quinta-feira, 2 de agosto de 2007

A India, o problema da proliferação nuclear e Portugal

[...] A Índia, o Paquistão e Israel são os Estados dotados de armas nucleares que recusaram assinar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear e a Coreia do Norte sobressai como o regime pária por excelência que, em 2003, repudiou o Tratado para se assumir como potência nuclear militar.
O regime de não-proliferação que as potências nucleares tentaram impor falhou e Washington respondeu com uma parceira estratégica com a Nova Delhi, iniciada em 2005 e concluída pelo acordo de cooperação anunciado no final de Julho.
O projecto da administração Bush assenta no pressuposto político de que a Índia (ao contrário do Paquistão) é um estado apostado na contenção do tráfico ilegal de materiais, equipamentos e tecnologias nucleares, ainda que Nova Delhi não seja signatária dos principais acordos internacionais sobre a matéria e se reserve o direito de levar a cabo testes nucleares militares.[...]

Um texto interessante de João Carlos Barrada no Jornal de Negócios

Aditamento ao post anterior

Se o CDS-PP considera o "despedimento" de Dalila Rodrigues estalinista, que pensará da actuação do seu Ministro de estimação Bagão Félix ao despedir 18 Directores Regionais da Segurança Social por "motivos políticos"? Provavelmente, chama-lhe Democracia!
Mas há mais. O despedimento sem justa causa desses Directores Gerais vai custar ao Estado ( ou seja, aos portugueses) a módica quantia de 1 milhão de euros. A isto Paulo Portas deve chamar "gestão exemplar"!
Estamos fartos das patetices do "arrivista-troca tintas" PP. O melhor que nos podia acontecer era aproveitar as férias para pensar um pouco e desaparecer de vez da cena política. Perdeu toda a credibilidade ( se é que alguma vez a teve, para além da "entourage" de fiéis seguidores recrutados na Juventude Centrista)...

Qual é o espanto?


Esta senhora ao lado de Fernando Ruas chama-se Dalila Rodrigues e era, até ontem, Directora do Museu Nacional de Arte Antiga. Foi ontem afastada do cargo e hoje veio a público manifestar a sua indignação. Francamente, não percebo...
Há tempos, a senhora manifestou publicamente o seu desagrado quanto à forma como estão a ser geridos os museus. Está no seu direito...mas a senhora exerce um cargo político, pelo que deve saber que o seu desempenho exige consonância com o (a) Ministro(a). Não existindo, o que a senhora devia ter feito, logo após ter tornado pública a sua discordância, era demitir-se. Não o fez... provavelmente porque as mordomias de alguns lugares fazem dobrar a coluna vertebral a muito boa gente. Preferiu ser demitida para se poder vitimizar e recolher a solidariedade da oposição de direita que, neste aspecto não pode dar lições de "dignidade" a quem quer que seja, pois ainda está na memória de muitos o seu comportamento recente. Para os mais distraídos lembro apenas que Bagão Félix demitiu- num só dia- 18 Directores Regionais da Segurança Social alegando ( adivinhem....) pois, isso mesmo!
Não passa de um mero exercício de hipocrisia política carpir mágoas por esta demissão. Se assim fosse, os políticos quando estão na oposição não fariam outra coisa. O melhor que a descontrolada direita tinha a fazer, era aproveitar o Verão para reflectir um pouco sobre as asneiras sucessivas que anda a fazer. Prefere a "chicana" e está a descredibilizar-se. Podem apontar-se tantos erros ao Governo de Sócrates, para quê insistir em transformar em factos políticos, situações cuja normalidade é tão facilmente explicável?

Depois queixem-se...

