quarta-feira, 18 de julho de 2007

O braço de ferro de Putin



Ao suspender a participação da Rússia no tratado sobre armas convencionais na Europa, Putin deu mais um passo no caminho de distanciamento entre a Rússia e os EUA, com a UE a ter, para já, uma atitude conciliadora.
A questão do Kosovo, o escudo anti-míssil que os EUA querem colocar na Europa- com o beneplácito da União- e a entrada na NATO de países que estiveram na órbita soviética desde a segunda Guerra Mundial -até à queda do muro de Berlim e consequente desagregação da URSS - são problemas demasiado delicados que a UE tem que resolver, tomando uma posição que se adivinha alinhada com os EUA.
É previsível, por isso, um endurecimento da posição russa no braço de ferro que mantém com os EUA e- ainda que discretamente- com a UE.
Europa e EUA tentarão manter a situação num impasse até à realização das eleições russas no próximo ano, na expectativa de que o sucessor de Putin seja mais “compreensivo”, mas será difícil protelar por muito mais tempo a situação do Kosovo- que requer uma solução rápida – em relação à qual Putin tem uma posição firme.(Como significativamente firme foi também a recusa de extraditar para a Grã-Bretanha Andrej Lugovoi – acusado de ser o assassino de Livitenko).
O ainda presidente russo pretenderá deixar ao seu sucessor uma marca forte do que entende deve ser a política externa russa e garantir que o escudo anti-míssil nunca será instalado, pelo que pode ser tentado a criar condições para que os EUA sejam obrigados a recuar nas suas intenções.
Mesmo que os próximos tempos não venham a ser muito esclarecedores, irão influenciar as próximas eleições russas, cujo resultado pode a vir a ser até mais desfavorável para a Europa e EUA, se o novo líder russo se revelar mais intransigente e menos paciente do que Putin.