popular, abstendo-se - em percentagens que nos envergonham- de se pronunciar sobre temas fulcrais como o aborto ou a regionalização? Porquê delapidar os cofres do Estado com um referendo, se a maioria dos portugueses vota de acordo com a orientação dos partidos e o Centrão se pôs de acordo quanto ao novo Tratado?
Assim, a única razão que me leva a estar de acordo com Marcelo Rebelo de Sousa é perceber que a passividade dos cidadãos quanto às questões europeias está a contribuir para que a Europa se torne numa Sociedade Secreta, com as decisões a serem tomadas por um grupo de iluminados, à revelia da opinião pública. A recusa de um referendo- que presumo se irá alargar à esmagadora maioria dos países europeus- é apenas mais um passo no processo “Orwelliano” que tornará em breve a Europa num arremedo da sociedade de progresso e liberdade imaginada por Jean Monet eRobert Schuman. Até a paz interna poderá estar ameaçada, se o caminho a prosseguir continuar a ser o de afastar cada vez mais os europeus das decisões quanto ao seu futuro.

A guerra da água e o exemplo do Darfur

A Visão publica, no seu último número, um artigo do secretário-geral da ONU sobre o Darfur, que merece especial atenção. Escreve Ban Ki-Moon que “o conflito teve início numa crise ecológica provocada por uma alteração climática”.
Não é nada que os ecologistas não soubessem já, mas o alerta do Secretário Geral da ONU é lançado num momento de especial significado, duas semanas após o relativo fracasso da reunião do G-8 na Alemanha, onde a questão das alterações climáticas não foi encarada com a seriedade e urgência que merece. Em 2050, quem por cá estiver, não irá ter oportunidade de mais manobras dilatórias. A situação nesse momento será de tal modo grave, que prevejo medidas drásticas que os meus vindouros terão de suportar com muito estoicismo
A guerra no Sudão não é o primeiro conflito de consequências humanitárias catastróficas, provocado por questões ambientais, nem não será o último. Todos os especialistas estimam que dentro de 30 anos se multiplicarão em África as guerras pela posse de água que provocarão milhares de mortos e um ainda maior empobrecimento do continente. Resta a hipótese de a UE e os EUA se porem de acordo e, de uma vez por todas, tomarem efectivas medidas de apoio aos países africanos que evitem a hecatombe. Mas não tenho grandes esperanças de que isso venha a acontecer num futuro próximo.