quarta-feira, 11 de julho de 2007

Pela boca morre o peixe...

A Igreja anda preocupada com a actuação do Governo e reuniu-se exclusivamente com o propósito de lhe lançar críticas. Uma das mais curiosas, consistiu na acusação de condicionar os media “como nunca se tinha visto”!
Os senhores do Clero já se esqueceram dos tempos da Censura durante o Estado Novo?
Outra acusação que me deixou perplexo foi a de “falta de sensibilidade social do Governo”. É verdade, mas pergunto:onde estava esta Igreja noutros momentos, apesar de tudo de maior insensibilidade social, quando as pessoas morriam na guerra, sucumbiam à fome e eram perseguidas e torturadas pela PIDE? Que atitude tomou quando alguns clérigos foram perseguidos pelo antigo regime, por manifestarem a sua repulsa face a Salazar?
A Igreja-seja em Portugal ou lá fora - ( calada como ratos em relação a ditaduras como a de Pinochet ) apenas ergue a voz quando se vê ameaçada de alguns privilégios que as ditaduras nunca põem em causa, porque precisam do seu apoio.
Nessas alturas, a Igreja cala-se e não se preocupa, sequer, em defender os seus membros, alvo de perseguições, por manifestarem o seu repúdio - através de palavras e acções- pelas práticas sanguinolentas desses regimes. Não foi essa a Doutrina que Cristo pregou!

Grilo Falante


" Todo dia ele faz tudo sempre igual,
Me sacode à uma hora da manhã " .... ( Chico Buarque)



E como qualquer ritual, tratei de me acostumar com o estrilar de toda noite.
Mas confesso, que esse privilégio de dispor ao meu bel prazer, bem ali embaixo da minha janela, esse requíscio de natureza em plena selva de pedra, me proporciona verdadeiros momentos de contemplação.

Eu, meus grilos e os grilos... Até que num instante ficamos só eu e os grilos, os falantes.

Me ponho a pensar então neste inseto, de hábitos noturnos, tão carismático, sempre cantando para eu dormir.
E agora entendo bem a fissura que essas criaturinhas verdes exercem nos chineses.
Ricos em cálcio e com apenas 121 calorias, fazem sucesso em algumas refeições- ok, ok, eu confesso, trata-se de uma especiaria na categoria "atraindo turistas".


Além da esfera gastronômica, os grilos tem seu espaço cativo como mascotinhos de estimação.
Facilmente encontrados nas esquinas de Beijing, uma porção deles em cápsulas de palha.


São enclausurados também em gaiolas- diga-se de passagem, umas mais bonitas que as outras, para todos os gostos, de madeira, com detalhe, sem detalhe, de mármore, de porcelana , de marfim ...- e lá permanecem cantando seu canto.
São companhia frequente de alguns taxistas, já trombei com um senhor mais apegado, que levava seu grilo devidamente engaiolado no metrô.

Na ocasião, demorei para descobrir que não se tratava de um ring tone de celular, de um relógio mais modernoso ou qualquer parafernália eletrônica chinesa.
E ri sozinha, imagiando o tumulto que esse senhorzinho matuto poderia causar nos paranóicos aeroportos de Londres ou EUA, com seu singelo grilinho.


Os chineses também nutrem um hábito que não me atrai em nada, promovem as lutas de grilos.


Preparam o ringue, os adversários, a torcida, as apostas e na arena depois de algumas batalhas restam os restos dos grilos menos anabolizados, só os restos.


A prática é milenar, remete ao tempo imperial. Tão popular, ganhou até contos específicos, também milenares, para transmitir conceitos morais para a população.

Os contos chineses são geniais, pelo multiculturalismo, pela capacidade da atemporalidade, pelo valor semântico social, e pelo valor da obra ( esta última definição soa a la jurado de escola carnavalesca, não era a intenção!).

Para além disso, podem ser analisados pela óptica Confucionista, onde o Estado chinês concebe a natureza dos relacionamentos num equilíbrio harmonioso de obrigações. Ou através da visão Taoísta, das críticas socias que representam as ordens subordinadas e historicamente opostas aos Confucionistas.

Um espetáculo teórico que define muitíssimo bem a prática, mesmo tratando-se desta sociedade alucinantemente metamorfótica de caracteríticas imutáveis.


