segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Europeus...mas não muito!

No post anterior, chamo a atenção dos leitores para a proliferação de estudos europeus referindo apenas a Europa a 15, situação que me deixa atónito. Pergunto-me, frequentemente, quais as razões que levam a determinar a mediana europeia num contexto de apenas 15 países, quando na realidade são 27 os Estados membros. Não pretendo encontrar aqui uma resposta, mas apenas dar alguns contributos para uma reflexão sobre o assunto.
Parece-me que esta prática dá razão àqueles que defendem uma “Europa a duas velocidades”. Há uma diferença gritante entre “os Quinze” e a maioria dos 12 últimos Estados a aderir à União Europeia. Recorrendo a um plebeísmo, diria mesmo que a maioria não cumpria os “critérios mínimos” ou seja, se a admissão à UE fosse feita pelos parâmetros de exigência dos Jogos Olímpicos, muitos dos 12 países não tinham sido admitidos.
Sabemos que a admissão em pacote dos países do Leste Europeu assentou numa estratégia política, resta saber se a Europa vai ganhar ou perder com isso. Não só em coesão, mas também no cumprimento dos objectivos para 2010 ( “tornar-se o espaço europeu o mais competitivo do mundo”).
As últimas atitudes de Putin ( bandeira no Pólo Norte, abandono do acordo de armamento, reforço de algumas posições militares estratégicas na Europa...) abrem uma porta para a dúvida sobre o acerto na estratégia ( quanto a mim precipitada...) do alargamento a Leste ( sim, eu sei que as acções de Putin têm a ver com a crescente hegemonia dos EUA, mas não descarto algum ressabiamento russo quanto à integração europeia de países que estiveram durante décadas na sua área de influência).
A verdade insofismável é que vivemos numa Europa com dois ritmos diferentes de desenvolvimento. Daí a minha dúvida. Sabendo que Portugal ocupa já o 18º lugar no “ranking” europeu -com tendência para descer ainda mais- que sentido faz incluir Portugal numa Europa a 15? Só um critério de temporalidade o justifica...
Há outra hipótese a considerar. A inclusão de Portugal deve-se ao facto de os seus padrões de desenvolvimento e crescimento estarem na mediana dos restantes 12, o que permite atenuar diferenças no seio da União Europeia, quando se fazem comparações a 27. Em ambos os casos, Portugal não fica bem no “retrato de família”. É como aquele gajo que está no cantinho da fotografia dos cursos de finalistas e todos perguntam quem é, porque ninguém se lembra dele...

Os portugueses – aparências, vergonhas e mitos...

Apesar das sucessivas desilusões com a construção europeia, continuo a ser um europeísta convicto. Tenho é cada vez mais dúvidas quanto à capacidade de Portugal alguma vez sair da cauda do pelotão europeu, onde se vem afundando há quase dez anos.
Falta aos portugueses empenho num projecto que identificam apenas como um saco de milhões que diariamente nos entra nos cofres, mas a que poucos sentem o cheiro. Os dinheiros de Bruxelas têm sido sobejas vezes desbaratados em projectos dispensáveis, em investimentos imprestáveis e em obras públicas faraónicas. Parcas vezes têm sido usados na construção e desenvolvimento do país, gerando mais riqueza ou permitindo aumentar a qualificação.
No entanto, aparentemente, os portugueses andam satisfeitos. Têm dinheiro para satisfazer as suas necessidades básicas e supérfluas e é quanto lhes basta para se sentirem de bem com a vida. As constantes subidas das taxas de juro têm-lhes retirado um pouco o sorriso, mas nem por isso lhes aumentam o siso. A maioria dos portugueses vive acima das suas possibilidades e consome mais do que as suas necessidades. O português vive na idiossincrasia do novo riquismo. Aparentemente está feliz com a sua “vidinha” de aparências, assente no princípio do “desenrasca”.
“Malgré tout...” de quando em vez apanha uns sopapos. Há tempos foi um putativo Ministro que decidiu viajar até à China para proclamar, prazenteiro, as vantagens competitivas de Portugal, graças aos baixos salários dos portugueses. Agora, foi a OCDE a divulgar um estudo onde se conclui que, apesar de o custo de vida ser 20% mais barato em Portugal do que na média dos países europeus, os portugueses têm salários 40% mais baixos do que a Europa a 15. ( Confesso que a sucessiva divulgação de estudos referentes a uma Europa a 15 me deixam atónito, mas isso explicarei noutro post...). A divulgação destes estudos deprime-nos. É que, embora saibamos que vivemos num mundo de faz de conta, não gostamos que os outros o saibam. Gostamos de manter as aparências de que somos ricos. Que o mundo saiba que afinal não somos, indigna-nos. Não porque estejamos dispostos a lutar para garantir salários de nível europeu e condições de vida idênticas aos nossos parceiros comunitários, mas apenas porque saber que os europeus ficam a conhecer as nossas fraquezas, nos envergonha.
Ora um país com um povo envergonhado que não se assume, não é um país com futuro. Daí o meu cepticismo quanto à possibilidade de Portugal vir, um dia, a estar na dianteira da Europa.