Ontem, depois do anunciado acordo entre António Costa e José Sá Fernandes, os blocos informativos de todos os canais de televisão - e algumas estações de rádio-anunciaram que uma das cláusulas do acordo, impostas pelo bloquista, exige que os construtores civis coloquem no mercado quotas de habitações a preços controlados.
Logo de seguida era emitida uma peça onde um dirigente de uma associação de construtores ( AECOPS) denunciava a medida como própria do regime cubano. Para completar a triologia , eram passadas declarações do inenarrável Dr. Negrão anunciando à população de Lisboa – com ar compungido e alarmado- a catástrofe: “a Câmara de Lisboa vai passar a ser gerida pela extrema –esquerda!”.
O que espanta em tudo isto, não é a coincidência de alinhamentos das peças nos diversos serviços noticiosos da rádio e televisão portuguesas. Tão pouco me espantaram as declarações catastrofistas do dr. Negrão ( bem mais ponderadas foram, surpreendentemente, as do Prof Carmona Rodrigues...) Muito menos me surpreenderam as declarações pacóvias do “pato bravo”, pois o sector empresarial português- ao contrário do que muitos proclamam- não é constituído maioritariamente por empresários cultos, conscientes e profissionais . (Felizmente eles existem, mas são poucos e, ao contrário do que seria desejável, é por serem empresários na verdadeira acepção da palavra, que atingem notoriedade. Ou seja, o que devia ser regra é visto na opinião pública como excepção.)
O que verdadeiramente me surpreendeu nesta triologia informativa, foi o facto de não ter havido um único “apontamento” que esclarecesse os habitantes de Lisboa – e os portugueses em geral- que a prática das quotas do mercado de habitação a preços controlados é prática comum em cidades tão parecidas com Havana, como Nova Iorque ou Paris!
Fica por saber se a omissão foi fruto de uma atitude deliberada, ou de mera ignorância, mas fico com a certeza de que os portugueses foram ontem intoxicados com uma notícia falsa, cujos propósitos podem ser considerados obscuros.
Depois queixem-se que o metafórico Ministro Augusto Santos Silva fale de “jornalismo de sarjeta”! Eu não acredito nesse tipo de jornalismo, mas lá que existe, existe!

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Lisboa: amanhã, o Paraíso

Carta aberta ao Dr. António Costa

Soube pelos jornais que V.Exª toma hoje posse como Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Fiquei igualmente a conhecer algumas das suas prioridades para os dois primeiros meses de mandato: limpar as ruas varrendo os dejectos caninos, arrancar os cartazes de feira que conspurcam os edifícios, limpar fachadas, eliminar os “graffitti” de mau gosto, limpar os jardins e espaços verdes e ,a partir de 12 de Setembro, acabar com os estacionamentos selvagens (nomeadamente em segunda fila). Numa palavra, o que V.Exª promete aos lisboetas é o Paraíso!
Temo, caro Dr. António Costa, que quando amanhã começar a tentar pôr em prática as suas boas intenções, se aperceba finalmente que a Câmara que vai dirigir nos próximos dois anos não é a de Helsínquia, mas sim a de Lisboa. Sinto-me, por isso, na obrigação de o advertir que em Lisboa não vivem finlandeses educados, mas sim um subproduto da população portuguesa a que vulgarmente se chama – erradamente- lisboetas. A verdade, porém, é que a maioria dos lisboetas já não vive em Lisboa e, os que ainda cá vivem , estão acantonados em condomínios privados ou no bairro da Lapa. Sejamos por isso, claros: a população da autarquia que V. Exª estará a partir de hoje obrigado a gerir é hoje em dia constituída, maioritariamente, por uma mescla de saloios que há 30 anos vinha de carroça para Lisboa vender alfaces, com uma tribo de tiranetes que exploravam pretos em África e lhes “papavam” as filhas virgens, uns expatriados do interior do País que se acantonaram em Lisboa sempre com saudades da “terrinha” e da sua “horta” e uns quantos imigrantes de diversas proveniências. Ora esta população que hoje em dia habita Lisboa tem algumas características que convém não menosprezar e que me permito relembrar-lhe:

1- São ingratos. Apesar de o 25 de Abril- qual fada madrinha da Gata Borralheira- lhes ter permitido substituir a carroça por potentes máquinas; fornecido água potável canalizada e substituído o petromax por electricidade; facultado o acesso a uma parafernália de bens de consumo que a maioria nunca imaginou possuir; possibilitado a escolha do presidente de Câmara e conferido um vasto leque de mordomias a que não estavam habituados, os eufemisticamente chamados lisboetas são uns ingratos. Detestam políticos – como se não fosse graças a eles que conseguiram melhorar as suas condições de vida- e por isso os tratam como “escumalha”.
2- São ignaros- Esta mescla a que daqui para a frente apelidarei, generosamente, de população de Lisboa, apesar de ter sido polvilhada de Aramis, é pouco esclarecida. Pensou que não valia a pena votar no passado dia 15 de Julho, já que sendo o seu objectivo primeiro dizer mal de quem fosse eleito, não era necessário tanto incómodo. Além disso, a população de Lisboa desconhece não só a história da cidade em que habita, mas também o significados das pedras vivas que diariamente se atravessam no seu caminho e para as quais olham com profunda indiferença. Por isso lá afixam cartazes e espicham “graffittis” de mau gosto. É tão certo como a chuva em Dezembro, que por cada 10 cartazes que mandar retirar, no dia seguinte se erguerão 50 noutros locais da cidade.
3- São carentes- Se V. Exª pensa que vai acabar com os cócós de cão nas ruas de Lisboa, desiluda-se! Talvez não se tenha apercebido disso, mas a população de Lisboa é muito carente...Só assim se explica que hoje em dia nenhum habitante de Lisboa que se preze, dispense a companhia de um animal de estimação. Seja num T1 de 40 metros quadrados, seja numa “penthouse” de 200, há sempre lugar para um animal, seja ele um minúsculo “lulu” ou um mastodôntico São Bernardo. Em qualquer urbanização é possível ver todas as noites, nas áreas envolventes dos prédios, pessoas passeando os cãezinhos de estimação na hora de satisfazerem as suas necessidades. É um momento sublime e de grande significado sociológico. Como deve estar recordado, Salazar saía duas noites por semana, discretamente, para ver as montras e se inteirar dos preços dos produtos. No dia seguinte, reunia os seus Ministros, comunicava-lhes o que tinha visto, pedia-lhes as suas opiniões e depois decidia. Proponho a V. Exª que faça o mesmo, mas em vez de ir ver montras, observe os comportamentos dos cidadãos que passeiam os seus cãezinhos à noite. Verificará que a maioria deixa que os animais defequem à sua vontade, olham para as dimensões do dejecto e avaliam se o animal está totalmente “aliviado”. Depois seguem o seu caminho. Há alguns raros espécimens que se dão ao trabalho de pegar nos dejectos com um saquinho de plástico. Dizem-me que esses são os lisboetas que ainda vivem na capital nas mesmas condições dos habitantes de Lisboa.