Os conceitos hierárquicos, as relações dos indivíduos e seus comportamentos e sentimentos, tem origem na formação da sociedade chinesa, que permanece presente até hoje.


Este conjunto de rituais hierárquicos transmitidos a partir da influência do Imperador deu origem direta a burocracia imperial, e indireta a formação dos clãs latifundiários. Onde os cargos oficiais ( objetivo de todo filho do clã- ou mandarinato) eram obtidos depois de uma série de testes qualificatórios baseados nos livros sagrados da doutrina de Confúcio. Que proporcionavam determinadas imunidades, privilégios e exceções a cada nível conquistado, tendo o propósito de assegurar o justo funcionamento do sistema, supostamente delegado à responsabilidade dos bem treinados e elevados, dotados de senso de governabilidade e justiça.


Balela!! Na prática o sistema se auto-sabotou, dando lugar as práticas de corrpução. ( Que o governo ainda hoje luta para sua eliminação).


Em termos gerais, a sociedade ainda exerce sobre o núcleo familiar tanto uma função de unidade política como social.

Por estas definições, reflexões sobre a sociedade chinesa tornam-se mais próximas, ao menos sob a perspectiva ocidental, ou ao menos para mim, que adoro todos esses grilos.


*Ps: Foto no topo do blog by Guto Castro.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Berardo "on the rocks"


Este homem quer abusar da sorte, arriscando negócios num país deslumbrado com o novo-riquismo. Como todos os que arriscam demasiado, um dia conhecerá o amargo sabor da derrota. A "jogada" SLB - todos o sabemos - foi um "tiro de sorte" que parece que lhe vai correr mal. O investimento dos chineses foi uma trama bem urdida, mas que poderá ter consequências nefastas. Terá chegado a altura de cair do pedestal e regressar aos seus negócios de "garimpeiro"? Provavelmente sim, resta saber onde irá agora encontrar o palco adequado para os seus "negócios" especulativos...

Mau augúrio?...


A RTP colocou um ecrã gigante na Praça do Município, para que o debate pudesse ser visto no exterior do edifício da CML. Os lisboetas estiveram, porém, indiferentes e a Praça esteve às moscas. Um indício do que irá ser a abstenção no próximo domingo?

O debate capital

O debate organizado pela RTP com os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa foi- como se esperava- morno e desinteressante, não tendo servido para captar muitos votos dos indecisos, como todos os candidatos desejavam. Presumo mesmo, que alguns dos candidatos vão sofrer grandes banhadas. A minha apreciação individual:
Começando pelos pequeninos, Pinto Coelho ( o do cartaz contra os imigrantes) mostrou não ter uma única ideia para Lisboa, mas garantiu os objectivos da sua candidatura: aparecer na televisão e poder incluir no curriculo a candidatura à CML.
Câmara Pereira pode ser ainda um bom fadista, mas a política passa-lhe definitivamente ao lado. É , como PC, um candidato que se arrisca a ter menos votos do que o número de assinaturas que recolheu para se candidatar...
Pedro Quartim Graça é verde nas convicções, mas está também verde na política, ao contrário de Garcia Pereira que adquiriu uma tarimba que o torna indispensável a este tipo de debates, pois tem ideias firmes que expõe com clareza. Quanto a Manuel Monteiro, só lhe faltou dizer que pretendia a privatização da CML!
Passando à I Liga, Helena Roseta terá sido a que mais terá perdido com o debate. Pouco dotada para a oratória e pouco rodada em debates deste género afundou-se, embora se perceba que tem boas ideias. Já Telmo Correia, surpreendeu-me positivamente e pode ter ganho alguns votos graças à boa disposição evidenciada e a algumas ideias bem apresentadas. Sá Fernandes foi o que melhor geriu o seu tempo de antena, conseguindo passar a sua mensagem de forma incisiva, mas penso que irá ter um resultado desconcertante e não será eleito - o que considero uma injustiça, pois foi graças a ele que se descobriram os podres da autarquia lisboeta. Ruben de Carvalho esteve igual a si mesmo: tem uma ideia para a cidade, mas é cinzento na forma de passar a sua mensagem.
Negrão também esteve dentro dos parâmetros a que nos habituou. Inexpressivo, pouco à-vontade e inseguro. Faz-me lembrar um boneco de latex... que repete as ideias que alguém lhe cocchicchou, mas sem qualquer convicção do que está a dizer.
António Costa trocou o sorriso sarcástico do debate na SIC Notícias por uma postura mais convencional. Apresentou-se como vencedor antecipado, esplanando as suas ideias para Lisboa como um programa já elaborado pronto a ser aplicado a partir do dia 16. O excesso de confiança às vezes é fatal e não me admiraria se na noite de domingo a sua vitória se cifrassse numa percentagem aquém dos 30%. O que significará, obviamente, uma derrota.
Carmona Rodrigues – que irá em minha opinião ser a grande surpresa – esteve uns furos acima do que esperava. Calmo, a jogar em casa, piscou várias vezes o olho a Costa e nunca perdeu uma oportunidade para zurzir no candidato do PSD.
Em termos de picardias, porém, Fernando Negrão foi o grande vencedor. O que não é bom sinal, pois é uma postura própria de quem está em desespero.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

