segunda-feira, 16 de julho de 2007

Eleições em Lisboa - os derrotados

Telmo Correia foi o grande derrotado. Ao não conseguir eleger nenhum vereador para o CDS/PP colocou-se numa situação difícil e voltou a colocar o líder na encruzilhada da reflexão – tão cara a Paulo Portas. Curioso vai ser observar, nos próximos tempos, o desenvolvimento das movimentações no seio do CDS/PP. Se Portas abandonar, não terá condições para impôr um regresso ( nem antes, nem depois de 2009).
A derrota de Fernando Negrão era esperada e a sua dimensão catastrófica também. Nada de surpresas, mas Marques Mendes também devia aproveitar para reflectir sobre a estratégia adoptada durante a campanha, ao tentar transpôr para o plano nacional os resultados das autárquicas lisboetas. O problema, é que o líder laranja não é dado à reflexão- prefere fazer uma interpretação peculiar dos oráculos de Marcelo Rebelo de Sousa e Manuela Ferreira Leite e apostar na fuga em frente. Não tardará muito que esteja à beira do precipício...
A forma como for resolvida a liderança no seio do PSD terá, muito provavelmente, reflexos no próprio PP e até no panorama partidário em Portugal. Um partido com Portas, Santana ( talvez mesmo Morais Sarmento e Luís Filipe Meneses) poderá emergir fruto desse desenvolvimento e de uma interpretação errada dos resultados conseguidos pelos independentes em Lisboa.
Só que o que os portugueses querem, não é um novo Partido, mas sim pessoas que lhe dêem garantia de independência e que mostrem capacidade para resolver os seus problemas.

Eleições em Lisboa- os empatas

Ruben de Carvalho conseguiu eleger dois vereadores para o PCP, mas a verdade é que a sua votação foi inferior à de Helena Roseta, o que o impede de cantar vitória.
Os outros empatas foram os candidatos da Liga dos Últimos, onde apenas Garcia Pereira conseguiu uma votação superior a 1%, o que o torna o vencedor incontestável da Lisboa dos Pequeninos.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Rapidinhas 15- Outras reflexões

Para quem não vive em Lisboa, ou já decidiu em quem vai votar, aqui ficam duas propostas de reflexão para amanhã:
1- As recentes decisões das Juntas Médicas que negaram a aposentação a vários doentes com cancro;
2- As decisões mais recentes da nossa Justiça ( ilibar um tipo que mandou matar a mulher e considerar que um homem dar tareia na mulher não é grave) seriam no mesmo sentido, se mandante e espancador fossem mulheres?

A angústia de um eleitor no momento de votar

Não, não me vou abster no próximo domingo. Confesso, porém, que a decisão não está fácil. Não prestei grande atenção à campanha, é certo, mas não ouvi nenhum candidato abordar os temas que me interessam e que passo a enunciar:
- Acabar com o estacionamento caótico, nomeadamente em segunda fila;
- Acabar com os cócós de cão e punir severamente os proprietários de animais que não respeitem a postura camarária de João Soares, mas de que já toda a gente se esqueceu;
- Punir severamente os que atiram lixo para o chão, tornando algumas zonas de Lisboa imundas;
- Acabar com as cargas e descargas a qualquer hora e em qualquer lugar, como se faz em qualquer cidade civilizada. Em Lisboa existe uma postura municipal sobre o assunto, mas pô-la em prática está quieto...
- Tapar os buracos;
- Arranjar os passeios;
- Retirar os cartazes afixados de forma anárquica por toda a cidade e não apenas no eixo Saldanha - Restauradores, como demagogicamente Carmona fez uma noite;
- Acabar com os Mupi luminosos que nos encandeiam à noite;
- Fazer cumprir a Lei do Ruído, publicada em dia de Nossa Senhora de Fátima ( 13 de Maio), mas que nem com a sua benção foi posta em prática;
- Criar uma autoridade metropolitana para os transportes.

São 10 coisas simples, que escolhi como so mandamentos do meu candidato. São problemas somples que interessam e preocupam todos os lisboetas, mas como todos os candidatos falam de tarefas megalómanas se calhar estou enganado! Ou será que os candidatos se estão borrifando para os cidadãos?
Estou tão indeciso em quem votar, que das duas uma: ou vou lá por exclusão de partes, ou amanhã gasto o dia de reflexão a examinar à lupa as propostas de 3 ou 4 candidatos em que teoricamente talvez valha a pena votar.

