segunda-feira, 19 de março de 2007

Subir a parada

Lê-se na imprensa:
O líder do CDS-PP, José Ribeiro e Castro, garante que vai bater-se «tenazmente» contra qualquer assalto ao poder, mas nega estar agarrado ao lugar de presidente dos democratas-cristãos.
Em conferência de imprensa, Ribeiro e Castro garantiu que «ninguém» na direcção do CDS-PP «está agarrado ao poder», salientando que há duas semanas manifestou abertura à realização de um Congresso «sem nenhuma necessidade de o fazer».

Ribeiro e Castro responde ao lance e sobe a parada. A derrota existe só quando travado o combate. Depois disso ninguém dirá que fugiu ainda quando a lógica numérica aponta em seu desfavor. O problema - ao contrário do que Maria José Nogueira Pinto diz - não está em o partido ter ou se tornar um partido de arruaceiros. Está em que o PP já em muito deixou de ser CDS, isto é um partido de centro destinado a ser o terceiro vértice do triângulo entre a esquerda marxista e um PSD social-democrata. O PP é um fortissimo candidato à refundação da direita, comme il faut. E Portas quer ser o maestro dessa refundação que engulirá Manuel Monteiro e possivelmente a ala da direita do PSD.

Os dislates de Robert Mugabe

"We hold President Mugabe personally responsible for these actions, and call on him to allow all Zimbabweans the right to live without fear and to fully participate in the political process," declarou o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Sean McCormack.


Uma imagem da brutalidade do regime autocrático e sanguinário do Idi Amin dos novos tempos.

Reestrutuação consular e a oposição do PSD

O governo anunciou as linhas gerais da reestruturação consular, verificando-se recuos em França e nos Estados Unidos, países onde os emigrantes mais contestaram os encerramentos previstos. Segundo a imprensa dos três consulados a encerrar nos Estados Unidos, mantém-se o de Nova Bedford, enquanto o de Nova Iorque transforma-se em escritório consular e o de Providence passa a vice-consulado.
Em França vão encerrar quatro consulados em vez dos seis previstos [Versalhes, Nogent, Orléans e Tours] enquanto o de Lille se transforma em escritório consular e o de Toulouse em vice-consulado. Em Espanha, extingue-se o consulado de Madrid, sendo criada uma secção consular, bem como o posto de Bilbau. Os consulados de Vigo e de Sevilha, que se previa que fossem encerrados, transformam-se em vice-consulado e em escritório consular.

As representações diplomáticas e consulares extensas são um luxo de países ricos. Seguem uma lógica de projecção externa da imagem e dos interesses do estado e de serviço das comunidades emigrantes ou expatriadas. Sendo há 4 anos expatriado [depois de o ter sido antes durante 9 anos] tenho a perfeita noção de quais são as carências de representação externa e o que as comunidades expatriadas esperam dos representantes do seu país. Da minha experiência retiro que os diplomatas e consules são a maior parte das vezes agentes passivos da função de representação. Esperam, a mor das vezes, que os compatriotas os procurem a tomarem a iniciativa de se lhes mostrarem úteis. O problema reside na formação dos diplomatas a nível do Palácio das Necessidades mas também de falta de orientação e enquadramento do Ministro e dos Directores-gerais. É normal que as populações exigam tudo, se possível um representante do país em cada canto do globo. Mas cabe aos governos responsáveis fazer escolhas e tomar decisões quanto a essa rede.
Pela segunda vez parece que o governo socialista recua, como um trampalhão, quando as populações batem o pé e o fazem em alvoraça. Das duas umas, ou as escolhas e a lista das prioridades [ver comunicado do MNE] foi mal feita ou [se foi bem feita] não se percebe porque é que um governo legítimo recua, berante a algazarra, sempre que ela se manifesta pelas mais diversas razões.

