quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Primárias americanas

A prestigiada revista norte-americana Slate faz um score do valor de mercado dos principais candidatos às presidenciais americanas de 2009. Dá uma ideia curiosa do alinhamento das preferências dos eleitores americanos. Cortei o segmento inferior dos candidatos por praticamente não terem quaisquer hipóteses à eleição.

2008 Presidential Race (click)
Current Market ValuePer Candidate
Current IndividualMarket Values
Intrade -Candidate/Party/Price/Change

Hillary Clinton
D 37.00+1.900
Rudy Giuliani
R 19.90+0.100
Barack Obama
D 14.80+1.800
Fred Thompson
R 10.00+0.000
Mitt Romney
R 8.60 +0.600
Al Gore
D 4.70+0.700
John Edwards
D 4.50+0.300
Michael Bloomberg
R 4.00+0.000
John McCain
R 3.90 +0.200

Sobre o caso Edmundo Ho...

escrevi aqui:
(...) É evidente no caso sob comentário que o Chefe do Executivo cumpriu aquilo que estava obrigado pela Lei Básica, isto é, apresentar a declaração perante o Presidente do Tribunal de Ultima Instância da Região, para efeitos de registo. E a mais não era obrigado. Presumivelmente - e é isso que se espera de um titular de cargo público - actua em obediência à lei pondo o interesse público acima dos interesses privados.
O bruá que este “caso” suscita tem um outro contorno que importa desmistificar e que tem a ver com o que habitualmente designo pelo “complexo de esquerda”. De acordo com o espírito-santo-de-orelha da esquerda, o político honesto, fiável, íntegro é o que não tem bens nem interesses pessoais, logo não é influenciável. Essas qualidades são monopólio da esquerda, pois a direita está presa aos interesses de que é serventuária. (...)


O resto no JTM, aqui.

O trading-off da Libia

Lido no Le Monde
(...) Quelles ont été les véritables contreparties offertes à Tripoli en échange de la libération des infirmières bulgares et du médecin d'origine palestinienne ? Chaque jour, de nouvelles révélations percent un peu le mystère. Dernière en date : l'annonce par la Libye, jeudi, de la signature d'un important contrat d'armement avec la France.
Ce contrat porte sur l'achat de missiles antichar Milan à hauteur de 168 millions d'euros, selon une source officielle libyenne, citée anonymement par l'AFP. Ce contrat aurait été conclu avec MBDA, une filiale d'EADS, numéro un mondial des systèmes d'armes guidées. Il s'agirait du premier contrat d'armement signé par la Libye avec un pays européen depuis 2004 et la levée de l'embargo.
Tripoli aurait parallèlement signé un deuxième contrat de 128 millions d'euros, cette fois-ci avec EADS pour un système Tetra de communication radio, toujours selon un haut responsable libyen (...)

Mais, aqui.

Alguém explica isto? Em troca de libertação das enfermeiras búlgaras, recebidas no seu país como heroínas nacionais, Paris celebra contratos de altissima tecnologia militar com Kadhafi, o tirano líbio. Pelos vistos os contratos estavam no compromisso debaixo-da-mesa com a diplomacia europeia e essa figura brilhante do socialismo europeu chamado Javier Solana. Paris apanhada com a colher no acucareiro?

Cem dias de incompreensão

Há muito tempo que não leio livros policiais e vejo poucos filmes e séries do género. No entanto, não deixei de me surpreender ao ouvir as declarações do responsável da PJ pelas investigações do desaparecimento de Maddie McCann.
Entrevistado pela jornalista da RTP, Sandra Felgueiras, Olegário de Sousa afirmou que as análises ao sangue encontrado no quarto de onde a miúda desapareceu só agora foram solicitadas, porque na altura do desaparecimento apenas se colocou a hipótese de rapto.
Ora bolas! Desde cedo aprendi com Poirot e Perry Mason, que à partida não se deve abandonar qualquer hipótese e todas as linhas de investigação devem ser analisadas...
Que a PJ tenha achado irrelevante seguir a pista da morte até terem passado 100 dias após o desaparecimento, vá que não vá... mas como é que a imprensa inglesa vai explicar aos seus leitores a negligência da polícia britânica que não alertou a PJ para essa possibilidade? Eles, pelo menos, leram Agatha Christie, que diabo!

Reportagens imaginárias- 4 PSD reage à ausência do Governo na homenagem a Miguel Torga

Marques Mendes reagiu ontem, no Pontal,à ausência do Governo no centenário de Miguel Torga.
No seu já habitual discurso inflamado, o patrão do PSD afirmou:
É inadmissível que o Governo não tenha estado presente no centenário de Miguel Toga..."
( Paula Teixeira da Cruz atrás de Mendes, em surdina) “ Não é Toga, é Torga!”
“A ausência na homenagem a Miguel Tórrega só demonstra que o Governo está cada vez mais afastado do povo português” prosseguiu inflamado, para logo de seguida assegurar:
“Provavelmente, a ausência do Governo deve-se ao facto de saber que Miguel Tórrega, se fosse vivo, estaria contra o aeroporto da Ota!”

