domingo, 2 de setembro de 2007

Picante à francesa

Não há nada mais picante na política francesa que uma boa traição matrimonial. As revistas cor-de-rosa pelam-se por estas histórias e são famosas as traições de François Miterrand (e a ligação extra-matrimonial de que teria uma filha), as aventuras de Jacques Delors ou de Giscard d'Estaing.
Mas até agora não tinha acontecido nada parecido ao caso de uma discreta militante socialista francesa que aproveitaria a sua relação matrimonial com o presidente do Partido Socialista Francês - François Hollande - para se abalançar a uma candidatura à presidência da França - à margem do aparelho socialista - e agora lançar-se à conquista do próprio lugar do marido no partido. As mulheres são terríveis e o caso de Ségoyane Royal é bem o exemplo da máxima maquiaveliana que todos os meios justificam os fins, principalmente em política. E que normalmente o debate sobre os princípios esconde apenas uma mera compita pela tomada do poder interno. Revelando-se incapaz de "conter" a proactividade e assertividade da mulher, François Hollande falha o casamento e arrisca-se a perder o partido. Nada poderia correr pior aos socialistas franceses depois da derrota na corrida presidencial e da derrota nas eleições legislativas deste ano. Mas com uma candidata de sangue "royal" nada há a fazer.

Regresso à agenda política

Estamos em Setembro. Regressa o tempo político, depois de um Verão marcado pela continuação da guerra no Iraque, a crise dos reféns sul-coreanos no Afeganistão (entretanto regressados a Seul em troca de um resgate no valor de 2 milhões de US dolares conforme comentava a imprensa japonesa, no fim-de semana), os fogos na Grécia (e a revelação da incapacidade nacional para resolver a crise), a subida de Hilary Clinton em todas as projecções de voto nos Estados Unidos.
Pelo "rectângulo" lusitano nada de monta para além dos habituais "shows" de Alberto João na festa do Pontal, as partes gagas de Marques Mendes sobre a demissão de uma funcionária pública, e o silenciamento à volta do processo OTA.
Curioso que há mais de um mês nada se fala no assunto, tendo caducado (creio) o prazo que Sócrates deu ao LNEC para elaborar o estudo de impacto (e viabilidade) das soluções alternativas. Será que a holding imobiliária (ligada a Almeida Santos e à família Soares) que comprou os terrenos à volta do projectado aeroporto entrou numa solução de compromisso?

sábado, 1 de setembro de 2007

Por Macau

A grande notícia do fim-de-semana é a renúncia à nacionalidade portuguesa de duas conhecidas figuras de Macau, os advogados Jorge Neto Valente e José Manuel Rodrigues. Renúncia associada à provável candidatura dos dois à Assembleia Popular Nacional (RPC) por Macau. Trata-se de uma situação bizarra. Neste momento, há várias figuras prominentes da comunidade macaense (Leonel Alves, Carlos Marreiros entre eles) que optaram pela nacionalidade chinesa, renunciando ipso facto à portuguesa. A lei chinesa não permite a dupla nacionalidade e o acesso a lugares do executivo da RAEM, bem como presidente da Assembleia Legislativa de Macau está reservado a cidadãos de etnia chinesa. O mais estranho é o caso de JNV, figura cimeira dos socialistas de Macau, nascido em Lisboa e sem qualquer sangue chinês na família. Há naturalmente consequências em termos da protecção consular e dos documentos de viagem na Europa e o acto está visto como um corte radical com Portugal.

Clarificação

(...) Em primeiro lugar, causou-me estranheza que um diploma aprovado POR UNANIMIDADE na Assembleia da Republica tivesse sido vetado pelo PR (...)

