terça-feira, 28 de agosto de 2007

Tragédia Grega- Parte II

(...)Sena Santos (DN) passa em revista a imprensa internacional sobre os incêndios na Grécia. Parece uma reprise das páginas escritas sobre os piores anos de fogos em Portugal. Sem tirar nem pôr, estão lá todas as explicações que por cá também se usam… quando já é tarde.
Só falta acrescentar que os conservadores no poder decidiram aproveitar a comoção nacional para marcar eleições legislativas antecipadas para 16 de Setembro. Uma campanha no braseiro, portanto. Seria muito bem feito que quem assim explora a sua própria incompetência e a desgraça alheia pagasse caro a ousadia.
( Miguel Portas em “Sem Muros”)


Palavras para quê ?A direita cultiva a hipocrisia e compraz-se a criticar a esquerda, pela simples razão de não ser capaz de se ver ao espelho...

Off- Shore para o bom senso, precisa-se!

A Grécia está em chamas. Vivem-se por todo o país momentos de angústia e chora-se a morte de muitas dezenas de pessoas. A Europa inteira partiu em socorro dos gregos, condoída com o drama que se vive no país. A 1ª jornada do Campeonato de futebol- que se devia ter jogado no último fim de semana – foi adiada. Mas hoje, ao fim da tarde, há futebol em Atenas. Para as competições europeias.
Os gregos pediram à UEFA o adiamento do jogo, alegando falta de condições psicológicas. Os adversários espanhóis do Sevilha estavam de acordo. Embora por razões diferentes, também eles vivem momentos de dor, temendo pelo futuro de um colega que luta desesperadamente pela sobrevivência.
Nada a fazer. Insensíveis ao drama, os senhores da UEFA mostraram-se inflexíveis. Não haverá adiamento. A bem da transparência no futebol-defendem.
As vetustas aves de rapina que comandam os destinos do futebol europeu, cobrindo-se de afrontosas mordomias, são insensíveis à dor e ao drama. Para eles, o mais importante da vida é garantir que um jogo de futebol se realize à hora marcada. Talvez o seu sonho seja, mesmo, morrerem à frente de um pelotão de fuzilamento...num campo de futebol.
Pensei que com Platini, o futebol europeu ganhasse um pouco mais de Humanidade e se diluíssem um pouco os efeitos nefastos da vertente industrial e financeira que o está a minar. Enganei-me... Platini foi rapidamente engolido na voragem de insensibilidade que varre o futebol – e o desporto profissional na generalidade.
O mundo ocidental está mesmo a precisar de um off-shore. Não daqueles onde se branqueiam capitais, mas sim um onde se lavem as consciências e se adquira bom senso. É que, como eu, há milhões de pessoas em todo o mundo que adoram futebol...

Sobe, sobe bandeirinha....

O português Nelson Évora conquistou, esta segunda-feira, a medalha de ouro na final do triplo salto dos Campeonatos do Mundo de atletismo, que se disputam em Osaka, Japão, graças a um novo recorde nacional, de 17,74 metros.

Portugal campeão do mundo, numa modalidade que tem sabido rechear de talentos. Curiosamente (ou talvez não) numa modalidade que assenta no esforço individual, na capacidade de sacrifício, e na crença. No colectivo somos fracos, mas os nossos valores individuais brilham, quando lhes é permitido lá fora. Muito trabalho e descrição. Curioso o contributo forte das gerações africanas já nascidas em Portugal para o prestígio de Portugal. Três negros a baterem-se forte na mais nobre (para mim) das modalidades olímpicas. Parabéns ao Nelson Évora. Torçamos pelos outros.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Silly Season

Não sei se a silly season já acabou mas o fluir das notícias que chegam de Portugal é absolutamente desinteressante. Nada acontece. Os protagonistas políticos a banhos, os jornalistas na modorra dos dias de Verão, os juízes encalacrados com processos que não acabam, empastelados por uma lógica garantística que não persegue a Justiça mas os expedientes processuais, onde os advogados "bicam". Na cultura não vi ainda o programa da nova temporada da Gulbenkian. Há anos que não vou a um espectáculo de música clássica em Portugal. Os concertos de música moderna são interessantes como já alertei. Pontuá-los-ei aqui a partir de Setembro próximo.

Séries

Uma das rotinas que se cria com a TV Cabo (aqui tem um nome diferente) é seguir as séries que a pulsante indústria cinematográfica (principalmente a america) vai pondo cá fora. Cá em casa dividimo-nos nas preferências mas fico preso por algumas das séries mais conseguidas que tenho visto. Lost (aqui na 3.a Season), Criminal Minds. Deixei de ter paciência para o 24 horas. O tema interessa-me (o terrorismo) por razões académicas mas o argumento é mastigado, repetitivo e os intervalos publicitários (aqui explorados até ao limite) são chatos. O presidente bem-intencionado mais o vice-presidente que o trai, mais a intriga palaciana, depois os terroristas que se revelam tecnicamente mais apetrechados que as unidades de contra-terrorismo. Enfim...

Escrita

Regresso ao exercício penoso da escrita. É como compor uma peça de música ou fazer um lego. Peça por peça, expressão por expressão, anotação por anotação. O outro já está na tipografia (edição Livros do Horizonte) e é sobre a Europa e os Estados Unidos. Este é sobre a China: entre o poder e o direito. Um livro policromático escrito em tempos diferentes e agora "cosido" com os olhos de hoje. Procurando captar, congelar, a voragem dos acontecimentos entre o passado revolucionário (exaltante) e as exigências de construir uma sociedade moderna, buliçosa, empresarial. Um regime fechado, autocrático, com uma elite secretista, entrópica que olha com arrogância para a sociedade (por baixo) que muda, muda muito. Que diferença entre a China que conheci em 1989 e a que se vê hoje? A um ano dos Jogos Olímpicos, provavelmente a maior encenação política desde os Jogos de Moscovo, a prisão dos dissidentes segue imparável. Mas a democracia é um objectivo longínquo. Não acredito em soluções à USSR. Acontecem uma vez num milénio. Vamos a ver o que sai do XVII Congresso do PCC. Não é que o partido tenha mudado, os comunistas não mudam. É ver uma nova geração ser chamada a responsabilidades públicas. A minha.

Hoje é o dia...

da inauguração do Venetian Resort, o maior projecto imobiliário do mundo. Uma cidade dentro de uma cidade.

Samuel Huntington tinha razão?

(...) Perante o desafio em analisar a teoria de Samuel Huntington sobre a tipologia dos futuros
conflitos mundiais, indaguei-me profundamente sobre qual a metodologia que deveria
utilizar bem como sobre a minha capacidade de desconstruir alguns preconceitos que,
humanamente me poderiam condicionar numa análise que se pretende séria, desapaixonada
e científica.(...)
Paula Araújo num inteligente artigo no site do CIARI, um fórum inovador de relações internacionais.