sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Até não perceber...

Uso para epígrafe deste post um verso de Jorge de Sena para voltar ao assunto do veto presidencial. Ainda hoje, a seu tempo, perceberão porquê. Num outro post lá mais para diante...
O meu amigo Arnaldo Gonçalves às vezes toma-me por ingénuo – o que, para mal dos meus pecados, até é verdade. No entanto, em relação ao veto presidencial, não foi o artigo do Pedro Lomba que me fez ir “atrás da conversa”.
Em primeiro lugar, causou-me estranheza que um diploma aprovado POR UNANIMIDADE na Assembleia da Republica tivesse sido vetado pelo PR.
Em segundo lugar, causou-me espanto que pessoas de todos os quadrantes partidários ( e não apenas alguns muito pouco representativos como o Arnaldo escreve) tenham reagido desfavoravelmente. Eu sei que o PSD ficou mudo e quedo, mas caramba o seu peso relativo não permite inferir que os outros todos são pouco representativos...
Finalmente, porque também tenho opinião própria, preocupou-me o veto de Cavaco. E explico porquê...
Preocupa-me saber que, diariamente, continuará a haver pessoas lesadas pelo Estado e que o Estado fique impune.Arrepia-me que um cidadão veja arruinada a sua vida por erro ou negligência grosseira do Estado e receba apenas um pedido de desculpas
Até poderia estar de acordo quando o Arnaldo escreve “Os direitos individuais que são coisas estruturais ao sistema representativo só fazem sentido se forem balanceados pelas competentes obrigações”.
Só que- e por aqui me fico- essa posição nunca é levada à prática pelos defensores de um mercado completamente liberalizado, quando é o mercado que está em causa. Nessas situações, os interesses de um empresário, por exemplo, sobrepõem-se aos do colectivo, em nome dos sacrossantos interesses ( económicos, claro está...) do país.
Finalmente... a chamada de atenção para o artigo do Pedro Lomba está explicada no post que inseri. Se leres com atenção, perceberás que isso não implica que esteja totalmente de acordo com o conteúdo.