sexta-feira, 6 de julho de 2007

Um arco-íris na 2ª circular

Que mais lhes irá acontecer? Depois de trocarem o equipamento encarnado, pelo “vistoso” cor de rosa, os benfiquistas estão a ficar amarelos, face à quase certeza de que um grupo chinês vai lançar uma OPA sobre a SAD da 2ª Circular.
Joe Berardo, esse símbolo do Portugal Rosa liderado pelo engº Sócrates, também deve ter mudado de cor quando soube que os chineses estarão dispostos a duplicar a sua oferta. ( Sempre quero ver se aqueles benfiquistas de gema que compreensivelmente se recusam a vender as suas acções a 3,5 euros alegando que as compraram por amor ao clube, mantêm a mesma posição com uma oferta de 7€!)
É claro que os chineses não sabem no que se vão meter se adquirirem o SLB, mas o clube terá certamente muito a lucrar com isso.
LFV é que não deve ter ficado muito satisfeito com essa hipótese, pois fazer “ arranjinhos” com Berardo é muito diferente de os fazer com chineses.
Suspeito, por isso, que esteja vermelho de raiva!Ao menos que haja algo de vermelho neste arco-íris em que se transformou o SLB, tornando mais policrotica a 2ª circular!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Ainda a cimeira UE/Brasil

Só aos mais desatentos terá escapado a postura de Lula durante a Cimeira e, posteriormente, no programa que a RTP 1 exibiu com ele e Sócrates.
Com um discurso fluente, recusando o miserabilismo e o discurso do “coitadinho”, Lula mostrou que não tem qualquer complexo de inferioridade em relação aos “grandes estadistas europeus” , nem qualquer receio de tecer argumentos com eles.
Acima de tudo, deu uma lição notável: é possível crescer de forma sustentada sem desprezar os mais desfavorecidos e tendo preocupações sociais.
Quem visite regularmente o Brasil, percebe que o país de Lula nada tem a ver com o do início da década de 90 do século passado. Existe ainda muita pobreza, é certo, mas há uma maior equidade social, uma aposta muitíssimo forte na educação, que permitiu levar para as Universidades muitos condenados ao analfabetismo e à pobreza.
O Brasil é, entre os países do BRIC, o que tem crescido de forma mais sustentada e equilibrada, contornando as desigualdades sociais de forma hábil. Apesar das críticas internas, Lula não esqueceu as suas origens humildes, criando um conjunto de oportunidades para os que, nascidos como ele, possam singrar e ter vida digna.
A acção de Lula pode não agradar às elites brasileiras nem aos intelectualóides europeus que se renderam ao canto da sereia do liberalismo económico. Mas a História está cheia de exemplos de mudanças alcançadas contra essas elites.
Basta referir Luther King ou Nelson Mandella, para termos exemplos marcantes de como é possível derrotar os interesses instalados e mudar a sociedade. A Europa está a precisar de um grande líder que ponha em causa o actual modelo social europeu, tornando-o mais justo e sem estar à mercê dos grandes interesses económicos. Espero que já tenha nascido...

Cimeira UE-Brasil

A Cimeira UE / Brasil, apesar de ser um motivo de orgulho para Portugal, que introduziu um dado novo na agenda europeia, não serviu, ao que me parece, para fortalecer laços comerciais, nem definir estratégias comuns para a Europa e a América Latina.
Nem tal, aliás, seria de esperar, já que são conhecidas as posições autistas dos europeus face a África e à América Latina. Instalados confortavelmente no palanque do desenvolvimento económico, limitam-se ao habitual “carpe diem”, enquanto vão manifestando a sua preocupação com a pobreza, sem tomar medidas que permitam combatê-la. Neste particular, Portugal e Brasil deram um passo importante, ao assumir investimentos significativos em África na área dos biocombustíveis que irão permitir retirar da pobreza milhares de africanos.
O diálogo com a América Latina é, convenhamos, mais importante para Portugal e Espanha do que para a UE, que parece apenas apostada em impôr a sua vontade e não fazer qualquer cedência para um entendimento na Ronda de Doha colocando-se num pedestal de intransigência.
Creio que há muita gente na liderança dos destinos da UE que ainda não percebeu que o futuro próximo reserva um papel de grande relevo à América Latina. Para bem da própria Europa, será inevitável uma aproximação entre os dois blocos que, estou em crer, se concretizará a curto prazo, até porque não é crível que os EUA consigam concluir a contento, até final do ano, o acordo da OMC.
Os líderes europeus terão, todavia, de abdicar parcialmente em relação à política agrícola e os sul-americanos em relação aos entraves aduaneiros.
Por outro lado, para o Brasil se afirmar como interlocutor privilegiado, precisa de pôr alguma ordem no Mercosur e convencer os seus parceiros de quão importante é para o “continente” sul-americano uma aproximação à Europa.
Depois de ouvir ontem Lula, não tenho dúvidas de que o conseguirá fazer. Ao contrário do que muitos pensam e levianamente afirmam, o presidente brasileiro tornou-se um grande estadista ( o que confesso, também me surpreendeu...). Não agradará aos padrões europeus a sua sinceridade, mas estão obrigados a conviver com ela. Aguentem-se!

