sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Ainda o artigo do BB

Pois... para mim, o essencial do artigo do BB não é a "problemática religiosa". O essencial é uma ( acho chamada de atenção excessivo, mas fica mesmo asssim...) para o excessivo relevo que tem sido dado ao caso Millenium BCP e uma demanda de relativização de uma questão que está a ser encarada como superlativa no plano mediático, quando num mundo normal deveria ser tratada com menos empolamento.
Eu sei que não vivemos num mundo normal, mas permitam-me que eu queira ser normal. Confesso que não percebo ( nem quero...) as razões da desavença entre Jardim e Teixeira Pinto. Talvez perceba melhor as de Berardo (está em jogo o que é seu) mas também não estou certo se é apenas isso que o move...
O que verdadeiramente me preocupa é viver num mundo regido pelo primado da economia, que se sobrepõe às regras básicas da solidariedade humana, valor esse que, para mim, é o fundamental motor de progresso. Provavelmente estarei errado... mas gosto de viver com esses valores. Continuarei a ser lírico até ao fim ( assim o espero...)
Quanto às preciações que fazes ao BB desculpa lá, Arnaldo Gonçalves, mas continuo a ter por ele o apreço e amizade que nutro pelas pessoas que foram importantes para mim. Foi um dos meus "mestres" nos primórdios da minha actividade de jornalista e com ele aprendi muito. Errou durante o PREC? Talvez... mas quem não teve desvarios ( de esquerda e de direiat) naquela época que atire a primeira pedra. Sabes tão bem como eu que alguns dos lídimos representantes da política portuguesa mais conservadores foram "revolucionários" à época e - muito provavelmente- não se orgulharão hoje em dia de algumas barbaridades que então cometeram.
Se é fácil desculpar essas atitudes como "desvarios juvenis", também não se pode criticar quem manteve ao longo da sua vida os seus valores e as suas convicções, só porque em determinados momentos as achamos normais e mais tarde vimos a discordar delas. O mundo e as pessoas não podem ser analisados pela estricta regra da temporalidade...

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Kiran Desai

The Inheritance of Loss tem já tradução portuguesa. Na Porto Editora. Tentem esta versão. Avanço penosamente na versão original. O livro é lindissimo e profundo mas o vocabulário rebuscado. Perde-se muito do pormenor poético e descritivo e o uso conjugado do dicionário para mim é penoso. Arrisco na tradução embora algumas edições da Gradiva e da Bertrand deixassem muito a desejar. Vejam o que digo aqui.

Man Booker Prize 2007

Anunciada a longlist do reputado Man Booker Prize, o prémio para a melhor obra literária publicada em língua inglesa. Com base nesta lista de 13 livros será para o fim do ano anunciada uma mais curta donde será seleccionado o melhor do ano. Tenho, religiosamente, seguido os critérios da comissão Booker, onde pairam alguns dos grande valores da novelística inglesa. Recordo que o ano passado foi galardoada Kiran Desai, a escritora anglo-indiana, com a obra Inheritance of Loss publicada pela Grove Press em 2006.
Da lista deste ano chamo a atenção para On Chesil Beach do galardoado Ian McEwan já disponível na Gradiva e para dois autores com obras anteriores publicadas em português: Nicola Barker, À Flor da Pele [Gradiva]; Anne Enright, O prazer de Eliza Lynch [Teorema].
Aqui vai a lista sem ordem especial e com o editor entre parêntesis:

  • Nicola Barker, Darkmans [Fourth Estate]
  • Edward Dock, Self Help [Picador]
  • Tan Twan Eng, The Gift of Rain [Myrmidon]
  • Anne Enright, The Gathering [Jonathan Cape]
  • Moshin Hamid, The Reluctant Fundamentalist [Hamish Mamilton]
  • Peter Ho Dacvies, The Welsh Girl, [Sceptre]
  • Lloyd Davies, Mister Pip, [John Murray]
  • Nikita Lalwani, Gifted [Viking]
  • Ian McEwan, On Chesil Beach [Jonathan Cape]
  • Catherine O'Flynn, What was lost [Tindal Street]
  • Michael Redhill, Consolation, [William Heinemann]
  • Indra Sinha, Animal's People [Simon & Schuster]
  • A. N. Wilson, Winnie & Wolf [Hutchinson]

For those about to admire... we salut you


Numa adaptação livre de um célebre tema dos AC/DC.
For those about to rock, we salut you.
Uma parte do mais interessante que as gentes portuguesas produziram nos últimos anos...