4- São mal educados- A forma como tratam de suprir as carências afectivas, sem depois cuidarem devidamente dos dejecto do seu afecto, demonstra a sua falta de educação. Também cospem para o chão e estão sempre de dedo em riste fazendo gestos obscenos, mas a sua latente má educação é denunciada nos transportes públicos e quando conduzem. O seu lema é: tenho “pisca pisca, logo existo”. Por isso estacionam em segunda fila, em curvas , passadeiras, lugares para deficientes, em cima dos passeios, em paragens de autocarros e os outros que se danem. Se V.Exª conseguir acabar com isso não num mês, mas em dois anos, considerá-lo-ei um herói e serei o primeiro a subscrever a sua candidatura em 2009.

5- Julgam ser o centro do mundo- Um habitante de Lisboa julga sempre ser o centro do Universo. À sua volta tudo está mal, mas cada um sabe muito bem como pôr as coisas na ordem, porque ele é o exemplo acabado da perfeição. Por isso, encontra sempre justificação para não apanhar os dejectos do cão, estacionar o carro em transgressão, ultrapassar o sinal vermelho, abster-se no dia das eleições, etc. Os outros, que fazem o mesmo, é que têm falta de civismo...
6- São masoquistas- Caro Dr. António Costa, não desanime! A revelação que lhe faço antes de terminar esta carta ajudá-lo-á a resolver os problemas e a cumprir as suas promessas: os habitantes de Lisboa são masoquistas! Cheguei a esta conclusão ao ler os classificados do DN e do Correio da Manhã e constatar o elevado número de “dominadoras” que oferecem os seus préstimos... Ora um homem que gosta de ser dominado e humilhado por uma mulher entre quatro paredes deseja, no seu íntimo, ser humilhado e dominado por um poder superior. Acorrentado e chibatado, o habitante de Lisboa torna-se submisso, obediente e dócil. O que V.Exª terá pois que aprender é a usar as algemas e manejar a chibata. Sem usar a arrogância do sr. engenheiro, mas com a candura de uma mulher como Helena Roseta. Alie-se a ela e entregue-lhe a missão de tornar os saloios de Lisboa em exemplos de civilidade e conseguirá cumprir a sua promessa. E ainda lhe sobrará tempo para pegar nos dossiês e tentar pôr ordem no caos em que o Prof Carmona Rodrigues e a sua equipa deixaram a capital portuguesa.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Faltava-me a Mónica


Inspirem-se


Viagem ao mundo do Tango

Continuando com o registo estival, aconselho o último livro de Elsa Osório: “TANGO
Ao contrário do que o título possa induzir, não se trata de um ensaio sobre o Tango, mas sim de um romance em que Elsa Osório nos conduz, através da história do tango e da sua entrada na Europa, às sociedades parisiense e porteña ( Buenos Aires), desde finais do século XIX até à actualidade.
Histórico, comovente, é um livro imprescindível para quem conhece a Argentina e é apreciador de tango ( os locais onde a trama decorre são todos reais...), mas também de inegável interesse para quem gosta de histórias bem urdidas, onde o poder dos sentidos se alia com a vivência histórica.
Um aliciante extra para os amantes do tango: pelo menos na edição portuguesa ( ASA), o livro vem acompanhado de um disco com alguns registos interessantes.