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Vou de férias....

até daqui a duas semanas.

FRETILIN

A Fretilin ganha as eleições legislativas em Timor-Leste. Previ-o e escrevi-o mais do que uma vez ao longo de 2006 e 2007. Tanto no Jornal Tribuna de Macau como no Jornal de Negócios, periódicos de que sou [e fui] comentador.
Disse, também, que assistiremos ao acerto de contas e vingança do pequeno dirigente comunista [Märio Alkatiri] sobre o líder histórico da resistência timorense [Xanana Gusmão]. As humilhações sofridas por Alakatiri no processo judicial que levou ao seu afastamento serão vingadas, nem que seja com um banho de sangue. Que se cuide Xanana. Não que creio que Ramos Horta tenha a força política de o evitar.
A sorte dos três está escrita [há muito] nos astros. Como a de Timor. São como Rómulo e Remus. Disse no IIM em Novembro de 2007 num debate em que participei com o investigador Moisés Fernandes [possível pela gentileza do meu amigo Jorge Rangel] que Timor é um caso trágico de um estado inviável, incapaz de se governar a si próprio e que carece absolutamente do apoio da comunidade internacional para não cair numa guerra fraticidra que levará ao fim do país. Disse também - para intranquilidade das boas consciências - que a única solução que via era Timor aproximar-se da Austrália e funcionar como seu estado associado [de facto]. Uma espécie de protectorado tal como Porto Rico é face aos Estados Unidos.
Essa [frisei] é a melhor garantia para proteger o futuro [e a prosperidade] do timorense comum. As boas consciências parece que não gostaram. Esbracejam nas brumas da ilusão da mesma forma como olham o mundo e esquecem-se que os homens não são anjos mas lobos.
Como se confirmará em Timor.

Cimeira UE-Brasil

Dificilmente se conteve da cimeira UE-Brasil a impressão que o maior espaço económico integrado do mundo [a UE] e a mais ambiciosa nação em vias de desenvolvimento do mundo falam linguagens diferentes e atêm-se a paradigmas de desenvolvimento díspares e contraditórios.
Desde logo como encaram as presentes [e provavelmente falhadas] negociações para a liberalização do comércio mundial encartadas na Ronda Doha. A União percebendo que é preciso dar novos passos a bem do processo de expansão da economia global; o Brasil insistindo na ladaínha do país pobre, sub-desenvolvido, explorado pelo Ocidente rapace e escravizador. O primeiro falando na interdependência, o segundo na necessidade de "derrotar" os Estados Unidos.
Tratou-se de um diálogo de surdos destinado a cumprir calendário na presidência portuguesa do Conselho. Facto curioso que as televisões não tenham deixado escapar a sofreguidão com que Josë Sócrates se apressou a apresentar o novo potentado cultural do regime, o inefável Joe Berardo ao Presidente Lula da Silva, na visita que este último fez ao Centro Cultural de Belém. O atabalhoamento, o embasque perante a ignara figura reporta bem o estado a que chegou o regime do Eng.o Sócrates. Hesito em chamar-lhe socialista, mas é-o provavelmente. Há um irrepremível toque de Kruchtchev na encenação. E de ridículo também.

Lido noutro lado...

Alan Johnston, jornalista da BBC raptado em Gaza e mantido acorrentado durante 114 dias, foi libertado esta manhã anuncia o Da Literatura

E para quem não saiba...

O STJ considerou ilegal a decisão de Rui Rio relativa ao Rivoli...