O PCP não tem emenda!
Estas atitudes de indiferença ( quiçá mesmo de arrogância) dos lideres do PCP face a membros do Partido que alcançam alguma notoriedade social roçam o autismo.
Dá a impressão que no PCP quem conseguir alguma notoriedade que extravase os muros do Partido está condenado ao ostracismo.
O tema de doutoramento de Carvalho da Silva é de grande premência (“O sindicalismo em tempos de globalização”), mas o PCP não tolera que um militante do partido seja elogiado por figuras de outros quadrantes.
Um elogio vindo de fora é, para um militante do PCP, uma afronta. O elogiado passa a ser proscrito e, como uma sentença de morte, é-lhe ferrado o epíteto de traidor.
Os líderes do PCP não terão digerido bem a notoriedade e simpatia que Carvalho da Silva vem granjeando em vários quadrantes da política portuguesa e por isso – como em outras ocasiões- decidiram demarcar-se e primar pela ausência.
Nutro grande apreço por Jerónimo de Sousa. Cativa-me a sua simpatia, a sua bonomia e genuinidade. De tal modo, que chego a acreditar que o PCP está diferente e aprendeu com os erros do passado, mas atitudes como a protagonizada com Carvalho da Silva tiram-me qualquer ilusão.
Adivinho vida difícil para o líder da CGTP. Deu grande parte da sua vida ao Partido, foi um sindicalista batalhador, mas “ caiu no erro” de querer ser Doutor! O PCP não gosta desta gente. Não gosta de sindicalistas que se licenciem, porque logo os vê do outro lado, como potenciais traidores do Proletariado. O PCP vive do obscurantismo, de dogmas ultrapassados, da cristalização ideológica e- mais grave- de uma visão do mundo muito parecida com a da Igreja Católica: só serás glorificado na morte, se tiveres coragem de sofrer durante toda a vida porque , como diz a Bíblia “Bem aventurados os pobres e os oprimidos, porque deles é o reino dos Céus”.
Não sei até quando Carvalho da Silva permanecerá no PCP ( a liderança da CGTP ser-lhe-á retirada a muito curto prazo, com prejuízo para a Central sindical e para os trabalhadores portugueses que nela se revêem), mas quando for obrigado a fazê-lo, por não poder aguentar mais a pressão interna, estou certo que logo os grandes lideres dirão às massas. “Estão a ver, estão a ver? É mais um traidor que se vendeu ao capital e renegou o Partido!”
As massas continuarão, submissas, a pedir ao grande líder que as impeça de se libertarem, através da sabedoria, das grilhetas do capital. E, em uníssono, venerando a imagem de Marx de mãos postas sobre “O Capital” repetirão até atingirem a fase de auto convicção: “só pela luta as classes operárias se poderão libertar do capitalismo opressor!”