Miguel Frasquilho ( para Luís Filipe Menezes). “Eh pá! Não me digas que o Torga era engenheiro!
Luís Filipe Menezes (incomodado)- “Não, era meu colega!”.
Miguel Frasquilho ( surpreso) – “Eh pá, não conheço nenhum autarca com esse nome!”
Luís Filipe Menezes ( irritado) – “Não era autarca po... era médicooooo!”
Miguel Frasquilho (incrédulo) - “ Eh, pá! Se eu soubesse que eras médico já te tinha manifestado o meu apoio. É que eu sou um bocado hipocondríaco, como o Malato...”
Luís Filipe Menezes ( apaziguador)- Pronto, está bem, quando precisares de alguma coisa telefona.
Paula Teixeira da Cruz (assertiva) - “Vocês os dois aí a cochichar não devem andar a tramar coisa boa... Já estão a engendrar alguma forma de atacar o Governo por ter desistido da Ota e agora escolher Alcochete”?
Luís Filipe Menezes ( radiante) – “Boa, Paula! Acabas de me dar uma excelente ideia para eu achincalhar o Marques Mendes”
Duas horas depois, aos microfones da SIC Notícias denunciava:
Ainda hoje tivemos uma prova de que o dr.Marques Mendes está completamente desfasado da realidade portuguesa! Falou do aeroporto da Ota, esquecendo que o Governo já abandonou essa ideia peregrina, e que agora defende a construção do novo aeroporto em Alcochete. O PSD precisa de um líder actualizado e actuante, como eu prometo ser. É preciso denunciar o Governo por esta decisão precipitada, sem bases sólidas! Um novo aeroporto, sim, mas primeiro é preciso fazer estudos para verificar se a melhor localização não será, por exemplo, em Setúbal!”
( Fonte normalmente bem informada - Luís Filipe Vieira- asegurou-me que se espera para hoje um número indeterminado de deserções de élites no PSD)

ELVIS- "A tribute to the King"

Assinalam-se hoje os 30 anos da morte de Elvis Presley. Ídolo de uma geração, a sua vida gerou tanta polémica quanto a sua morte - que muitos ainda hoje se recusam a admitir. Nunca fui um fã incondicional de Elvis, embora lhe reconheça um indesmentível talento. Elvis foi - e é ainda hoje, graças a um marketing engenhoso-um fenómeno de vendas.
Tem 3 estrelas no "Hall of Fame" e uma legião de fãs que o idolatram e alimentam o mito.
Uma autêntica máquina de fazer dinheiro.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

60 anos da fundação do Paquistão

Há 60 anos o Paquistão vive como nação independente. Fruto de um penoso processo histórico o país resultou da concessão de independência à India, a pérola da Commonwealth, e da partição da Índia entre a maioria hindu e a minoria muculmana. Tratou-se de uma decisão dolorosa ainda hoje questionável mas permitiu minimizar a violência étnica e religiosa que seguiu à concessão de independência à India e a guerra civil que se lhe seguiu. Mas ela traduziu-se na divisão de famílias a meio e no isolamento e perseguição dos indianos de obediência muculmana que não conseguiram seguir o movimento de deslocação para o noroeste.
Arregimentados para diferentes blocos geoestratégicos durante a guerra-fria, India e Paquistão procuram hoje construir um diálogo que os ponha a coberta das sementes de guerra e ódio que uma vez os lançou na guerra. Um diálogo minado por desconfiança mútua, ódio racial e étnico, por uma enorme pobreza na periferia dos centros urbanos e pela barbaridade do terrorismo.
Conheço bem a India, um país extraordinário, mas nunca visitei o Paquistão. Estive em Jaisalmer a pouco menos de 100 km de Lahore. Mas gostaria de lá ir.
Sobre a história de 60 anos como nação, Moshin Hamid, no New York Times, aqui.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Uma tentativa de assassinato político

No Tribuna de Macau
[...] O Governo assegura que Edmund Ho não detém nenhuma participação indirecta na STDM e na Shun Tak, ao contrário do que noticiou ontem o “South China Morning Post”. Para isso, o governante e os seus advogados estão a tentar localizar a documentação que oficializa uma transferência de acções da Many Town para o irmão
A notícia “caiu” de forma surpreendente: a edição de ontem do jornal de Hong Kong “South China Morning Post” (SCMP) publicava uma história sobre uma alegada participação empresarial indirecta do Chefe do Executivo, Edmund Ho, na Sociedade de Diversões e Turismo de Macau e na Shun Tak, ambas controladas por Stanley Ho. Tal constituiria um claro conflito de interesses. Com a poeira a assentar, começa a ser possível traçar algumas explicações a um cenário que não está completamente esclarecido. Lateralmente, volta a estar sob fogo o regime de declaração de rendimentos e interesses patrimoniais dos titulares de cargos públicos da RAEM
[...]
Escrevo amanhã no JTM sobre as razões desta tentativa de assassinato político que em Macau não é original. Há 20 anos Carlos Melancia, hoje Ho Hau Wa. Os propósitos os mesmos: chacana política e jogo de interesses. A magnitude dos interesses que se jogam com o jogo e a liderança política do território são imensos. E as leituras várias.