E o vencedor é....

A corrida à Presidência da CML já começou. Quem chegará em 1º lugar? Aceitam-se apostas. O meu palpite vai para este candidato.

Surpresa na Beira Baixa

Nos anos 70, durante três meses, reparti a minha vida entre Portalegre e Castelo Branco. Foi um tempo de desconforto que me deu constantemente a sensação de estar a viver no exílio. Depois disso passei por lá várias vezes, sempre de passagem, e invariavelmente senti a mesma sensação de vazio, mas há uns bons seis anos que nem sequer lá parava.
Há já alguns meses amigos- que comigo partilharam esse tempo- me recomendavam um fim de semana em Castelo Branco. Torci várias vezes o nariz a essas propostas mas este fim de semana, percorrendo o interior por estradas secundárias ( a forma ideal de conhecer bem este país e nos conseguirmos apaixonar por ele), desaguei ao fim da tarde de sábado na cidade de Amato Lusitano e... fiquei surpreendido!
Castelo Branco é, hoje em dia, uma cidade aprazível, limpa, moderna, com uma vida nocturna animada ( a ideia das Docas foi genial...) e templos gastronómicos de...babar!
A população da cidade rejuvenesceu e as tascas deram lugar a um conjunto de bares e esplanadas que nada ficam a dever ( salvaguardadas as devidas proporções...) a Lisboa ou Porto. A zona nova da cidade não será um exemplo de enquadramento paisagístico agradável à vista ( principalmente quando a observamos do Castelo...) mas o crescimento parece estar a ser feito de forma equilibrada, o que já não é mau. Além disso, há pequenos pormenores deliciosos de arquitectura urbana que não escapam aos mais atentos.
Ao que me disseram alguns albicastrenses, a nova imagem da cidade deve-se ao Presidente da Câmara, Joaquim Mourão, autarca que parece colher uma opinião favorável consensual. Confesso que nunca ouvira falar no seu nome, mas numa altura em que tanto se critica os autarcas, esta unanimidade de opiniões favoráveis é de realçar.
Não há, porém, bela sem senão. E a um visitante há coisas que não escapam e lançam alguma mácula sobre o trabalho do autarca albicastrense: a toponímia em placas minúsculas, a deficiente sinalização de trânsito, quer horizontal, quer vertical e a falta de sinalização informativa sobre os locais que pretendemos visitar, tornam a vida num inferno a qualquer turista.
Mas isso é pecha generalizada dos autarcas portugueses que frequentemente se esquecem que as cidades que governam são visitadas por turistas que precisam de ter informação visível para se poderem orientar.

Antecipei-me ao "The Economist"

"A Economist teve há uns tempos de engolir um grande sapo para publicar o editorial "Castro está certo". Por uma vez, a revista de culto dos liberais britânicos pôs-se do mesmo lado da barricada que o líder cubano. Tudo por causa do etanol, o prometido substituto do petróleo, denunciado como falso milagre, sobretudo quando feito com milho. Porque pode causar à humanidade mais problemas do que aqueles que resolve..."
(Leonídio Paulo Ferreira no DN de hoje)

Por acaso, eu também já tinha afirmado o mesmo aqui, quando Bush visitou o Brasil. E não preecisei de ler "The Economist"....