Vai, assim, mal o primeiro-ministro. Primeiro, na reestruturação das maternidades e centros de saúde; agora, nas representações diplomáticas. Mas não está sozinho. Vai mal o líder da oposição, Marques Mendes, que responde ao governo ao safanão, sem tino ou lógica. O PSD parece-se cada vez mais com um Bloco de Esquerda do centro-direita. Simplismo de análises, verborreia e anacronismo são muito mau conselheiros.

domingo, 18 de março de 2007

Leituras a propósito da crise no CDS-PP

Talvez a descrição recente e mais interessante do uso da retórica, do embuste, do drama e da manipulação no jogo político na república romana é o romance Imperium de Robert Harris, com recente publicação pela Editorial Presença. Uma tradução, segundo me dizem, ao nível do sofrível. Li-o na versão original, inglesa.

Trata-se do relato da vida de Cícero, jurista e homem de estado romano e das suas relações com algumas das figuras mais conhecidas da república romana: Pompeu e César Augusto, entre outros. A qualidade da reconstituição histórica ultrapassa tudo o que tinha lido antes sobre a matéria. Um excelente guia sobre a política, os políticos e o jogo venal do poder.

Também tu Brutus

The fault, dear Brutus, lies not in our stars, but in ourselves if we are underlings.
Shakespeare

Um CDS entre facções e golpes de opereta

O escaldante conselho nacional do CDS-PP deste fim-de-semana revela um partido desmembrado dividido entre duas facções que jogam o tudo ou nada. O clamor de acusações e insultas lembra outros tempos na vida política portuguesa não só no CDS, mas também no PSD ou PP. É provavelmente uma questão de temperamento mas a luta política em Portugal joga com as paixões mais que a racionalidade.
O busílis resume-se em duas palavras. O Dr. Paulo Portas - ávido leitor dos clássicos - tendo abandonado a liderança do partido na sequência da derrota do centro-direita, há dois anos, quer regressar à liderança, volatilizando pelo caminho a actual direcção centrista.
E não o quer fazer de qualquer maneira mas da forma como os antigos generais romanos ambicionavam regressar a Roma depois de anos de campanhas gloriosas na Gália, na Ásia Menor ou na Ibéria: recebidos em parada triunfal às portas de Roma, sob a chuva dos aplausos e dos gritos da multidão, em quadriga puxada por corcéis brancos e usando na cabeça a coroa de louro dos heróis romanos. Algo que nos tempos antigos antigos era reservado aos Cônsules romanos, a mais importante função na administração romana.
Para isso não tem hesitado em denegrir a imagem do actual lider [o episódio da acusação de em 1985 ter rasgado o cartão de militante é disso exemplo] e pôr a lider do conselho nacional Maria José Nogueira Pinto a ridículo.
Todos os métodos justificam a apetência do Dr Paulo Portas pelo dramalhão a que meteu ombros, ainda que ele se traduza - muito provavelmente - na cisão da aula histórica do CDS-PP.
As directas são apenas o pretexto para a chacota em que teima - aparentemente - em viver atolado.
Terá a direcção do partido percebido que não se pode render desta forma aos repentes do antigo lider e irá forçá-lo ao que tudo indica a ir a Congresso para clarificar o jogo das forças, ou no código partidário dar a voz aos militantes.
O [desfecho] do congresso está definido à partida mas se percebo a estratégia de Ribeiro e Castro será esse o momento para lavrar o seu testamento político e pôr a nu a "ugly face" do lider popularucho dos populares.

Lido

"We're just good friends, honest", Economist.
"Musharraf's headache for the US", Saleem Shahzad no Asia Times.
"The New New World Order", Daniel W. Drezner na Foreign Affairs.

Lançamento livro "Marketing Inovador"

Mui excelentes leitores

Será no próximo dia 29 de Março, quinta-feira, pelas 18h30-20h00 que eu e o Doutor Bruno Valverde Cota lançaremos o livro "Marketing Inovador".

No Palácio Belmonte, em lugar de eleição.

www.palaciobelmonte.com

Páteo Dom Fradique,14
1100-624 LISBOA

Teremos um BusShuttle para levar os interessados entre o parque de estacionamento (Portas do Sol) e o Palácio.

Reservem na vossa agenda.

Faremos da ocasião uma oportunidade para nos revermos e convivermos.
Dois ilustres amigos (Professores Doutores Carlos Zorrinho e João Borges Assunção) farão uma alocução a que se seguirão tb breves intervenções dos dois autores e a habitual sessão de autógrafos.

Cumprimentos afectuosos e espero vê-los em Lisboa no dia 29.03.2007!