segunda-feira, 2 de julho de 2007

Mas isto está tudo doido???

Finanças negam perdas de 500 milhões em prescrições fiscais diz a RTP
O Ministério das Finanças negou que o Estado tenha perdido 500 milhões de euros em 2006 com as prescrições fiscais, argumentando que as dívidas em causa foram vendidas a terceiros.

Dividas vendidas a terceiros? Mas quem são esses parvos?
Não sei se isto representa um rombo no orçamento do Ministério das Finanças, mas aprendemos no direito fiscal que as dividas prescrevem se aos pagantes não é exigida a respectiva liquidação dentro do prazo que a lei prevê para essa exigência. Ou seja as dividas são são executadas se houver negligência, relaxe do Estado na sua exigência. Mas não havia um director-geral das Contribuições e Impostos com um salário destapado para tratar destas coisas?
Bem sei que o governo socialista rapidamente se apressou a despachá-lo porque o homem estava a ganhar acima do que alguns cromos acharam que era o tecto exegível para os salários públicos. É verdade que nesta lufalufa se esqueceram de despachar também o Dr. Constâncio que há muito perdeu a vergonha e cujas prédicas morais sobre poupança e sacrifício [dos contribuintes] apenas se dirigem ao comum dos mortais. Não o Dr. Constâncio é daquelas estrelas que não merece o país e abichana remunerações mensais acima dos cem mil euros. Vamos lá perceber com que fundamento?

E ainda mais....

[...] Na campanha para as intercalares de Lisboa, Fernando Negrão, candidato do PSD, defendeu esta segunda-feira uma descida dos impostos municipais. António Costa, candidato do PS, diz que nos próximos dois anos isso não vai ser possível. Mas Helena Roseta concorda com a sugestão. Num debate promovido pela Associação Comercial de Lisboa, o candidato do PSD à câmara de Lisboa, Fernando Negrão, admitiu baixar os impostos que queiram investir em Lisboa, por considerar que essa «medida é fundamental para o desenvolvimento económico e para a criação de riqueza».Helena Roseta está de acordo e fala na necessidade de negociar com o Governo uma diminuição sobre o Imposto Municipal sobre Imóveis. «Eu concordo com Fernando Negrão quando diz que alguns impostos tem de ser revistos, e um deles é o IMI», afirmou a candidata independente.[...] Na TSF on-line.

Mas desculpem lá, mas estes tipos são governantes? Têm alguma intervenção na política económica do país? Mas afinal para que serve o presidente da câmara, não é para administrar o património da capital, optimizar o equipamento público, assegurar a limpeza, o asseio, a arrumação, um razoável sistema viário? Mas no debate político, o que vale agora é o arroto, a interjeição, o faladrar por faladrar? Ninguém tem vergonha?

E mais do país pequenino

[...] O presidente do conselho geral negou a intenção de destituir ou suspender o líder do conselho executivo do banco, Paulo Teixeira Pinto. A garantia foi dada por Jardim Gonçalves ao presidente executivo da instituição.[...] Na TSF on-line.

João Miguel Tavares [no DN]

[...] Estranhamente, aqui na terriola não se consegue ter o melhor de dois mundos. Ou se tem governos panhonhas que não se mexem (género Guterres ou Durão), ou se tem governos esforçados, com vontade de mudança, mas que depois acham que toda a gente tem de dobrar a espinha ao seu extraordinário esforço patriótico (género Cavaco ou Sócrates). Uns não fazem nem chateiam; os outros fazem e por isso acreditam sinceramente que lhes devemos estar muito agradecidos por isso. Isto não é falta de cultura democrática - é mesmo falta de cultura de competência. O primeiro-ministro, a ministra da Educação ou o ministro da Saúde acham, à sua maneira, que são special ones - ou, pelo menos, que fazem parte de um special governo, que está finalmente a pôr o País na ordem. E, por isso, não acham graça nenhuma às pequenas rebeldias de indígenas ingratos. Aqui, sim, falta-nos uma terceira via: sermos um dia governados por gente que perceba que reformar é o seu trabalho natural, e que ao mesmo tempo possa ouvir uma crítica sem de imediato soltar os cães. Um dia. Quem sabe um dia.[...]

João Miguel Tavares comenta um mundo pequenino, canhestro, circunscrito ao burgo ou melhor dizendo à paróquia. Porque a "política à portuguesa" para tomar o mote de um conhecido director de jornal é absolutamente paroquiano. Os figurantes são de Eça ou Ortigão. Faça-se o ajustamento do tempo e são os mesmos. Veja-se a chegada do presidente da Comissão Europeia ao Porto e a procissão das vénias. Regresse-se a Caetano ou ainda a Salazar. Os mesmos sorrisos de conveniência, a pose de ostentação, de pseudo-aristocracia. Os guarda-costas, os BMW e os mirones. Os queridos mirones de um Portugal pequenino que dificilmente será alguém!

A frase da semana

“Revolucionar a sociedade implica mudá-la e não adaptar-se a ela”
Valérie Tasso in Visão

A dignidade de um Homem livre

Na entrevista que deu à SIC Notícias, Mário Soares provou mais uma vez que recuperou a sua grande forma. Sem papas na língua disse o que tinha a dizer, mostrou a sua indignação face às perseguições por delito de opinião que estão a ser prosseguidas pelo actual Governo e lançou meia dúzia de farpas bem direccionadas e com destinatários bem definidos. Sem tergiversações ou “paninhos quentes”, Soares foi igual a si mesmo: directo e frontal como todos os Homens livres. Características que, aliás, há muito lhe reservaram um lugar na História

domingo, 1 de julho de 2007

O que é o Homem?

[...]O Homem é um ser paradoxal. Somos bípedes sanguinários, capazes de sadismo feroz. Inventamos máquinas de guerra brutal e instrumentos de tortura indizível. Pilhamos, massacramos, somos de uma ganância ilimitada, de uma vulgaridade ridícula, de um materialismo rasteiro. No entanto, como escreveu o agnóstico George Steiner, "este mamífero desgraçado e perigoso gerou três ocupações, vícios ou jogos de uma dignidade completamente transcendente. São eles a música, a matemática e o pensamento especulativo (no qual incluo a poesia, cuja melhor definição será música do pensamento). Radiantemente inúteis, estas três actividades são exclusivas dos homens e das mulheres e aproximam-se tanto quanto algo se pode aproximar da intuição metafórica de que fomos realmente criados à imagem de Deus". [...]

Padre Anselmo Borges, no DN.

Hong Kong hoje

Será este homem capaz de levar à prática as promessas de liberdade e democracia com que se comprometeu com o povo de Hong Kong? Seria dramático que falhasse. Diria mais, seria miserável.