O diploma da GNR não foi votado por unanimidade mas por maioria. Votou a favor...o PS. Quanto aos demais argumentos não creio que Portugal tenha condições para um regime folgado de responsabilidade extrajudicial. O veto de Cavaco faz todo o sentido.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Cenas de vida 17- Férias na Jamaica



- Então que tal as tuas férias na Jamaica?
- Ai, querida, foram óptimas! Uma semana fantástica, longe daqui, desta pasmaceira
- Não apanhaste o tufão?
- Ó querida, ali não há tufões, só furacões como nos Estados Unidos!
- Está bem, mas não estavas na Jamaica quando passou lá um furacão?
- Estava, estava. O Dean por acaso foi um bocado chato...
- ?....
- Imagina tu que no dia a seguir a lá chegarmos estávamos cansados da viagem e só estivemos para aí meia hora na piscina. Depois, no dia seguinte, estava um dia óptimo e tomámos uns banhos que nem imaginas (ai aquelas águas!) que maravilha. E à noite o “reggae”? Ó querida só visto! Aquilo é Bob Marleys por toda a parte...
- Não estás muito queimada, acho que andáste mais nas noites do “reggae” do que a gozar a praia.
- Pois...logo no terceiro dia disseram-nos que vinha um furacão e já nem pudemos ir à praia porque nos avisaram que a qualquer momento nos iam transportar para um hotel mais seguro. Só deu mesmo para comprar umas bugigangas numas tendinhas ao pé do hotel, porque à tarde levaram-nos para outro. Fantástico, minha querida, nem te passa pela cabeça aquela loucura. Só piscinas eram quatro e restaurantes contei pelo menos sete.
- Bem, pelo menos gozaste as piscinas, deixa lá...
- Não... não pudemos ir à piscina por causa do tempo. Estivemos dois dias quase sem sair do quarto e no dia em que o Dean passou por lá só comemos umas rações que os hotéis lá já estão habituados a preparar para os turistas em dias assim. No dia seguinte voltámos de manhã para o nosso hotel, mas o tempo ainda estava muito mau e o hotel tinha ficado muito afectado. E ao fim da tarde do outro dia viemos embora. Olha lá e tu onde passaste as férias ?
- Bem, eu não saí de Lisboa. Fui um dia ou outro com os miúdos até à praia, mas esteve sempre bastante vento...
- Ó querida, coitada! Ficar em Lisboa de férias com este tempo horrível que tem estado. Não consegues convencer o teu marido a oferecer-te umas férias decentes?


Rapidinhas 43- O fim da "silly season"

Termina oficialmente, este fim de semana, a “silly season”. Em minha opinião, pelo que se avizinha num futuro próximo, acho que agora é que vai começar, mas enfim, são critérios!
Pela minha parte, cumprirei o calendário oficial e a partir de segunda-feira só tratarei aqui de assuntos sérios. Assim, não escreverei mais sobre política, governo e partidos da oposição.Esperem por segunda-feira...

Leituras de fim de semana


Já estão a perceber porque escrevi esta manhã que iam perceber o título do meu primeiro post lá mais para o fim do dia? Pois é... O livro que recomendo este fim de semana tem o título “Até não perceber”.
Apesar da origem, acho o título um bocado cafona. O conteúdo, porém, é um prazer de leitura. Já aqui disse várias vezes que gosto muito da Fernanda Câncio. Aprecio-lhe a escrita, gabo-lhe o nervo e a ousadia. Além disso, a reportagem é para mim a razão de ser do jornalismo.
“Até não perceber” é composto por 15 reportagens bem ao estilo do que eu gosto de ler, bem ao jeito da Fernanda, que é uma jornalista que ainda gosta de se deslocar aos locais para fazer reportagens, em vez de ficar sentada na secretária à frente do computador- como hoje se usa. Se não acreditam...leiam!

Músicas de fim de semana


Não sou grande apreciador de colectâneas, mas esta semana faço uma concessão à prática comercialeira. É- apesar de tudo acredito...- por uma boa causa.
Uma homenagem a John Lennon para financiar a intervenção da Amnistia Internacional(AI) no Darfur, “Make Some Noises- Save Darfur” reúne alguns agrupamentos ( U2, Black Eyed Peas, The Cure...) e vozes ( Lenny Kravitz, Bem Harper, Jack Johnson ou regina Spektor) de qualidade .
Embora tenha as minhas reservas em relação à AI – a memória alguns casos vividos em Macau deixaram-me de pé atrás...- a qualidade do disco e o Darfur justificam a compra e a audição.