Excessivo

Permito-me discordar do tom comicieiro de Baptista Bastos na sua crónica assanhada no DN. Não me movem simpatias particulares com a Opus Dei, mas cruzo-me com algumas das suas figuras emblemáticas na Universidade Católica, onde tirei o mestrado e tiro agora o doutoramento. É de péssimo gosto atacar os outros pelas convicções religiosas que têm e pela prática da sua religião de escolha, ainda que minoritária. Não temos direito a isso. A democracia consiste nesse pudor e a primeira das liberdades como ensinou Benjamin Franklin é a liberdade de religião. Que o Sr. Baptista Bastos no seu esquerdismo ressaibiado se contenha com um ateiismo básico e virulento está no seu direito. Mas é preciso lembrar que este anti-clericalismo buçal deu o resultado que pagámos com 50 anos de salazarismo e o resto que nos andamos a levantar. A suficiência do Sr. Baptista Bastos como do Sr. José Saramago tem a mesma origem: o estalinismo bolorento da escola comunista do PCP. No PREC de 1975, o segundo entretinha-se em sanear quem não era do Partido Comunista Português e apelidar de reaccionário quem não alinhava com a sua retórica e a direcção dos comissários políticos. Todos temos memória dos Processos de Moscovo e dos campos de concentração da Sibéria. Aqui ainda pensaram mandar-nos para o Campo Pequeno.
Tenho de memória que o Sr. Baptista Bastos fazia parte da clique de Saramago no DN e não teimo mais porque não tenho documentação.
Desculpa Carlos Oliveira mas já enoja tanta prosápia e hostilidade com o que não se sabe.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

As guerras do Millenium

A propósito deste tema que tem ombreado nos últimos dias com a recente evolução do "caso Maddie" nos destaques informativos desta triste "silly season", não resisto a recomendar a leitura do artigo de Baptista Bastos no DN de hoje.
Para aguçar o apetite, aqui fica um pequeno extracto:
" ...E os graves e solenes eng. Jardim Gonçalves e dr. Paulo Teixeira Pinto, irmãos de congregação, de terço e de novena, desavieram-se. Na luta pelo poder não há lealdades irredutíveis nem lembranças queridas. Quando Joe Berardo fala dos 40 guarda-costas que protegem Jardim Gonçalves de perigos medonhos, e de aviões particulares ao serviço de amigos do fundador do BCP, começamos a imaginar uma instância de direitos, fronteiras, mapas e mitologias que escapam ao nosso modesto mundo."...

TorreBela:um postal do PREC


Por estes dias, várias salas de cinema em Portugal exibem a mais recente versão do sempre inacabado documentário Torre Bela”.
Documento histórico insubstituível dos conturbados tempos do PREC, Torre Bela” reconduz-nos a momentos únicos do Verão Quente de 1975, passados numa herdade da Azambuja, pertencente ao Duque de Lafões que servia de reserva de caça para os amigos e de local para encontros secretos entre a PIDE e a CIA.
Ao bom estilo do denominado “ cinéma vérité”, o documentário de Thomas Harlan retrata, na cadência das imagens captadas em tempo real, a vida de um grupo de trabalhadores rurais sem trabalho que ocupou a herdade e acreditou na utopia. No grupo havia de tudo: gente de trabalho, emigrantes, ex-presos políticos, vagabundos... mas não havia partidos políticos nem movimentos sindicais, porque a ocupação foi feita de forma espontânea.
Sou contemporâneo de “Torre Bela”. Tive o privilégio de, na altura, ter conhecido vários jovens sul-americanos – alguns deles jornalistas- que estiveram na herdade da Azambuja e com quem estabeleci relações de amizade que ainda hoje perduram. Quando nos encontramos o “case study” de “Torre Bela” vem sempre ao palco das conversas , pois tratou-se de um momento genuíno de acção popular.
Soube recentemente, através de uma amiga chilena, que o documentário foi exibido este ano em Cannes. Prova evidente de que 30 anos volvidos sobre um dos momentos mais marcantes do PREC, a vivência de “Torre Bela”- filmada sem truques e sem outros comentários que não sejam os que a realidade transmite- continua a constituir um registo histórico, sociológico e político de um período irrepetível da História do Portugal Contemporâneo.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Impotência ou como o sexo forte já não é o que era

[...]As mulheres brasileiras são as que se sentem mais prejudicadas pela impotência sexual masculina, segundo revelou uma pesquisa realizada pela farmacêutica Bayer Healthcare.
O estudo Sexo e a Mulher Moderna investigou como as mulheres se sentem em relação às suas vidas sexuais e explorou o impacto da disfunção sexual masculina nos relacionamentos.
No Brasil, 45% das entrevistadas disseram se sentir prejudicadas quando o parceiro sofre de dificuldade de erecção. Na América Latina essa percentagem é de 37% e na Europa, de 23%. As britânicas são as que menos se sentem afectadas pela impotência sexual masculina.
A pesquisa, que ouviu 14 mil mulheres de 14 países, identificou o novo perfil sexual da mulher moderna: a "mulher vitassexual"[...]