domingo, 26 de agosto de 2007

Portugal e a Europa

Acabei de ler este livro, com coordenação de António Costa Pinto e Nuno Severiano Teixeira editado pelo Círculo de Leitores, em Julho de 2007. É um livro fundamental para se perceber o processo de adesão de Portugal à Comunidade Europeia. Colecção de testemunhos de Calvet de Magalhães, Xavier Pintado, Silva Lopes, João Cravinho, Siqueira Freire, Fernando Reino, Medeiros Ferreira, Ernâni Lopes, Jaime Gama e Mário Soares, prefaciado pelos dois primeiros. A história não foi bem como se contou com resulta de alguns dos vivos testemunhos dos protagonistas. Muito sentido-espírito-de-orelha e sorte. Desenvolvo análise aqui na coluna quinzenal do JTM.

sábado, 25 de agosto de 2007

Eduardo Prado Coelho, um desaparecimento

Leio agora no Diário Digital:
(...) Morreu o escritor Eduardo Prado Coelho. O professor e ensaísta Eduardo Prado Coelho, de 63 anos, faleceu hoje de manhã na sua residência em Lisboa, disse à agência Lusa fonte próxima da família.
Nascido em Lisboa em 1944, Eduardo Prado Coelho foi autor de uma ampla bibliografia universitária e ensaística. Eduardo Prado Coelho mantinha ampla colaboração em jornais e revistas e uma crónica semanal sobre literatura no jornal Público, para além de um comentário político quotidiano no mesmo jornal. Licenciado em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, doutorou-se em 1983 na mesma universidade. (...)

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Não me move a hipocrisia das sacristias. Não tinha em grande conta o intelectual (de esquerda) e o homem público, quer pela visão que tinha dos grandes problemas da sociedade portuguesa, quer (mais recentemente) pelas críticas virulentas que protagonizou contra Cavaco Silva bem como pela forma como se portou quando aqui esteve em Macau e insultou a mulher oriental em crónica no Público. Descanse em paz e que a terra lhe seja leve.

Leviathan of the Right

George W. Bush, reviled by the left ever since he became president, has recently accomplished the feat of acquiring a new and unlikely set of detractors. The longer he flounders in domestic and foreign policy, the more a vocal contingent of intellectuals and columnists allied to the Republican Party is attacking him. Unlike that of most Bush critics, however, their complaint isn't that the president has veered too far to the right. It's that he isn't conservative enough. In Leviathan on the Right, Michael D. Tanner offers the fullest exposition of this line of reasoning to date. Tanner is a lucid writer and vigorous polemicist who scores a number of points against the Republican Party's fiscal transgressions."–The New York Times Book Review

Golpe de estado constitucional na Venezuela

After only six hours of debate, Venezuela's National Assembly unanimously approved radical constitutional changes that abolish presidential term limits and envisage a socialist economy. The assembly is made up solely of supporters of President Hugo Chávez, because the opposition boycotted its election in 2005. The new constitution will be put to a referendum later this year.
Mais no Economist, aqui.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Rapidinhas 36-Não há tempo para mais

Decidi deixar de comprar o Expresso. Motivo: aderi ao movimento “Slowfood”

Rapidinhas 35- A bota e a perdigota

Recomendo vivamente a leitura do artigo da Fernanda Câncio no DN de hoje. Depois leiam a 1ª página do jornal e finalmente o “miolo” do destaque na página 16. Não diz a bota com a perdigota, mas temos que nos conformar, porque é o DN que temos hoje em dia...
Macário Correia não merecia o enxovalho.

Natascha Kampusch- o lado B


Ontem escrevi aqui sobre o rapto e sequestro de Natascha Kampusch, vendo a história pelo prisma da jovem austríaca.
No entanto todas as histórias têm uma face visível e uma parte oculta. Chamemos a esta face oculta, “lado B”. Nos discos de vinil, a face B era quase sempre a mais fraca. Em alguns casos, era apenas uma versão diferente da música que se ouvia na face A e, em casos raros, excepcionais, aconteceu que a face B acabou por se tornar mais conhecida e popular do que a face A
No jornalismo devemos aplicar o mesmo princípio quando nos deparamos com uma história. Normalmente, a versão que é publicada é o lado A Mas há sempre um lado B, aquele que depois de analisada a história nos parece menos verosímil e vai parar ao lixo ou fica retido nos arquivos da memória. Aplicando este princípio ao cativeiro de Natascha Kampusch, o lado A é o mais simpático ( a história vista pelo lado da vítima) e o lado B é a história vista na perspectiva do mau da fita: o raptor .
Para analisar o lado B desta história impõe-se que comecemos por perguntar: E se Natascha, afinal, não fugiu do cativeiro?
No lado B desta história , então terá sido libertada. Por quem? Pelo próprio raptor, como é óbvio. E o que levaria Wolfgang Priklopil, a libertar a jovem ao fim de tantos anos? Esta pergunta pode ter várias respostas.
Poderá não ter aguentado por mais tempo a pressão que ao longo dos anos se foi avolumando. Terá temido não poder manter muito mais tempo Natascha em cativeiro. A criança que raptara tornara-se adolescente, crescera cultural e intelectualmente, em breve seria mulher e começara já a esgrimir argumentos que o levaram a desenvolver um complexo de culpa que não se sentia capaz de suportar. Temeu que Natascha começasse a arquitectar estratégias de fuga, e que um dia conseguisse concretizá-la. Isso significaria que tinha sido derrotado pela sua vítima- outra ideia que dificilmente poderia suportar e inevitavelmente o conduziria ao suicídio
Por isso decidiu que o melhor seria libertá-la. Seria- no seu ponto de vista- a única maneira de sair com alguma dignidade de toda esta história e, de certo modo, manter Natascha refém de uma relação depois da sua morte. Consegui-lo seria, pelo menos, uma meia vitória...
Mas outra questão se coloca. Terá Wolfgang Priklopil dito a Natascha Kampusch que a ia libertar, tendo previamente conversado com ela e explicado os motivos que o levaram a raptá-la e mantê-la sob sequestro, cativando a sua simpatia e aproveitando os efeitos positivos ( para ele) do desenvolvimento, em Natascha, do “síndrome de Estocolmo”? Ou terá simplesmente simulado uma distracção que permitisse a fuga, dando à jovem a ideia de que fora ela a libertar-se?
Só a primeira hipótese justifica o conformismo de Natascha,os sentimentos de “pena” em relação ao seu sequestrador, a ida ao seu funeral, a visita à casa e a recusa em vendê-la. É o “síndrome de Estocolmo” a lembrar-lhe que a sua liberdade só foi possível, em troca da morte do seu algoz .
A fuga – sem consentimento- não encaixa bem no lado B desta história.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

S. Bartolomeu

Hoje é dia de S. Bartolomeu e aniversário (1572) do início do massacre com o mesmo nome perpetrado por milícias católicas contra crentes huguenotes, e que se arrastaria por vários meses em França, dele resultando vários milhares de mortos. O combate irracional pela promoção da fé trouxe sempre resultados desta natureza e horror. O combate das ideologias surgiria no século XX e pareceu episodicamente substitui-lo. Mas o primeiro regressaria em força após o 11 de Setembro de 2001, ao mesmo tempo que as ideologias se retiravam para a sombra da história.