A crise belga

Incumbido no passado dia 15 de Julho pelo Rei, de estabelecer negociações que permitissem a criação de um Governo, Yves Lemert- o demo-cristão vencedor das eleições em Junho- desistiu a semana passada, considerando-se incapaz de cumprir a missão real e o mandato popular.
Flamengos e Valões estão cada vez mais distantes e, perante a passividade dos belgas, não fazem grande esforço para uma aproximação. Qual será o futuro do berço da União Europeia? A Bélgica conhecerá uma secessão e os eurocratas terão em breve que mudar de poiso? Um tema a seguir com atenção, sem dúvida...

Rapidinhas 38- Lisboa ao Cubo

Este fim-de –semana uma amiga desafiou-nos a ir à nova coqueluche da noite lisboeta. O Kubo é um espaço à beira rio concebido e explorado pelo clã familiar de João Rocha que justifica plenamente – apesar dos preços especulativos a que já me habituei na noite lisboeta – mais visitas.
Em noites quentes como a da última sexta-feira, com a Lua a reflectir a sua luz nas águas calmas do Tejo, os lisboetas não desperdiçaram a oportunidade de comungarem uma parte da noite com o seu rio, num espaço onde o bom gosto se alia à simplicidade. Muitas caras conhecidas, hordas de jovens em estágio exploratório antes de partirem para as discotecas e os “voyeurs” do costume.
A noite da última sexta feira foi de Lisboa ao Cubo. No Kubo.

Rapidinhas 37- Jamais digas jamais

É o que deve estar neste momento a pensar o ministro Mário Lino que este fim de semana veio admitir, pela primeira vez, a possibilidade de construção do Aeroporto em Alcochete. O próximo passo talvez seja admitir a viabilidade Portela+1...

O fim do "horizonte"

Sempre polémico, Eduardo Prado Coelho nunca virava a cara a uma boa discussão. Ou melhor: E.P.C. adorava polemizar. As suas crónicas raras vezes eram consensuais e isso parecia dar-lhe um prazer particular. Embora fosse um académico, as suas crónicas eram normalmente despidas do “tique” elitista que coarcta a comunicação com o grande público. Isso tornava-o mais vulnerável a algumas críticas, mas conferia-lhe a aura dos grandes comunicadores.
Sem preconceitos elitistas- embora por vezes cultivasse essa postura - EPC tão depressa escrevia no seu “Fio do Horizonte” sobre música e literatura, como política ou futebol. Universal na escrita, EPC era também eclético nas suas escolhas políticas. Foi do PC, esteve próximo do PS e não se coibiu de apoiar Cavaco Silva quando achou que o devia fazer. Os grandes homens – que amam a vida e dão valor à Liberdade são assim. Recusam deixar-se agrilhoar pelas máquinas castradoras dos partidos, porque sabem que não há verdades universais que o justifiquem.
A última vez que estive com ele foi num debate na Almedina, onde mantivemos uma acalorada discussão. Aliás, em boa verdade, devem ter sido mais as vezes em que discordei das suas opiniões, do que aquela em que comunguei a sua visão das coisas. Isso não impede que tenha sentido um grande choque quando soube da sua morte – apesar de ser conhecida a sua doença não era esperada.
Sei bem a paixão que tinha pela vida e quanto ainda esperava dela. Na hora da sua morte não deixei de pensar- uma vez mais- que se tomássemos mais vezes consciência do valor efémero da vida, o mundo podia ser muito melhor.
É talvez a melhor homenagem que lhe posso fazer no momento do adeus definitivo.

domingo, 26 de agosto de 2007

Venetian

É inaugurado amanhã em Macau- dia 28 de Agosto - o maior casino do mundo, o Venetian resort casino, propriedade do Las Vegas Sands, um complexo de casino, hotéis, mall e restaurantes envolvendo um investimento de 1.8 biliões de US dólares. Em termos de área, diz o operador, apenas as instalações da NASA na Florida são maiores. O complexo disporá de 3000 quartos, 350 lojas comerciais, e vários espaços para congressos. Replicará a zona dos canais da cidade de Veneza e terá (espante-se) gôndolas e barqueiros. Uma visita a não perder e mais um spot para visitarem Macau. Algumas imagens neste e no post seguinte.

Portugal e a Europa

Acabei de ler este livro, com coordenação de António Costa Pinto e Nuno Severiano Teixeira editado pelo Círculo de Leitores, em Julho de 2007. É um livro fundamental para se perceber o processo de adesão de Portugal à Comunidade Europeia. Colecção de testemunhos de Calvet de Magalhães, Xavier Pintado, Silva Lopes, João Cravinho, Siqueira Freire, Fernando Reino, Medeiros Ferreira, Ernâni Lopes, Jaime Gama e Mário Soares, prefaciado pelos dois primeiros. A história não foi bem como se contou com resulta de alguns dos vivos testemunhos dos protagonistas. Muito sentido-espírito-de-orelha e sorte. Desenvolvo análise aqui na coluna quinzenal do JTM.