Cenas de vida 12- Lisboa sob o signo da abstenção

A escola onde habitualmente voto está em obras. Para evitar uma ida à Junta de Freguesia, perguntei a meia dúzia de vizinhos onde estavam instaladas as assembleias de voto. A resposta generalizada foi: não sei... nem tenciono ir votar!
Perguntei no café, hoje logo pela manhã, e a resposta dos proprietários foi a mesma, embora um deles me dissesse estar muito preocupado com o facto de as assembleias de voto não serem na escola. “Vai-nos tirar muita clientela, sabe? Dias de eleições são muito bons e agora no verão que o negócio é mais fraco, estas eleições vinham mesmo a calhar. Logo por azar decidiram fazer obras este ano na escola!...”
No quiosque onde compro os jornais uma jovem atirou-me descarada: “ainda se preocupa com isso? Ganhe quem ganhar o resultado é o mesmo!"
Fui para o Metro descoroçoado. Com o calorzinho que se anuncia, quem vai querer saber das eleições? Mas a verdade é que se a abstenção for muito elevada os candidatos também têm a sua dose de culpa, pois nenhum soube passar uma mensagem motivadora. E assim sendo, é de admitir que o grande vencedor do próximo dia 15, seja o abstencionismo...

quinta-feira, 12 de julho de 2007

"Let's come togetther"?

Já aqui defendi, diversas vezes, a necessidade de promover o cinema europeu como garante de salvaguarda da cultura e da História europeia. Nunca esperei, porém, que as minhas súplicas fossem ouvidas e a UE adoptasse uma fórmula tão radical e inovadora para a sua promoção.
Nada mais, nada menos, do que um filme de 45 segundos onde se assiste a cópulas em diversas posições e com variados intérpretes, num misto de erotismo e pornografia quase “hardcore”.
Ou os eurocratas de Bruxelas quiseram dar uma de “modernaços” contrariando o seu habitual cinzentismo, ou pensaram que o objectivo do filme era uma campanha de fomento da natalidade no espaço europeu.
Mais curiosa ainda é a frase que suporta a campanha: “ Let’s come togetther”. O sentido dúbio da expressão dá azo a uma série de interpretações que oscila entre o malicioso e o solidário. E haverá também quem, numa onda revivalista, evoque o “Come together “ dos Beatles e não se esqueça de acrescentar “ right now, over me” como dizia a canção...

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Cenas de vida 11- O fim do mito alentejano

Entro em Portugal pela fronteira de Elvas, ansioso por comer um “petisco” alentejano e matar saudades da comida portuguesa que não trinco há duas semanas. Abandono a auto-estrada e vou em busca de um local onde possa saciar o meu desejo. Ao fim de alguns quilómetros ( que se hão-de estender até às proximidades de Évora) constato que perdi tempo à procura de algo que já não existe...

O mito alentejano que surgiu algures nos anos 70 e se acentuou na década de 80 está a esfumar-se.Os vinhos já não são o que eram e a hotelaria de qualidade é uma coisa que praticamente não existe, porque não chega ter boas instalações, é preciso também ter bom serviço e os restaurantes apostarem numa boa comida regional, em detrimento da comida internacional asséptica a que alguns “gourmets” encartados chamam de “fusão”. Mas, como me disse um hoteleiro, o problema é que nas Escolas de Hotelaria é isso que ensinam!
E quanto a pessoal? Os locais não querem trabalhar na hotelaria e quem troca uma quitanda em Lisboa ou no Porto, com comensais diários assegurados, por um estabelecimento hoteleiro , ainda que luxuoso, mas quase sempre às moscas?
Quem entra em Portugal pela fronteira do Caia e pensa poder matar saudades da cozinha portuguesa, desiluda-se. Desapareceram as velhas casas de pasto e tasquinhas onde a comida regional alentejana era quase sempre boa e proliferam as marisqueiras, muito procuradas pelos espanhóis, principalmente ao fim de semana .
A cultura cerealífera, que emprestava toda aquela “mística” à paisagem alentejana deu lugar a pastos para porco preto, borregos e pouco mais, e os olivais reduzem-se a pequenos tufos verdes, circundando os “montes” com piscinas, que muitos lisboetas compraram para repouso de fim de semana.
Também muitos europeus vieram instalar-se no Alentejo, em busca do sossego que já não encontram nos seus países, optando por uma vida em contacto permanente com a natureza. Passeando pelo Alentejo, constata-se que não foi só a paisagem a mudar radicalmente com o Alqueva, para gáudio de espanhóis e amantes de desportos aquáticos. Mudou também a própria essência da região
Quanto à costa alentejana, estamos conversados. De PIN ( Projecto de Interesse Nacional) em PIN, vão desaparecendo as praias de excelência e surgindo os empreendimentos turísticos cavalgando a costa.
Por muito que a Odete Santos insista em dizer o contrário, a verdade é que o Alentejo nunca mais voltará a ser “nosso” ( nem “deles”...)

Robert Millar


Este homem foi Rei da Montanha no “Tour” de 1984 e um os ciclistas de topo durante mais de uma década.
Desaparecido desde 2003, nem sequer compareceu na cerimónia em que foi eleito para o “Scottish Hall of Fame”.
O Daily Mail revela agora as razões. Robert Millar mudou de sexo e chama-se agora Philippa York.Há vários aspectos dignos de realce nesta história. Fico-me por este: que razões impedem um homem que decide mudar de sexo de o assumir publicamente? Terá sido o medo de que a sua imagem de ídolo internacional ficasse beliscada?